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Ruby on Rails ganha adeptos entre os desenvolvedores da Web 2.0

Framework desenvolvido a partir de linguagem Ruby começa a se popularizar entre webmasters pela simplificação radical

Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!

12/03/2007 às 17h54

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Framework desenvolvido a partir de linguagem Ruby começa a se popularizar entre webmasters pela simplificação radical

O desenvolvimento de serviços online começou com o cansativo HTML e seguiu para a mais sofisticada XML, que já separava conteúdo de formatação e abriu caminho para o AJAX, alçado à popularidade pelas exigências de interação do movimento Web 2.0.

No futuro, por que então, ao invés de confiar no talento de programação do desenvolvedor, confiar ao aplicativo muitos dos processos repetitivos enfrentados num projeto de framework?

Com nome de canção de rock, o Ruby on Rails (conhecido também como RoR) aparece cada vez mais como uma linguagem popular entre webmasters pela alta produtividade derivada na simplicidade do desenvolvimento.

Lançado em 2004 pelo programador dinamarquês David Hansson, o framework foi codificado pela linguagem Ruby como uma maneira de simplificar o trabalho de desenvolvedores online, que perdiam muito tempo em processos repetitivos.

A preocupação do Ruby on Rails em trazer processos mais simples para o desenvolvimento online se reflete em dois motes que o projeto carrega.

O primeiro que o usuário “não se repita” (do inglês, ‘Don´t Repeat Yourself’), em que partes do código não precisam ser duplicadas para atender a partes semelhantes do projeto; e o “Convenção sobre configuração” (do inglês, ‘Convention over configuration’), que prega a padronização de processos orquestrados pelo Ruby on Rails.

Em frameworks rivais, como o .Net, da Microsoft, ou o Java, da Sun, é responsabilidade do usuário definir, entre os diversos caminhos disponíveis, quais serão usados para o desenvolvimento de todas as funções.

Parte do aumento de produtividade possível pelo Ruby on Rails vem da padronização de muitas destas escolhas – é o framework que define uma linha padrão que o usuário seguirá até o final do projeto.

Mas esta “inteligência artificial” não limita o trabalho? Não, afirma Ronaldo Ferraz, sócio da consultoria BitBucket, afinal o próprio usuário pode escolher se vai tomar o caminho indicado pelo framework ou não.

“Na programação, temos a teoria do ‘80/20’, em que 80% do trabalho é o mesmo tipo de  programação”, afirma Ferraz. “O Ruby on the Rails pega este 80% e deixa tudo pronto para o usuário. Esta é a aplicação prática do ‘Convenção sobre configuração’”.

Tanta automatização torna o Ruby on Rails mais fácil de se programar? Fácil não é exatamente o adjetivo mais correto – afinal, mesmo formatada para ser mais simples, o Ruby on Rails ainda exige códigos.

Mas também é verdade que o framework torna o desenvolvimento de serviços online mais próximos de profissionais nem tão especializados.

Se a Web 2.0 trouxe ao usuário leigo ferramentas que permitiam a criação de blogs, álbuns de fotos e podcast, por que não os desenvolvedores poderiam ser também beneficiados?

“Como a Web 2.0 mostrou que existia algo além da velha internet, o Ruby on Rails permite uma programação mais dinâmica e ágil”, compara Ferraz.

Ironicamente, o Ruby on Rails conta também com uma biblioteca que permite a criação de serviços baseados em AJAX, linguagem característica de serviços que encampem o movimento online.

“Ambos usam a mesma metodologia. Ruby on Rails e AJAX se complementam”, afirma.

Além de AJAX, o Ruby on Rails oferece um “framework inteligente” preparado para situações, a ponto dos módulos de programação extra precisem apenas ser acoplados ao código.

Esta é a principal vantagem alegada por Manoel Lemos para o uso da linguagem na construção da ferramenta brasileira de buscas de blogs BlogBlogs.

“É muito rápida a maneira como o framework é montado para fazer uma aplicação web. Administração dos arquivos, ligação com o banco de dados, está tudo pronto na hora do projeto", afirma Lemos.

Acostumado em desenvolver projetos com a linguagem Java, Lemos afirma que se sentiu atraído pelas convenções propostas pelo Ruby on Rails, "menos enrolado do que configurar um monte de coisas como o Java".

A ligação direta que o Ruby on Rails tem com banco de dados, aliás, é outra das vantagens apontadas pelos desenvolvedores.

Além do suporte, o Ruby on Rails goza de interação suficiente com bancos de dados, como MySQL, Sybase, Oracle e Apache, para conferir automaticamente ao framework mudanças realizadas entre as informações.

A produtividade derivada da automatização de processos coloca o Ruby on Rail em franca vantagem cronológica em comparação a outras linguagens, como o PHP, por exemplo.

Lemos surpreende ao afirmar que a estrutura do BlogBlogs, com a integração da indexação de links, textos e blogs, levou apenas quatro dias, do contato com a língua ao primeiro esboço funcional.

"Sempre quem tem convenção, há restrição. O Ruby on Rails não é exceção. Mas não achei nada que prejudicasse", afirma ele. "O ganho de tempo que tive valeu demais as restrições encontradas. Hoje, não penso em fazer outros serviços online que não sejam em Ruby".

Já Ferraz cita o exemplo de dois portais que foram elaborados quase que simultaneamente. Enquanto uma empresa privada exigiu que o site fosse feito em PHP, um órgão governamental de Minas Gerais concordou com o Ruby on Rails.

“Sob estas condições, levamos quatro meses para finalizar o projeto em PHP, enquanto o serviço governamental nos ocupou por pouco mais de um mês”.

Por mais que esclareça que ambos os projetos apresentassem um nível similar de estrutura de conteúdo, Ferraz revela que, em determinados serviços online, o tempo gasto chega a ser até dez vezes menor.

A economia de tempo viabilizada pela simplificação radical da programação colocaria o Ruby on Rail como um framework de enorme potencial financeiro para desenvolvedores, não fosse sua ainda baixa popularidade no mercado corporativo.

“Atualmente, qualquer empresa, ao elaborar um site, já pensa em fazer em .Net e Java, graças ao suporte das gigantes por trás (Microsoft e Sun, respectivamente)”, define Ferraz.

Lemos também segue a mesma linha de pensamento. "Não vejo (o RoR) como um perigo ao Java ou ao .Net. O mercado tem espaço para todos, basta que o Ruby foque no seu nicho", diz ele, remetendo a serviço que apelem para a Web 2.0.

A baixa popularidade faz parte da aceitação de qualquer nova linguagem no mercado corporativo - o AJAX é um ótimo exemplo.

Mesmo que tenha sido criada no começo de 2005, ela vem deixando de lado a imagem de linguagem com potencial para se transformar em serviços de grandes empresas nos últimos meses.

Com menos de três anos de vida, o Ruby on Rails já tem espaço entre entusiastas, desenvolvedores e empresas menores. Neste ritmo, não precisará de muito tempo até que as grandes corporações, que já aceitam projetos internos, como intranets, com o framework, elaborem maneiras de entrar nos trilhos.

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