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Cebit 2007: Revelado sistema que controla PC por pensamentos

Sistema BCI, da g.tec, usa eletrodos na cabeça do usuário que transforma sinais elétricos do cérebro em comandos para micros e games

Por James Niccolai, para o IDG Now!*

16/03/2007 às 11h17

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Sistema BCI, da g.tec, usa eletrodos na cabeça do usuário que transforma sinais elétricos do cérebro em comandos para micros e games

Esqueça software de reconhecimento de voz: que tal digitar uma tecla apenas pensando sobre isto?

Em um canto tranqüilo da feira Cebit, uma pequena companhia austríaca está mostrando uma interface "cérebro-computador", uma tecnologia que pode transformar a maneira como usamos computadores, jogamos videogames e até mesmo falamos uns com os outros.

Soa como ficção científica, mas é uma aplicação de ciência e tecnologia. O sistema não chega a ler pensamentos; ao invés disto, mede as flutuações da voltagem elétrica no cérebro e traduz em comandos para a tela do PC.

O sistema consiste de um capacete com dezenas de buracos onde eletrodos são acoplados ao resto do escalpo. Os eletrodos são conectados por finos cabos por um "amplificador de sinais vitais", que transmite sinais do cérebro para o PC.

Diferentes partes do cérebro são usadas para processar diferentes tipos de pensamentos. Movimentos verticais e horizontais das mãos são gerados na área cerebral chamada córtex motor, por exemplo, afirmou Christoph Guger, CEO do g.tec, que apresentou o sistema BCI na feira.

Para usar o BCI para mover um cursor do PC, os eletrodos são colocados sobre as partes correspondentes do cérebro, onde podem analisar as pequenas flutuações para concluir no que a pessoa está pensamento.

O software precisa ser treinado por seguidas horas para ler corretamente os sinais. O usuário responde a comandos na tela do PC, pensando em "direita" ou "esquerda" quando são instruídos para tal, por exemplo.

Outro teste envolve procurar por determinadas letras que piscam, e pensar no seu nome quando aparece.

O software aprende quais são as flutuações na voltagem do cérebro quando estas letras ou direções são pensadas, afirma Guger.

O sistema ainda é bem devagar - mesmo um software treinado pode "ler" apenas 18 caracteres por minutos, ou cerca de quatro palavras. Ainda assim, isto pode ajudar uma pessoa desabilitada que não pode se comunicar por voz ou movimentos.

Cerca de 200 pessoas deficientes em todo o mundo estão usando o software em casa para se comunicar, de acordo com Guger, mesmo que precisem de ajuda profissional para a configuração.

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Outro problema é a exatidão. Em um teste na conferência na Áustria há cerca de dois anos, 300 pessoas foram treinadas no sistema por cerca de 30 minutos.

Após este tempo, o sistema pode entender respostas binárias simples de cada um deles em até 60% das vezes - ou "melhor que uma forma aleatória", afirma Guger.

Para cerca de 7% das pessoas, a exatidão foi de mais de 90%, afirmou ele.

A tecnologia está avançando. Há cinco anos, o sistema estava muito grande para ser transportado facilmente e, atualmente, todas as partes cabem exatamente numa caixa de sapato. Em 10 anos, o sistema pode ser rápido e exato o suficiente para ser comercializado em PCs domésticos e consoles, de acordo com Guber.

"Você poderia até ter eletrodos sem fio dentro do seu cérebro, e se comunicar com os outros apenas pensando", afirmou ele. "Mas aí você teria que começar a se preocupar sobre sua mulher descobrindo sobre sua amante", brinca ele.

Na Cebit, um colega de Guber usou o BCI para jogar uma partida do clássico game "Pong" contra um jornalista, além de ter escrito cartas, operado braços artificiais e dirigido uma cadeira de rodas.

 "Ainda não é seguro o suficiente para cadeira de rodas, no entanto; se o sistema ler um comando errado, você pode ser jogado no chão", analisa Guger.

O desenvolvimento do BCI começou na década de 90, inicialmente na Austria, Alemanha e Estados Unidos. Existem atualmente 300 laboratórios trabalhando na tecnologia, afirma Guger.

Ele vende o sistema BCI para cientistas que pretendam pesquisar a tecnologia, com preço que varia entre 20 mil euros e 100 mil euros, dependendo da sofisticação.

Medir a atividade elétrica do cérebro como faz o BCI é conhecido tecnicamente como eletroencefalograma, ou EEG. É um processo não invasivo, o que significa que eletrodos são colocados no escalpo sem cirurgia, mas produz sinais mais fracos, o que pode ocasionar interferências.

Técnicas invasivas produzem resultados melhores, mas são experimentadas apenas em pacientes que precisam de cirurgias no cérebro de qualquer maneira, assim como animais usados em testes do gênero.

Um engenheiro norte-americano é o responsável pela patente do conceito do BCI, afirmou Guger; outras patentes para determinados algoritmos de softwares voltados para decodificar os sinais do cérebro estão no nome de universidades.

*James Niccolai é repórter do IDG News Service, em Paris.

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