Home > Notícias

Computadores em alta

Impulsionado pela queda nos preços, mercado brasileiro se consagra como o terceiro do mundo em vendas de desktops; já o mercado cinza registra declínio

Por Caio Terreran, especial para PC World

07/05/2007 às 13h04

comput_em_alta_70.jpg
Foto:

Impulsionado pela queda nos preços, mercado brasileiro se consagra como o terceiro do mundo em vendas de desktops; já o mercado cinza registra declínio

computemalta100x120Se o resultado do mercado nacional de desktops em 2006 tivesse de ser definido em um adjetivo, classificá-lo como histórico não seria exagero.

Segundo a consultoria de pesquisas IDC, no ano passado o Brasil foi o terceiro maior comprador de computadores de mesa em todo o mundo, atrás apenas de nações tradicionalmente fortes no setor, como Estados Unidos e China, e à frente de países como Rússia e Índia. No ano anterior o país ocupava o quinto posto.

O levantamento da consultoria mostra que os brasileiros compraram mais de 6,5 milhões de desktops (crescimento de 19% em relação a 2005). Entre os mais engajados na aquisição, uma pesquisa do instituto IT Data coloca o público das classes B e C.

No ano passado, eles foram responsáveis pela compra de mais de 2,2 milhões de máquinas. Detalhe: esse número se refere apenas aos consumidores que adquiriram o primeiro PC.

“Estamos num ritmo excelente. O último trimestre de 2006 representou para nós um crescimento de 111% em relação ao mesmo período de 2005”, comemora Dante Avanzi, gerente de consumo de desktops da HP. “O mercado de computadores de mesa foi aquele em que mais crescemos no ano”, avalia Sidney Shibata, gerente de marketing da Dell.

Além da boa vendagem, os fabricantes apontam equilíbrio entre os segmentos que adquiriram micros no ano passado. “A quantidade de PCs destinados ao usuário doméstico praticamente equiparou-se ao número de computadores vendidos para o mercado corporativo”, revela Sakis, do IDC. “A porcentagem é de 49% para 51%.”

“O micro deixou de ser apenas instrumento de trabalho para tornar-se item essencial nas residências, uma ferramenta de entretenimento, comunicação, educação e informação”, analisa César Aymoré, diretor de marketing da Positivo Informática.

quadropcscinzaO crescimento das vendas foi impulsionado por vários fatores, com destaque para a redução dos preços (hoje, já é possível encontrar máquinas de grandes fabricantes na casa dos 800 reais) e oferta de melhores condições de pagamento.

Contribuíram para esse cenário a redução de impostos e a estabilidade do dólar. E vale citar o esforço dos fabricantes e das revendas para a popularização dos micros – é fácil comprá-los, por exemplo, em supermercados. “O varejo finalmente vê o computador como um eletrodoméstico”, ressalta Aymoré, da Positivo.

Com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) divulgado em janeiro pelo governo federal, as medidas anunciadas em 2005 na chamada Lei do Bem foram ampliadas, e o país passou a isentar fabricantes de PCs vendidos por até 4 mil reais do pagamento de impostos como PIS e Cofins.

A medida, que atinge 99% do mercado de desktops, foi sentida no bolso do consumidor: o preço dos computadores despencou, facilitando o acesso a máquinas mais sofisticadas. “O segmento high-end já representa 15% de nossas vendas. Antes, respondia por 6%”, explica Avanzi, da HP.

Entre as principais características buscadas pelo consumidor deste nicho de mercado estão leitor para cartão de memória, placa PCTV, aceleradoras gráficas avançadas para games, gravador de DVD e, principalmente, monitor LCD.

“A estética é uma questão cada vez mais valorizada”, destaca Ivair Rodrigues, diretor da consultoria IT Data. Pesquisa feita pelo instituto com mais de 400 potenciais compradores de PCs mostra os displays flat despontando como o grande ícone de desejo atual.

“Até o fim de 2007, 80% das vendas serão de micros equipados com monitores LCD.” Rodrigues explica que, graças à queda nos preços, a tendência mais observada é a troca do velho monitor CRT (de tubo) de 15 polegadas pelos de tela fina com 17 polegadas.

A queda nos preços das máquinas mais robustas veio em hora oportuna, junto com a chegada do sistema operacional Windows Vista. Para rodar a interface gráfica Aero (o grande chamariz que mantém sua aura de novidade), o sistema da Microsoft solicita configuração mais potente – e as máquinas com esta vocação foram justamente as beneficiadas pelas medidas do PAC.

“Vendemos diretamente para o cliente e notamos que a configuração mais forte exigida pelo Vista está sendo procurada”, informa Shibata, da Dell, que já oferece toda a sua linha com o lançamento da Microsoft pré-instalado.

“O consumidor está curioso e disposto a realizar o upgrade para rodar o sistema”, pondera Aymoré, da Positivo. “Em nossa linha atual, 80% dos computadores já saem de fábrica rodando o Vista.”

Quem fica muito à vontade com tantas possibilidades de escolha é o consumidor, que hoje pode optar entre pagar pouco por um desktop que o conecte à internet e permita conversar via MSN Messenger ou investir mais – e gravar vídeo digital e rodar sistemas de ponta no PC.

Com a lista de equipamentos eletrônicos ampliada, o computador finalmente conquista lugar de destaque na residência do brasileiro.

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail