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Laptop educacional rouba atenção de guru do Linux nos corredores do FISL

Crianças da projeto Um Computador por Aluno tiram foco de Jon Maddog Hall no primeiro dia do FISLI

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD*

13/04/2007 às 15h07

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Crianças da projeto Um Computador por Aluno tiram foco de Jon Maddog Hall no primeiro dia do FISL

Figura conhecida internacionalmente como guru do Linux,  Jon “Maddog” Hall não foi o centro de atenções de quem passava pelos corredores do 8° Fórum Internacional de Software Livre (FISL), aberto nesta quinta-feira (12/04) em Porto Alegre.

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Na realidade, o mestre do código aberto perdeu espaço para um grupo de desconhecidos que se aglomerava a alguns metros dele. O motivo? O pequeno aparelho que carregavam nas mãos e usavam freneticamente: o laptop XO, de Nicholas Negroponte, utilizado para fins educacionais.

Os pequenos que despertaram atenção dos visitantes e os flashes da imprensa nessa primeira manhã do evento fazem parte do grupo de estudantes da quarta série da Escola Estadual de Ensino Fundamental Luciana de Abreu, de Porto Alegre (RS), uma das instituições escolhidas para comandar o projeto piloto Um Computador por Aluno na região. Desde o dia 19 de março a instituição utiliza o XO em atividades de classe diárias.

Ketilen Cardoso Rosa, de 10 anos, era uma das alunas da turma que exibiam com orgulho – e grande desenvoltura de uso - seu laptop personalizado com um adesivo para a multidão que se aglomerava, curiosa, em torno do grupo. “Usamos todos os dias para fazer pesquisas, escrever os trabalhos. É mais legal do que escrever no caderno”, contou. Segundo a garota, entre as atividades que tornaram as aulas mais interessantes estão o tempo para pesquisas na internet – via rede Mesh -, a redação dos trabalhos no próprio aparelho e o tempo para diversão, com jogos, chat, envio de e-mail e câmera embutida no equipamento. Tudo rodando sobre plataforma aberta.

Para quem está à frente do grupo e utiliza o aparelho nas atividades diárias, o laptop tem significado uma ferramenta importante de aprendizado, embora tenha trazido uma apreensão natural no início. “Realmente eles estão mais atraídos pela escola, descobrindo novas atividades, as pesquisas e ampliando o interesse pela leitura”, comenta a professora Miriam Epífano Ribeiro. Os equipamentos são utilizados como complemento aos livros e cadernos e há quase um mês estão focados na elaboração de  projetos interdisciplinares que buscam estimular a capacidade de uso da informática e tornar o conteúdo educacional mais atraente.

Além do novo equipamento, a sala de aula ganhou contornos mais descontraídos, aponta a professora, com as tradicionais carteiras compartilhando o espaço da classe com almofadas e tapetes, o que tornou o ambiente de ensino mais agradável. Um dos primeiros projetos desenvolvidos prevê o estudo em grupo, com o auxílio do laptop, e a criação de um trabalho escolar. “Os temas variam desde animais, por exemplo, a música e um projeto sobre a cidade do skate”, revela. Mesmo os alunos que não tinham conhecimentos prévios em computadores conseguiram aprender rapidamente e estão interados com seu laptop, explica.

O projeto de ensino tem contado com a participação de psicólogos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), para a elaboração do projeto de ensino.

*De Porto Alegre

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