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E-learning: o ensino a distância para quem já experimentou

Há mais de 800 cursos de ensino a distância no Brasil. Mas será que eles funcionam? Veja a opinião de quem experimentou

Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!

03/05/2007 às 15h48

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Há mais de 800 cursos de ensino a distância no Brasil. Mas será que eles funcionam? Veja a opinião de quem experimentou

Embora ainda enfrente certa dose de desconfiança e preconceito - quem já não ouviu a famosa pergunta no trânsito: ‘tirou a carta por correspondência?’ -, o ensino a distância no Brasil começa a ganhar adeptos em um nobre filão: o da educação superior.

Entre executivos e profissionais em um estágio mais avançado da carreira, o e-learning desponta como uma alternativa flexível de aperfeiçoamento compatível com rotinas que envolvem agendas complicadas, viagens e, de uma maneira geral, pouco tempo para dedicar à sala de aula.

Segundo o professor Fredric Michael Litto, presidente da Associação Brasileira de Ensino à Distância (ABED), o Brasil já tem mais de 150 instituições credenciadas para a oferta de cursos de graduação e pós-graduação latu sensu (especialização). No site da ABED, estão listados mais de 800 cursos a distância oferecidos no País.

Esta modalidade de aprendizado tem apelo especialmente junto ao estudante mais sênior não apenas pela flexibilidade nos estudos, mas pelo maior grau de maturidade e autonomia que este público tem em relação ao processo de educação. “Normalmente o ensino a distância não funciona tão bem com o público muito jovem, pois ele demanda mais apoio do professor”, explica Litto.

Mas quando se trata do ensino superior, não há fronteiras quanto à área de conhecimento para o emprego do e-learning, de acordo com o professor: “A Escola Paulista de Medicina forma cirurgiões por meio do ensino a distância”, exemplifica.

Especialista no desenvolvimento de conteúdo para ensino a distância, a designer instrucional Alessandra Zago já trabalhou na criação de plataformas para cursos de Matemática, Física a até para um curso de graduação em Letras voltado a alunos surdos, ministrado em Libras (Língua Brasileira de Sinais), pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A especialista - que também já esteve na cadeira de aluna de e-learning - explica que o principal segredo para obter sucesso em um curso a distância, independente da área de conhecimento, é ter disciplina e seguir o plano proposto pelo curso. “O aluno deve ser disciplinado e participar de todas as atividades propostas, pois elas têm um objetivo. Há uma equipe trabalhando por trás de tudo o que está sendo proposto”, afirma.

Para Andréa Pontes, jornalista que está cursando curso de Educação a Distância (EaD) do Senac Rio de Janeiro - embora viva em São Paulo - a modalidade exige mais do aluno, mas também oferece mais que uma sala de aula convencional. “O aprendizado parte muito do aluno, mas em contrapartida o professor está mais acessível. Além disso, é possível trocar idéias com os colegas, a interação é muito maior”, opina.

A atenção do tutor também é mais individualizada, na opinião de Andréa, já que a participação em atividades é monitorada aluno por aluno e ao final de cada módulo do curso cada participante recebe um portfólio de avaliação comentando seu desempenho.

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A jornalista está apostando no e-learning para ingressar no filão de educação e se prepara para atuar como instrutora em cursos a distância. Ex-profissional da área de aviação, Nelson Correa também investiu no aprendizado remoto e na dedicação pessoal para entrar um novo ramo: o da segurança da informação.

Quando a área de segurança despertou seu interesse, Correa aproveitou todas as informações disponíveis na internet para conhecer o segmento e se preparar para as certificações necessárias para ingressar no setor. Desde 1996 atua como profissional na área e hoje é diretor da divisão corporativa da empresa de segurança Global e-Secure.

Após a experiência de aprendizado autônomo, Correa resolveu experimentar um curso de graduação na modalidade a distância e se matriculou no de Administração, oferecida pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. “Estamos vivenciando uma revolução violenta na forma como o conhecimento chega às pessoas. Antes, estávamos restritos ao tempo médio de aprendizado de um grupo. Hoje temos a capacidade de aprender no nosso próprio ritmo”, defende.

Para João Simon de Castro, engenheiro que cursou o MBA Executivo da Fundação Dom Cabral a distância, o aluno de pós-graduação já deve ter condições de receber e assimilar conteúdos fora de sala de aula. “Mantemos grupos de discussão nos quais é possível debater temas com antecedência, amadurecendo questões antes das aulas expositivas, que são mensais”, argumenta.

A idéia é que não só professor se torna mais acessível pela plataforma de ensino a distância, mas o debate com os colegas também é fomentado. “Algumas pessoas são absolutamente tímidas para fazer perguntas em sala. Esse modelo encoraja a exposição de idéias e dúvidas. As pessoas ficam mais abertas”, defende Correa.

Embora seja um entusiasta do ensino a distância, o especialista em segurança destaca que os alunos mais jovens podem sentir falta do aspecto social do curso presencial. “A evasão entre a garotada ainda é grande, eles se ressentem da falta de contato”, opina. Após um ano de curso, Correa relata que de uma turma de 40 alunos, apenas 15 se mantiveram no grupo.

Outro fator negativo apontado por ele é a formação ainda escassa dos tutores nas ferramentas oferecidas pelo e-learning. “Gostaria de baixar aulas em podcast para ouvir enquanto faço ginástica, por exemplo”, argumenta.

O potencial da tecnologia, no entanto, é avassalador, em sua opinião. “Imagine que hoje você pode fazer um curso em Berkley ou no MIT [Massachusetts Institute of Technology] sem ter que bancar os custos de viver em outro país”, aponta.

Segundo o presidente da ABED a tendência é que cada vez mais os conteúdos estejam disponíveis online abertamente, para quem quiser aprender. “É um novo modelo, em que as instituições vão lucrar com a oferta de avaliações e certificações”, opina Litto.

Isso não significa, contudo, que o ensino presencial vá morrer. “Há sempre aquele aluno que vai precisar de um professor ao seu lado, passando a mão na sua cabeça e dizendo que ele está fazendo a coisa certa”, provoca o professor.


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