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Cebit 2007 começa dividida entre perfil corporativo e de entretenimento

Haverá atrações para todos na edição deste ano do evento de tecnologia. Infelizmente, parece que não é isso que todos querem

Por John Blau e James Niccolai, para o IDG Now!*

14/03/2007 às 20h19

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Haverá atrações para todos na edição deste ano do evento de tecnologia. Infelizmente, parece que não é isso que todos querem

Quando a maior feira de tecnologia do mundo abrir suas portas, na quinta-feira (15/03) em Hanover, na Alemanha, haverá uma grande diversidade de opções em exibição para clientes corporativos, como produtos de CRM, VoIP e RFID. Haverá também muito para os consumidores finais, como TVs de alta definição, câmeras digitais e aparelhos de DVD de última geração.

Ter algo para todos os gostos é bom, porém o crescimento dos produtos para consumidores finais fez com que alguns expositores pensassem duas vezes antes de se inscrever. Telefones celulares e TVs de tela plana atraem mais consumidores ao evento, dizem os críticos, e isso não é bom para companhias que querem encontrar compradores profissionais.

“O ROI (retorno de investimento) da presença na Cebit não vale a pena, na verdade”, disse Christine Nöstelbacher, gerente de marketing da companhia de gerenciamento de conteúdo corporativo Open Text, que decidiu não participar na feira deste ano. “O público alvo que queremos alcançar não bate com o público da Cebit”.

É um problema que já afetou outras feiras, como a Comdex, nos EUA, que fechou em 2004 após expositores virarem as costas para o que se tornou um evento sem foco. Poucos prevêem um fim para a Cebit, que atraiu cerca de 450 mil visitantes no último ano, mais que qualquer outro evento do gênero. Mas evidências engraçadas mostram que não foi a feira mais visitada dos últimos anos.

Uma rápida verificada nos hotéis comerciais de Hanover, como o Radisson, Ramada e Park Inn, mostraram que a maioria só está lotado entre a quarta e a quinta-feira da próxima semana, com vagas para a partir da sexta-feira.

“Percebemos um pouco mais de cancelamentos de reserva na última hora neste ano e não conseguimos preencher as vagas tão rápido quanto antigamente”, disse um funcionário responsável pelas vagas no Park Inn.

Reservas de última hora em hotéis de Hanover são “um pouco difíceis” mas existem possibilidades, disse um agente de viagem da Travek2Fairs, que agenda quartos para visitantes de feiras comerciais. “Arrumar um quarto fora da cidade é mais fácil”, disse. “Este ano percebemos uma queda na demanda”.

A própria Cebit também está menos lotada. Cerca de 6 mil expositores participarão neste ano, menos que os 6,2 mil do ano passado e os 8 mil de 2001, disse Katharina Siebert, porta-voz da Deutsche Messe, organizadora do evento.

A queda reflete a debandada lenta, porém constante, de empresas no uso da Cebit para promover produtos e conhecer clientes. Juntamente com o OpenText, também ficarão de fora as fabricantes de celulares Nokia e Motorola, seguindo o exemplo da Dell e da Hewlett-Packard, que finalizaram suas participações há naos.

“A Cebit está ficando um pouco mais tranqüila; não dá para comparar com oito, dez anos atrás”, disse Regina Israel, gerente de comunicações corporativas da Europa da Seagate Technologies, que participará neste ano apenas através dos estandes de seus parceiros.

“A Cebit tenta fazer algo para cada um”, disse ela, “mas não estou certa de que isso funcione”.

Marcus Ehrenwirth, um profissional de relações públicas que trabalhou pela primeira vez na Cebit de 1998, disse que o evento desenvolveu uma “crise de imagem” ao tentar competir com a IFA, feira para consumidores em Berlim.

Mas as companhias são rápidas no julgamento do evento, ele disse. Conseguir a liderança de vendas depende de marketing direto em primeiro lugar, o que algumas companhias não fazem. E a Cebit oferece outras vantagens, como chegar a vários clientes existentes em um só lugar.

Nöstelbacher, do Open Text, disse que a indústria está amadurecendo. TI é agora interesse de gerentes corporativos, disse ela, não apenas de profissionais de tecnologia, e o Open Text acredita que pode achar um público melhor em eventos mais focados, como o Sapphire, da SAP, e o DMS Expo, conferência de gerenciamento de documentos em Colônia, na Alemanha.

A Deutsche Messe diz que seu evento não perdeu o foco corporativo. A Cebit sempre exibiu eletrônicos de consumo, que atraem tanto consumidores profissionais como finais, disse Siebert. E os organizadores dizem que cerca de 85% dos visitantes se encaixam no primeiro grupo. A feira continua a ser importante para alguns vendedores, como a IBM, que terá uma grande presença neste ano.

Ainda assim, a Deutsche Messe já tomou medidas para solucionar as preocupações. Em janeiro, a empresa anunciou um esforço de “reestruturação” para 2008 que inclui encurtar o evento, que atualmente dura uma semana, para seis dias, e a abertura na terça-feira, e não na quinta-feira, como acontece hoje em dia.

O objetivo é cortar os custos para os expositores e dar a eles quatro dias consecutivos da maioria dos compradores corporativos, enquanto consumidores finais e pequenas empresas provavelmente comparecerão no fim de semana. A empresa promete ainda programas de marketing conjunto para ajudar a gerar lideranças de vendas, e adicionará novos eventos com foco em negócios, como o SOA World, marcado para este ano.

“O sucesso da Cebit ressurgirá”, previu Ehrenwirth, “mas levará algum tempo”.

*John Blau e James Niccolai são repórteres do IDG News Service, em Düsseldorf.

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