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Como se tornar um engenheiro do Google

Empresa diz que não há limite de vagas para contratar bons profissionais

Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!*

06/03/2007 às 16h31

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Empresa diz que não há limite de vagas para contratar bons profissionais

Cem dólares para gastar em bugigangas para a sua mesa de trabalho. Essa é apenas uma das regalias que o Google oferece aos seus funcionários em qualquer lugar do mundo. Outros atrativos, como geladeiras com bebidas à vontade e guloseimas sortidas, redes e cadeiras de massagem para relaxar, mesas de pebolim, videogames e puffs gigantes, que lembram as bolinhas coloridas do logo da empresa, saltam aos olhos quando se caminha por um escritório do Google - seja na Califórnia, em São Paulo ou em Minas Gerais.

Mas muito mais que um ambiente de trabalho descontraído, o que atrai os profissionais ao Google é a possibilidade de trabalhar em uma das maiores - e mais cobiçadas - empresas de tecnologia do mundo, com todas as óbvias vantagens que uma temporada na companhia agregam ao currículo - sem falar na remuneração.

Candidatos não faltam, mas a companhia continua com vagas abertas tanto no seu escritório comercial em São Paulo (SP) quanto no seu Centro de Engenharia, em Belo Horizonte (MG).

Segundo Berthier Ribeiro Neto, diretor de engenharia do centro de pesquisas e desenvolvimento mineiro - um dos 30 que a companhia mantém em todo mundo -, a subsidiária tem o aval da matriz para contratar tantos bons engenheiros quantos encontrar. Mesmo assim, a equipe de engenheiros do Google aumentou apenas de 15 para 30 profissionais desde que a empresa mineira de buscas Akwan foi adquirida pelo Google, em julho de 2005, tornando-se o centro brasileiro de engenharia.

Para Carlos Felix Ximenes, diretor de comunicação corporativa do Google, a chave para este mistério está na cultura da empresa, na qual nem todos os profissionais se enquadram. “O desafio é encontrar profissionais que tenham um alto grau de expertise no que fazem, mas que também tenham o perfil do Google: bem-humorados, colaborativos e hardworking [que dão duro]”, define.

No caso dos engenheiros, a tarefa é ainda mais árdua. “Queremos os melhores, mas os melhores normalmente sabem que são bons e se tornam competitivos, arrogantes. Isso não combina com o modelo de gestão do Google, que é muito horizontal. Os fundadores até hoje trabalham em baias, no meio de todo mundo”, conta Ximenes. “Quando se caminha pelo escritório do Google em Mountain View, você esbarra o tempo todo em gente brilhante, mas é impossível dizer isso pelas suas atitudes”, relata.

Esta busca incessante pelos melhores talentos - não importa onde eles estejam -, acaba fazendo do Google um verdadeiro caldeirão étnico, o que, segundo Ximenes, também explica porque a empresa se esforça tanto para criar um ambiente agradável para os funcionários.

“Na Califórnia, temos nutricionistas que preparam cardápios étnicos diversos para cada um dos refeitórios que temos no complexo de escritórios. Alguns funcionários chegam a dormir no Google - tem blogs internos que dão as dicas dos melhores cantinhos para cochilar. Para alguns funcionários, o Google é realmente um lar”, explica.

No Brasil, a companhia também garimpa profissionais em todas as regiões, segundo Ximenes. “No escritório em São Paulo temos gente do Nordeste, do Norte, do Sul, e muita gente do Rio de Janeiro. Tem menos paulista que qualquer coisa”, brinca o diretor de comunicação.

Ribeiro, que é um dos fundadores da mineira Akwan e esteve à frente do processo de aquisição, conta que a maior preocupação do Google ao examinar a companhia eram as pessoas. “Em nenhum momento os ouvi falando sobre receita, patrimônio ou marca”, relata. Para ele, o que viabilizou a compra foi a cultura muito parecida da empresa mineira com a futura matriz. “Eles entraram na Akwan e viram uma única grande sala, sem paredes e divisões. Apenas duas salas de reunião, com vidros transparentes”, conta.

Mas se a cultura é um fator determinante para ingressar na companhia, a bagagem acadêmica também é igualmente importante para um futuro engenheiro do Google. “Enviar o currículo é o último passo, é o fim da estrada”, diz Ribeiro. Segundo o diretor, é muito comum o aluno chegar à faculdade e achar que as notas não são mais importantes. “Não há amostragem melhor que quatro anos de notas para identificar o potencial de um candidato”, justifica o executivo.

Ribeiro fala com conhecimento de causa: a Akwan nasceu no âmbito acadêmico, fundada por egressos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apesar da pinta de empresa pequena, quando foi comprada pelo Google já colecionava um portfólio invejável de clientes para o seu sistema de buscas, com nomes como Universo Online (UOL), iG e Editora Abril.

“É preciso viver a universidade intensamente. Às vezes o aluno começa a fazer um estágio, ganhar um dinheiro, e deixa a universidade de lado pensando no curto prazo, mas pode estar perdendo uma boa chance lá na frente”, observa Ribeiro. Para Paulo Golgher, gerente de engenharia do centro em Belo Horizonte e co-fundador da Akwan, não faltam oportunidades para bons profissionais que saem da academia.

“Quem faz um bom curso, tem emprego garantido. Se não for aqui, é lá fora”, defende. Um exemplo da dedicação à vida acadêmica que se reverteu em oportunidade no mercado é o do engenheiro Torsten Nelson, que depois de se graduar e concluir mestrado na Universidade Federal de Minas Gerais, e de cursar um doutorado no exterior, conseguiu uma vaga na equipe de engenharia do Google, enviando um currículo pelo site.

Já Bruno Albuquerque, formado pela Universidade Estadual de Maringá, também engenheiro de software, se concentrou mais na vivência prática, trabalhando em empresas de tecnologia até enviar seu currículo e ser contratado pelo Google para uma vaga, após seis meses de processo seletivo. “Isso foi no começo, agora nosso processo está mais estruturado. Leva no máximo um mês”, diz Golgher. 

O processo de recrutamento inclui testes de programação, entrevistas com diversos profissionais dentro da empresa, e, em alguns casos, até mesmo entrevistas com funcionários no exterior, já que a equipe de engenharia no Brasil coopera diretamente com os times internacionais da companhia.
Além de receber currículos pelo site, a empresa conta com sugestões dos próprios profissionais do time. “Incentivamos o sistema de indicação. Partimos da premissa que gente boa conhece gente boa”, conta Ximenes.

Por fim, o Google observa de perto os profissionais em formação para detectar os potenciais talentos. Neste ano, a companhia promoveu o desafio Code Jam na América Latina, voltado a jovens programadores. Além de brindar os 50 melhores colocados com prêmios em dinheiro, a empresa aproveitou o concurso - que se realiza em diversas partes do mundo - para identificar potenciais candidatos a vagas no seu time de engenharia.

Anualmente, o Centro de Engenharia promove visitas às dez principais universidades com cursos de graduação e pós-graduação em engenharia da computação do País - UFMG, USP, USP-São Carlos, Unicamp, UFRJ, PUC-RJ, UFRS, UFPE, ITA e IME - para falar sobre o Google, e, mais uma vez, ficar de olho nos talentos.

Neste ano, o centro pretende iniciar um programa de estágio - o número de vagas e o modelo de seleção ainda não estão definidos, mas o processo deve ser iniciado até o meio do ano, segundo Ribeiro.

O caminho das pedras para quem quer se tornar um engenheiro do Google é, nas palavras do diretor: “caprichar na formação, falar línguas, não ser arrogante, saber trabalhar em comunidade e saber se concentrar no que realmente importa”.

*A repórter viajou a Belo Horizonte a convite do Google.

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