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Primeira calculadora eletrônica portátil comemora 40 anos

Ela foi desenvolvida em 1967 para demonstrar potencial de miniaturização dos eletrônicos com o circuito integrado. Veja a galeria de fotos

Peter Moon especial para o IDG Now!

20/04/2007 às 14h49

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Ela foi desenvolvida em 1967 para demonstrar potencial de miniaturização dos eletrônicos com o circuito integrado. Veja a galeria de fotos

Jack Kilby e a sua prole eletrônica

A primeira calculadora eletrônica portátil está comemorando 40 anos. Seu criador foi o engenheiro Jack St. Clair Kilby (1923-2005), ganhador do Nobel de Física de 2000 pela invenção do circuito integrado em 1958 – ao lado de Bob Noyce (1927-1990), um dos fundadores da Intel.

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A invenção da moderna máquina de calcular mecânica data do final do século XIX. Logo surgiram diversos fabricantes nos dois lados do Atlântico, como a alemã Brunsviga e as americanas Burroughs e American Adding Machine. Em 1947, com a invenção do transistor pelos engenheiros William Shockley, John Bardeen e Walter Brattain, todos do Bell Labs, foi dado o passo fundamental para o lançamento em 1962 da Anita MkVIII, a primeira calculadora eletrônica de mesa.

Quatro anos antes, Kilby e Noyce estavam na Texas Instruments e na Fairchild Semiconductor, respectivamente. Trabalhando em paralelo, eles desenvolveram em 1958 o circuito integrado, ao agregar num único cristal semicondutor - uma lâmina de germânio no caso de Kilby e outra de silício, escolhida por Noyce - todos os transistores, resistores, capacitores e circuitos necessários para o funcionamento de um eletrônico.

“O que nós não imaginávamos na época era como o circuito integrado iria reduzir o custo das funções eletrônicas no fator de um milhão para um, nada jamais havia conseguido isto antes”, recordou Kilby numa entrevista de 1997 à CNN.

Em 1967, Kilby usou seu circuito integrado para criar a primeira calculadora portátil. Ela podia somar, subtrair, multiplicar e dividir. Havia algumas casas decimais e era possível digitar números com até 12 algarismos. Usava uma bateria de prata-zinco e imprimia o resultado num rolinho de papel.

“O projeto da calculadora pretendia mostrar o que podíamos fazer com circuitos integrados e aumentar o mercado para eles, assim seguimos em frente e construímos a primeira calculadora”, lembrou certa vez Kilby.

O modelo foi patenteado em setembro de 1967, porém só entrou em produção em abril de 1970, quando a Texas Instruments lançou o produto no Japão em associação com a Canon. A Pocketronic, como foi chamada, custava US$ 400.

Em 1972, foi a vez da HP entrar nesse mercado. Sua primeira calculadora portátil foi a HP-35 e custava US$ 395. Seu nome foi dado por Bill Hewlett, porque a calculadora tinha 35 teclas.

“Nosso objetivo ao desenvolver a HP-35 era fornecer uma régua de cálculos eletrônica portátil de alta precisão. Achamos que você gostaria de ter algo que somente os heróis da ficção como James Bond ou Dick Tracy possuem”, apregoava Bill Hewlett no manual do produto.

Baseados em pesquisas de mercado, os executivos da HP estimavam um mercado de 50 mil calculadoras. A estimativa se mostrou extremamente conservadora. Só a General Electric encomendou 20 mil. O resultado foi o surgimento de uma lista de espera de várias semanas para adquirir o produto, e de uma galeria de calculadoras cada vez mais sofisticadas que estão à venda até hoje (visite o Museu das Calculadoras HP).

Ainda em agosto de 1972, a Casio ingressou neste mercado com o modelo Casio Mini. A produção inicial, de 100 mil calculadoras/mês, teve que dobrar para atender a demanda. Em 1974, a empresa já havia vendido 10 milhões de unidades. Em 1980, eram 100 milhões.

Foi o começo de um negócio que resultou nas pouco saudosas agendas eletrônicas dos anos 80 e 90, aqueles trecos que todo o mundo comprou, mas que quase ninguém conseguiu usar direito. Mas a Casio não tem do que se queixar. Apesar do advento do PC e da Internet, em 31 de dezembro de 2006 a empresa comemorou a venda da sua bilionésima calculadora.

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