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A vez dos servidores

Queda de preços leva pequenas empresas a substituir computadores improvisados por servidores autênticos

Por Redação PC World

03/05/2007 às 11h33

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Queda de preços leva pequenas empresas a substituir computadores improvisados por servidores autênticos

servidores100_120Dólar estável, negócios em alta entre as pequenas empresas e preços dos servidores em baixa. Esses fatores todos somados ao fato de que os empresários agora entendem a necessidade de se estruturar tecnologicamente para manter o crescimento de suas companhias não poderiam compor um cenário mais adequado para a renovação da infra-estrutura de TI também nas organizações de pequeno porte.

Como indicadores e especialistas de mercado sugerem, os gestores de pequenas empresas no Brasil estão antenados à tendência e investindo significativamente em servidores de forma a profissionalizar suas estruturas de tecnologia.

Em 2006, de acordo com Reinaldo Roveri, analista sênior da IDC Brasil, o maior crescimento na área de servidores se deu exatamente pela troca da base instalada dos chamados “PC-servers” por equipamentos conhecidos como “branded-servers”. Isso significa que as empresas no país trocaram aqueles desktops velhos que atuavam como servidores por equipamentos de marca, fabricados por companhias como Dell, HP, IBM, Itautec e Sun, entre outras.

Roveri revela que o mercado de servidores x86 – aqueles que rodam processadores AMD ou Intel –, que custam até 25 mil dólares, cresceu 26% em número de novas unidades comercializadas no período entre 2005 e 2006. Queda de preços leva pequenas empresas a substituir computadores improvisados por servidores autênticos.

“O preço médio desses equipamentos caiu muito e isso tem motivado as pequenas empresas a efetuar a troca”, explica Roveri. Segundo ele, à medida que os fabricantes buscam competitividade em preço, usam processadores menos potentes em seus servidores e, como os chips utilizados em PCs estão cada vez mais poderosos, usar o desktop em lugar do servidor pode até dar no mesmo, em matéria de desempenho.

No entanto, diz o analista, o nível de serviço vendido juntamente com o servidor é geralmente melhor do que o oferecido junto com o PC. “Além disso, muda também o tratamento dado ao consumidor. Ele passa a ser visto pelo fabricante como um cliente que usa servidores e que, portanto, já repensa sua infra-estrutura para suportar o crescimento de seu negócio”, afirma Roveri.

Apesar disso, o especialista alerta que o preço de entrada anunciado pelo fabricante dificilmente é praticado. “O cliente acaba adquirindo uma licença de software, mais memória, serviços e garantia estendida, por exemplo, para atender às suas necessidades”, diz Roveri. “O pequeno empresário precisa tomar cuidado para não acreditar que por 2 mil reais terá o servidor para atender à toda demanda de sua empresa”, conclui.

Por outro lado, com a redução dos preços praticados no mercado de servidores, o pequeno e o médio empresário também buscam esse equipamento como uma credencial para o seu negócio. “Eles já podem dizer que têm uma rede estruturada, baseada em servidores, e isso lhes garante muito mais confiabilidade por parte de seus clientes”, garante Roveri.

“Essa mudança no mercado de servidores permite ao pequeno empresário começar a pensar em sistemas de gestão, soluções de gerenciamento da relação com clientes (CRM) e até começar a ensaiar um e-commerce dentro de casa”, completa.

A IDC Brasil prevê que a tendência de aumento nas vendas de servidores para pequenas empresas continue em 2007. “A troca de PC-servers por brandedservers continuará. E a queda de preço dos processadores de dois e quatro núcleos também deve contribuir para o aumento do desempenho dos servidores de baixo custo”, prevê o analista.

Segundo a IT Data, no mercado brasileiro quem puxou o crescimento no número de unidades vendidas foram as pequenas empresas. “As companhias comaté 150 funcionários, por exemplo, responderam por 40% das unidades vendidas (100 mil comercializadas no Brasil)”, revela Ivair Rodrigues, diretor de pesquisas da IT Data.

Quem está empregando hoje no Brasil são as pequenas e micro empresas. Novos funcionários demandam novos computadores e, conseqüentemente, mais servidores. “As empresas compram máquinas à medida que têm mais pessoas para utilizá-las”, explica Rodrigues.

Ele acredita que, com o barateamento dos servidores, boa parte dos desktops mais sofisticados, até então utilizados como servidores, deixou de ser vantajosa. “Na hora de colocar tudo no papel, sai mais barato comprar um servidor”, afirma o analista.

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“É muito mais trabalhoso configurar um PC – você precisa fazer opções diferenciadas, às vezes trocar placas, fazer upgrades de memória e disco rígido, por exemplo. Por si só, o tempo gasto para isso não compensa a diferença de 300 a 400 reais para pôr um servidor”, justifica Rodrigues.

“Além disso, as empresas hoje não levam mais em conta apenas o preço, mas também a facilidade de uso”, diz ele. “É muito mais fácil manipular um servidor do que cuidar de um desktop mascarado de servidor”, garante o especialista do setor.

Tendência global

Um levantamento recente realizado pelo Gartner dá conta de que as vendas globais de servidores cresceram 8,9% em 2006, quando o setor comercializou 8,2 milhões de equipamentos. Os números indicam que a crescente participação das pequenas empresas neste segmento se deu não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.

De acordo com o instituto de pesquisas, apesar do crescimento em número de unidades vendidas, a receita do mercado de servidores totalizou 52,7 bilhões de dólares em 2006. A cifra representa alta de modestos 2% em relação ao faturamento de 2005.

Este é outro forte indício de que a alta no setor se deu em função das vendas para as pequenas e médias empresas – essas companhias compraram muitas unidades, conforme revelou também a IT Data.
Porém, como são unidades relativamente baratas, não têm grande impacto sobre o faturamento dos fabricantes de servidores.

Líder em volume, a HP vendeu 2,2 milhões de unidades, uma alta de 8% em relação a 2005. Já a IBM foi a primeira em receita, faturando 19,7 bilhões de dólares, crescimento de 1,7% sobre o ano anterior.

O relatório também mostrou um fortalecimento contínuo da Sun Microsystems, que teve um aumento de 15,4% em receita de servidores, faturando 5,7 bilhões de dólares em 2006. A companhia também aumentou sua participação de mercado em receita para 10,8%, desbancando a Dell, com 10,3%, do terceiro lugar.

A IBM liderou em faturamento, com 32,2%, seguida pela HP, com 28,2%. A Sun foi a única fornecedora com crescimento de dois dígitos, mas vendeu somente 368 mil unidades, um sétimo do total vendido pela líder, HP. Isso significa que a HP vendeu muito mais ao mercado
de pequenas empresas do que a Sun, dona de máquinas ainda muito robustas – e caras – para o orçamento e necessidades das companhias menores.

Palavra de fabricante

Flavio Philbert, gerente comercial da Itautec, diz que, de fato, houve um interesse crescente das pequenas empresas por servidores em 2006. E a companhia espera uma taxa de crescimento vigorosa nesse setor também durante 2007.

Isso porque, segundo ele, as micro e pequenas empresas já entendem a falta de confi abilidade existente nos micros mais “parrudos”, que fazem as vezes de servidor. “Elas já sentem a necessidade de melhor controlar seus processos e assegurar a continuidade do negócio”, avalia Philbert.

“A Itautec tem muito interesse nesse segmento e conta com produtos direcionados especifi camente para esse mercado”, diz o gerente da empresa. Segundo ele, a companhia inclusive já trabalha com soluções embarcadas nos servidores vendidos para as pequenas empresas.

“Temos tanto softwares proprietários quanto baseados em distribuições Linux. Há máquinas de baixo custo já equipadas com banco de dados, solução de e-mail e sistema operacional, além de todo o suporte de infra-estrutura para que a empresa possa instalar os aplicativos e acompanhar o crescimento”, detalha o executivo.

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Para Philbert, a diferença de preço entre o servidor “vazio” e aquele equipado com o conjunto de soluções não justifica a escolha pela máquina enxuta. O servidor sem aplicativos, apenas com o suporte oferecido pela Itautec, sai por cerca de 2 mil reais, enquanto o pacote de soluções para o mercado de pequenas e médias empresas começa em 3 mil reais.

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Sem mencionar números, Armando Toledo, diretor de vendas de hardware da IBM, diz que a companhia, que atua no mercado de pequenas e médias empresas há mais de dezoito anos no Brasil, sentiu esse maior aquecimento das vendas para companhias de menor porte em 2006.

Para o executivo, o fenômeno deve-se especialmente à queda no valor cobrado pelos servidores de marca – tanto da IBM quanto de seus concorrentes. “A empresa que decide pela aquisição de um servidor não comprará mais um do mercado cinza”, acredita. Um equipamento de entrada da IBM sai hoje por 1,8 mil reais, segundo Toledo, com a garantia e o suporte que um PC ou servidor do mercado cinza não oferece.

“Quando você monta um computador para trabalhar como servidor, os componentes aparentemente são compatíveis. Conforme precisa fazer atualizações, por exemplo, essa compatibilidade com outros componentes do mercado vai por água”, alerta o executivo.

Outro diferencial do servidor em relação ao equipamento montado – ou ao desktop utilizado como servidor – está na maior estabilidade que garante ao sistema, bem como na escalabilidade oferecida à medida que o negócio exige. Também a segurança dos dados de uma pequena empresa é maior quando esta utiliza um servidor.

As informações podem ser guardadas no próprio equipamento sem comprometer o rendimento da máquina – e o backup também é facilitado nesse caso. “A tecnologia hoje é um fator de competitividade”, diz Toledo, acrescentando que o servidor e a profissionalização dos aplicativos, especialmente os de gestão empresarial, são itens básicos para competir no mercado.

Na HP as coisas não são diferentes. Alexandre Lacerda, gerente de marketing de servidores da HP Brasil, diz que os equipamentos padrão de indústria, que usam a tecnologia x86, foram os mais comercializados – em número de unidades – durante o ano passado. Segundo ele, as vendas dessas máquinas cresceram cerca de 30% em 2006.

“O servidor é uma máquina especializada para determinadas tarefas. Dados os preços praticados hoje no mercado, as empresas pequenas não podem mais usar desktops no lugar de servidores”, avalia Lacerda. Um servidor de entrada HP custa 1,79 mil, financiado em até 11 vezes. “A empresa pequena sempre se preocupa com preço”, destaca o executivo, acrescentando que agora não há razão para continuar comprando desktops ou máquinas do mercado cinza.

Além disso, segundo ele, a arquitetura de um servidor está otimizada para o trabalho conectado. “São máquinas certifi cadas para rodar o Windows 2003 – mais seguras para o trabalho em rede”, garante Lacerda. “Um servidor pode começar com 80 GB e chegar a 1 terabyte.

O desktop não é configurado para isso”, lembra o executivo, acrescentando que um computador que suporta esta escalabilidade custará muito mais caro do que um servidor. Lacerda ressalta ainda a garantia oferecida no local. “Por mais 200 reais, o usuário pode estender essa facilidade por três anos”, destaca o gerente de marketing da HP.

Em 2007, de acordo com o gerente, a HP deve manter o crescimento entre 30% e 40%. “A companhia tem investido em treinamento e outras ações de incentivo aos canais, responsáveis pelas vendas às pequenas empresas”, revela Lacerda.

Túlio Werneck, gerente de produtos da Dell Brasil, diz que as empresas estão cada vez mais profissionalizando suas estruturas de TI. Segundo ele, a companhia tem acompanhado e feito esforços de educação para incentivar as empresas de pequeno porte a trocar seus desk-servers por servidores.

Entre as vantagens de um servidor, de acordo com Werneck, está o fato de o equipamento não precisar ser desligado e ter níveis de serviços oferecidos por fabricantes, incluindo o suporte mais rápido e no local – algo que normalmente não é oferecido aos compradores de desktops.

A máquina de entrada da Dell custa 1,89 mil reais. “Quando você opta por um desktop no lugar de um servidor, a economia é de 10% a 15%. Não vale a pena. Seu negócio está em jogo, sem necessidade”, alerta o gerente da Dell.

“As empresas pequenas tipicamente não têm pessoas de TI. Muitas vezes é um ‘faz-tudo’ que mexe em servidor, em desktop, liga para o provedor etc. Ele não tem a especialização para fazer o suporte em um servidor. Daí a vantagem de comprar um equipamento de marca, com o qual se contrate esse serviço”, sugere Werneck. “A Dell oferece esse suporte garantir a continuidade dos pequenos e médios negócios”, afirma ele.

Ainda sobre o possível crescimento das pequenas empresas, o executivo explica que o baixo praticado pelo mercado de servidores garante escalabilidade das soluções ao longo do tempo. Segundo Werneck, muitas companhias hoje investem em sistemas de rack. “Isso tem acontecido de maneira consistente, assegurando evolução do negócio”, diz ele. “Atualmente é possível fazer um baixo investimento e ir aumentando estrutura ao longo do tempo”, completa.

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