Home > Notícias

Histórias de horror em TI: dramas do ERP

Para alertar CIOs sobre certos cuidados em projetos futuros, Computerworld lista casos de fracasso na história recente da TI

Por Redação do Computerworld

12/03/2007 às 17h44

Foto:

Para alertar CIOs sobre certos cuidados em projetos futuros, Computerworld lista casos de fracasso na história recente da TI

Certamente todo gerente de TI tem ao menos uma história para contar sobre um projeto que não trouxe resultados esperados. Mau funcionamento, pouco retorno sobre o investimento, retrabalho de processos... A lista de falhas possíveis é extensa. Outros, porém, sentem um gosto ainda mais amargo ao lembrar que, entre suas experiências, estão casos graves, desastrosos, enfim, horripilantes.

Por maiores que tenham sido os esforços para esconder esses casos, nem sempre eles permaneceram na surdina. E isso nem de tudo é ruim, afinal, os fracassos podem servir de alerta para futuros projetos de TI. Nesse sentido, o COMPUTERWORLD traduziu uma lista publicada na edição norte-americana da CIO Magazine com as 25 histórias mais horríveis da TI na memória recente. Até o final do mês de março, todas as sextas-feiras serão publicados casos de insucesso em cinco temas. O primeiro é ERP. Atenção: as histórias devem trazer ensinamentos, mas também podem causar pesadelos.

ERP I: escola dos horrores
Voltar às aulas após as férias de verão pode ser um fato assustador para muitos estudantes norte-americanos, especialmente para os calouros. A última coisa necessária, nesta situação, é algum programa de computador que assombre suas vidas e torne as coisas ainda mais incertas. Em 2004, mais de 27 mil estudantes das Universidades de Massachusetts, Stanford e Indiana foram forçados a conviver com portais e aplicações de ERP deficientes, que os deixaram absolutamente perdidos. Basicamente, praticamente ninguém conseguia encontrar suas salas de aula, grades ou mesmo extratos financeiros. Um verdadeiro fracasso.

"Os calouros ficaram quase loucos porque não sabiam para onde ir." - Stefanie Fillers, ex-aluna da universidade de Massachusetts.

ERP II - o pânico continua
Escândalo de privacidade ou pesadelo do ERP: o que causou mais danos para a Hewlett-Packard? Bom, a resposta ainda está em aberto. Mas da série histórias horripilantes de TI, vale ressaltar que a implementação de um ERP em 2004 seguiu literalmente a Lei de Murphy na companhia: tudo o que podia dar errado, deu. O projeto custou cerca de 160 milhões de dólares em pedidos de backlogs e em perda de receitas. Na prática, as correções custaram mais de cinco vezes o projeto em si.

"Tivemos uma série de pequenos problemas, nenhum que tivesse sido enorme para se gerenciar isoladamente. Mas juntos eles criaram um perfeito furacão." - Gilles Bouchard, então CIO e vice-presidente de operações globais da HP.++++
ERP III: um exercício de agonia
Um investimento de 400 milhões de dólares na atualização de seus sistemas de supply chain dá uma imensa capacidade de compra para sua empresa, certo? Nem sempre. Em 2000, um sistema trouxe perdas de 100 milhões de dólares em vendas, quedas de 20% nas ações e uma avalanche de processos à Nike. Isso graças a uma tentativa para lá de frustrada de integrar ERP, planejamento de supply chain e CRM em um único sistema super herói. Para as demais companhias norte-americanas, uma lição de infortúnio e alerta.

"Para aqueles que pretendem seguir esse tipo de coisa: nós nos tornarmos um marco [para implementações fracassadas]." - Roland Wolfram, vice-presidente de operações globais e tecnologia da Nike.

ERP IV: doce miséria
Gaste um dólar para perder um dólar. O que? Não é assim que os sistemas deveriam funcionar. Mas foi esse o resultado da tentativa da fabricante de alimentos Hershey's em 1999 em criar um sistema "enfeitado" para emissão de pedidos e distribuição. O detalhe era que o projeto nem sequer chegou a funcionar, evitando que a Hershey's distribuísse 100 milhões de dólares como quem está comprando doces baratos. No entanto, as ações da companhia caíram 8% no dia em que o então CEO Kenneth Wolf anunciou a falha no sistema.

"Não há dúvida de que 1999 foi um ano difícil e desapontador para a Hershey’s Foods, ao passo que vendas e ganhos caíram significativamente, assim como nossa expectativa de mercado. Isso aconteceu principalmente em virtude dos problemas com serviço ao cliente e reposição, resultantes da fase final de nossos novos sistemas de negócios e processos nessas áreas." - Kenneth L. Wolfe, ex-presidente e CEO da companhia, em um comunicado à imprensa.

ERP V – morte súbita
O último conto de horror de ERP relata a experiência da distribuidora farmacêutica FoxMeyer Drug – e acende todas as luzes de alerta aos CIOs interessados em conduzir uma implementação desse tipo. Depois de colocar em funcionamento o SAP R/3 na metade dos anos 90, a companhia foi à falência. Os controladores abriram um processo avaliado em 500 milhões de dólares contra a gigante alemã. A empresa co-implementadora, Andersen Consulting, também foi processada em 500 milhões de dólares, diante da alegação de que os esforços de instalação do software contribuíram para a companhia ir para o buraco.

"Em 23 de junho de 2004 a SAP chegou a um acordo com a FoxMeyer em que foi imposto à companhia alemã o pagamento de uma certa quantia. Nele, todas as disputas e litígios remanescentes foram eliminados por ordem da Corte de Falências norte-americana de Delaware, datada de 30 de agosto de 2004. A SAP pagou a quantia a FoxMeyer em 9 de setembro de 2004." - Trecho do relatório anual de 2004 da SAP.

*Com informações da CIO Magazine

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail