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Neutralidade na web – afinal, o que é isso?

Em discussão, a permissão para que os donos da infra-estrutura que constitui a internet possam controlar o que trafega por ela

Por Nando Rodrigues, da PC WORLD*

21/03/2007 às 15h25

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Em discussão, a permissão para que os donos da infra-estrutura que constitui a internet possam controlar o que trafega por ela

NeutralidadeVocê provavelmente já deve ter se perguntado sobre o motivo pelo qual cobram pedágio para utilizar determinadas estradas, enquanto se pode trafegar livremente por outras.

Desconsiderando o fato de o valor da cobrança ser justo ou não, pode-se dizer que as rodovias pedagiadas são aquelas que têm a melhor conservação do asfalto, oferecem condições de segurança e sinalização adequadas, bem como suporte ao usuário. Em resumo, são aquelas pelas quais se pode trafegar melhor.

Pois bem. Agora, imagine que os carros fazem o papel de conteúdo (e-mails, documentos, imagens, vídeos, músicas etc.) e que as estradas são a infra-estrutura física sobre a qual esse conteúdo trafega. A combinação disso tudo é o que torna possível a internet.

Quando se contrata um serviço de banda larga do provedor, pagamos para que a rede do provedor permita que o tráfego de conteúdo da web chegue até o computador ou que se possa enviar conteúdo para qualquer outro ponto da web.

Esse pagamento compreende a parte que liga sua casa ou escritório até os servidores do fornecedor do serviço, por meio da sua infra-estrutura, no caso, a operadora de telefonia. O que acontece a partir daí envolve negociações complexas para tornar possível a interconexão das diversas redes que formam a internet.

Ao acessar um filme, por exemplo, hospedado do outro lado do planeta, até que o conteúdo esteja disponível em seu computador, ele terá de passar por uma quantidade enorme de redes, que pertencem a empresas diferentes até chegar ao seu provedor que o envia a você. Todos – usuários domésticos e empresas – fazem isso o tempo todo, e por isso o tráfego na internet é enorme.

O conceito da neutralidade
A não ser que uma empresa tenha contratado uma conexão ponto-a-ponto para conectar, por exemplo, a sede e a filial, uma parte do tráfego de conteúdo que seus funcionário geram inevitavelmente vai parar na ‘rede pública’, compartilhada por todo mundo, na qual, em princípio, todos têm a mesma prioridade.

Isso é o que se denomina neutralidade da rede. Ou seja, toda a informação que trafega na internet deve ser tratada de forma similar.

Os donos da infra-estrutura física, porém, têm um entendimento diferente dessa história. Lembra-se das estradas pedagiadas? Pois é...

Nos Estados Unidos, onde boa parte dos rumos e diretrizes sobre o uso da web são discutidos, trava-se uma batalha entre os provedores e empresas de conteúdo, como Google, eBay e Amazon.

Essas empresas querem que o governo baixe uma lei que impeça que os donos da infra-estrutura de privilegiar tipos específicos de tráfegos, assegurando a neutralidade da web.

Privilégios desse tipo podem fazer, por exemplo, que conteúdos de empresas como a Amazon trafeguem em velocidade menor do que um conteúdo cujo proprietário pague ao dono da infra-estrutura um pedágio para garantir uma ‘estrada melhor’.

Em um primeiro confrontro, no Congresso dos Estados Unidos em junho passado, venceram os donos das redes. O tema, porém, voltou à pauta no início de 2007, quando dois senadores recolocaram o projeto em discussão: eles querem proibir que os provedores de banda larga bloqueiem, atrasem ou degradem conteúdo pela web.

Quem defende a neutralidade da rede teme que os maiores provedores de banda larga possam degradar o tráfego que tem origem ou que se destine a usuários dos provedores menores, prejudicando a concorrência.

Em declaração oficial, o senador Byron Dorgan afirma que a discriminação de conteúdo altera profundamente a maneira pela qual a internet opera e, também, ameaça a característica democrática natural da rede.

“A internet se tornou um mecanismo robusto de desenvolvimento econômico ao permitir que qualquer um com uma boa idéia se conecte e ofereça serviços aos consumidores competindo de igual para igual. O mercado escolhe quem será os vencedores e os perdedores; isso não pode ser feito pelo porteiro”, diz a nota.

*Com informações do IDG Now!

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