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Fundador da Wikipedia defende inocência de usuário que falsificou perfil

Jimmy Wales diz ter se chateado ao descobrir que “essjay” não era professor de teologia, mas o defende pelo "trabalho de ótima qualidade"

Por Martyn Williams, para o IDG Now!*

09/03/2007 às 18h09

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Jimmy Wales diz ter se chateado ao descobrir que “essjay” não era professor de teologia, mas o defende pelo "trabalho de ótima qualidade"

Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, afirmou que espera que usuários que pedem credenciais pelo site terão, em pouco tempo, que provar que realmente têm direito.

A nova política, que ainda está sob discussão pela comunidade de usuários que escrevem regularmente e mantêm o site, está sendo considerada após um dos editores mais respeitados da Wikipedia deixar vazar que não tinha as qualificações alegadas, no último mês.

O usuário, que atende pelo apelido de "essjay", se descreveu como um "professor de teologia" e afirmou que ensinou tanto cursos colegiais e superiores sobre o assunto. Ele também afirmou que era formado em estudos religiosos e tinha mestrado em artes na religião, doutorado em filosofia na teologia e doutorado em leis canônicas.

As qualificações, no entanto, não eram verdade.

Essjay é, na verdade, Ryan Jordan, norte-americano de 24 anos que vive em Kentucky e revelou sua identidade ao entrar para a Wikia, a companhia de Wales que usa o modelo de conteúdo comunitário para fazer dinheiro.

"Decidi ser eu mesmo, não esconder minha personalidade, para ser sempre quem eu sou, mas utilizar informações falsas sobre o que eu considero detalhes não importantes, como idade, ocupação e localização", escreveu ele na Wikipedia quando questionado sobre os perfis diferentes, de acordo com uma cópia da página agora deletada mantida pela Wikipedia Watch.

Jordan afirmou ter mentido sobre seu emprego e qualificação pedagógica para proteger sua identidade, mas quando foi contratado por Wales para trabalhar para a Wikia a comunidade percebeu realmente quem ele era.

A controvérsia, no entanto, não acaba aí. Essjay foi entrevistado pela revista The New Yorker em 2006, o que forçou a publicação a publicar uma errata do editor na sua edição mais recente. A errata levou o caso além dos fóruns da Wikipedia.

Investigações subseqüentes em suas alegações no seu perfil do Wikia indicam que outras caracerísticas podem ser falsas.

"É bastante complicado", afirmou Wales em entrevista em Tóquio.

"Não estamos felizes sobre isto", afirmou. "Descobrir que alguém vem enganando a comunidade por um longo tempo minou nossa confiança. A Wikipedia é construída sobre a idéia de confiança nas pessoas, que devem ser honestas. Acreditamos que todos são assim, então foi uma decepção".

Como resultado dos problemas, usuários terão que confirmar agora alegações específicas sobre qualificações, especialmente se elas são relevantes aos artigos que estão sendo escritos, editados ou alterados, afirmou Wales.

Caso editores estejam usando seus nomes reais, então esta é uma questão simples, mas para as tradicionais edições anônimas, pode ser um problema, admite ele.

"Neste caso, provavelmente nós desencorajamos que eles interajam sem ter as credenciais", afirma ele.

As revelações vieram em péssima hora para a Wikipedia. Nos últimos meses, o site vêm freqüentando manchetes por várias questões que envolvem credibilidade, que está sendo questionada - não apenas pelos erros, mas também pela falta de identificação e motivação dos seus usuários.

"Não achei que fosse tão importante, por que não percebi que ele estava confiando em credenciais de um professor", afirmou. "Ele tratou tudo como uma piada e a experiência que ele alegou era exagerada. Após o fato, você pode olhar para trazer e dizer 'Bom, isto foi meio estranho', mas nunca olhei para trás, o que foi meu principal erro em todo o processo".

Para Wales, "a grande ironia é que essjay trabalhou como um editor fabuloso e fez muito trabalho muito bom".

"Minha visão é que, quando ele estreou na Wikipedia, ele inventou esta persona sem pensar muito sobre isto e sem perceber que ele se tornaria muito ativo e respeitado na comunidade e por isto eu entendo quando ele afirmou se sentir traído", analisa.

"Conversei com ele e é claro que ele não está feliz com toda esta repercussão. Ninguém quer se tornar famoso assim, mas ele sente um pouco aliviado que tudo acabou, então eu espero que o mundo o deixe crescer em paz", diz.

*Martyn Willians é editor do IDG News Service, em Tóquio.

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