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Mulheres são menos de 10% nos cursos preparatórios para certificações

Minoria na área de TI, elas representam 6,44% nos preparatórios para certificação Microsoft e em torno de 10% nos cursos para certificações Cisco

Por Camila Rodrigues, da PC WORLD

08/03/2007 às 10h00

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Minoria na área de TI, elas representam 6,44% nos preparatórios para certificação Microsoft e em torno de 10% nos cursos para certificações Cisco

Mulher executiva 70x84Um dos meios de um profissional de TI incrementar seu currículo é fazer provas de certificação de fabricantes de hardware e software, como Cisco, Microsoft e Sun. Na maioria dos casos, é preciso fazer um curso preparatório e estudar livros de mais de 500 páginas. De forma coerente com o cenário do mercado de TI, são poucas as mulheres que se dispõem a investir tempo, dedicação e recursos para obte tais títulos.

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Levantamento realizado pela Impacta Tecnologia a pedido da PC WORLD aponta que, das 503 pessoas que fizeram cursos para obter certificações Microsoft, apenas 32 são do sexo feminino, ou seja, 6,44%.

Fonte: Impacta Tecnologia

Como se pode ver no quadro, os preparatórios para as diversas certificações Cisco conta com apenas 1,03% de participação feminina. Esse número é menos pessimista do que em outros centros de treinamento: na CTT-Brasil, o índice de participação de mulhers nos cursos sobe para 21%. Porém, o índice daquelas que realizaram o exame de certificação foi de 12,4%. Na Multirede, outro centro de treinamento, ela representam só 10% dos que fezem a prova.

No topo
A consultora Valéria Portela, diretora de apoio técnico e uma das fundadoras da Multirede, possui a mais alta certificação da Cisco, a Cisco Certified Internetwork Expert (CCIE). Esta certificação é renovável a cada dois anos - a única forma de o mercado ter certeza de que o profissional mantém-se atualizado com as novas tecnologias que surgem. “Prestei [o exame] para  mostrar que tenho conhecimento suficiente para dar suporte e vender o curso”, explica.

No fim de 1998, Valéria começou a fazer cursos preparatórios, obtendo o conhecimento necessário para obter as certificações CCNA, CCBA, CCNP,CCDP e, por fim, CCIE. “Tenho orgulho em dizer que, em 25 de novembro de 1999, passei de primeira no CCIE”, recorda a executiva.

Valéria trabalha com redes desde 1985, quando se formou em Engenharia Eletrônica na Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Fui convidada para trabalhar na Cetus, que vendia servidores de backup e de impressão. Na época impressora era uma fortuna e nem existia PC”. Quatro anos depois, a empresa entrou em concordata e o grupo com o qual trabalhava se uniu e montou a Multirede, em 1991. A empresa foi criada para oferecer treinamento em redes sobre o protocolo IP, pouco conhecido na época.

Filhos e casa não são desculpa
Quando cursava Tecnologia em Processamento de Dados, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Bianca Hartleben Diel trabalhava em um provedor de soluções da Microsoft, onde recebeu incentivo para obter a Microsoft Certified System Engineer (MCSE), que pressupõe sete provas.

“Antes de cada prova, eu estudava durante um mês, quatro horas — das vinte à meia noite, todos dias”, conta Bianca, atualmente consultora de infra-estrutura da Microsoft. A primeira avaliação aconteceu em 1997 e a certificação MSCE 2000 só foi conseguida três anos depois.

Ainda em 2000, nasceu Mariana. “Minha filha, de sete anos, não é impeditivo para eu buscar as certificações”. Tanto que, quatro anos mais tarde, a profissional fez mais duas provas de atualização, para o MSCE 2003. “Ela [Mariana] já era grandinha e eu expliquei para ela que a mãe tinha que estudar. Foi tranqüilo”.

Em relação à conciliação entre profissão e lar, Valéria comenta que o problema é que os homens não evoluíram dentro de casa. “No Brasil, não há distinção entre profissionais mulher e homem. É a mesma responsabilidade, os mesmos direitos. Mas a mulher precisa, invariavelmente de horários especiais, que a legislação brasileira não prevê”, reinvidica.

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