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Dez coisas que odiamos na Apple

É chegada a hora de baixar a bola da toda poderosa fabricante do Mac

Por Narasu Rebbapragada e Alan Stafford, da PC WORLD (EUA)

08/05/2007 às 19h32

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É chegada a hora de baixar a bola da toda poderosa fabricante do Mac

apple_odio_100x120A empresa, que já foi denominada Apple Computer e, agora, chama-se simplesmente Apple, Inc., é única de diversas maneiras – incluindo sua capacidade de gerenciar um punhado de pessoas que a admiram de forma enlouquecida.

Ela (normalmente) fabrica produtos excelentes, ainda que o segredo em torno deles beire a paranóia, a ponto de irritar sobremaneira seus mais ardorosos fãs. E os fãs, claro, sofrem com isso: ser membro do “clube” não significa que se deva esperar, pacientemente, do outro lado do vale que os separa da visão sócio-político-tecnológico da empresa. Será que eles se orgulham de carregar esta bandeira de sofrimento?

Hoje, nós – quero dizer, Narasu e Alan, ambos usuários veteranos de Mac – queremos desabafar. Enumeramos dez coisas que odiamos a respeito da Apple (ou seus seguidores ou simplesmente a respeito da experiência de usar seus produtos).

Contudo, no interesse do jogo limpo, o chamado ´fair play’ (não confundir com FairPlay, tecnologia DRM da Apple), também selecionamos as dez coisas que amamos sobre esta mesma empresa. Use a área de  comentários abaixo para acrescentar sua próprias opiniões a respeito deste tema, mesmo que seja para contrariar nossa opinião.

E agora, devidamente paramentados com capacetes de proteção, aqui vamos nós:

… 1: Liberdade de expressão
Mesmo para quem não é fã de carteirinha da Apple, esse problema não deverá encabeçar a lista das coisas mais importantes. Mas somos jornalistas; então, nos processe.

Bem, esta não é, provavelmente a melhor forma de começar isso, principalmente se levarmos em conta que em dezembro de 2004 a Apple processou os sites AppleInsider , O’Grady’s PowerPage  e a Think Secret  por terem publicado informações sobre lançamentos futuros da empresa e sobre os quais havia acordos confidencialidade (no jargão legal, non-disclosure agreements).

No caso de O’Grady, a notícia foi sobre a interface FireWire no software GarageBand. Em resposta, O´Grady se limitou a um longo bocejo.

A Apple fez pressão para que os site revelassem as fontes das informações, mas não foi só isso: pressionou, também, os provedores que hospedagem esses sites. Em maio de 2006, a justiça da Califórnia negou o pedido da Apple, alegando que os jornalistas de sites gozam dos mesmos direitos “legítimos” da Primeira Emenda que protegem os jornalistas de publicações impressas.

Visto hoje, o assunto parece uma grande bobagem, não é? Recentemente, a justiça condenou a Apple a pagar aos sites uma indenização de 700 mil dólares.

... 2: Mais protegidos do que a Segurança Nacional
Nada mais obscuro do que a irritante e recorrente resposta dos porta-vozes da Apple: “Não comentamos sobre planos de produtos futuros”. Ser partidário da Apple significa jamais conhecer, de fato, se o MacBook ou iPod que você acabou de comprar vai se tornar obsoleto na próxima vez que Steve Jobs vier a público.

Provavelmente, a Apple é a mais obscura empresa do Vale do Silício e não somente aquela que quase não se pronuncia. E isso faz com que toda manifestação da empresa se torne bombástica. Sem dúvida, o comportamento da Apple vai em sentido contrário ao da Microsoft – Bill Gates, Steve Ballmer e a empresa como um todo amam falar sobre os produtos que serão lançados; e isso ainda faz com que a Microsoft obtenha algum espaço no show. Apesar de muitos desses planos não se tornarem realidade...

... 3: Sem muito do que se orgulhar
Quando a Appel entregou iPod infectados com worms no ano passado, em vez de fazer um bom mea culpa, a empresa preferiu atacar a Microsoft ao dizer: “Como se podia imaginar, estamos decepcionados pelo fato de o Windows não ter podido evitar tais vírus, e ainda mais decepcionados com nós mesmos por não termos sido capazes de capturá-lo”.

Como se podia imaginar, eles não eram peritos em segurança. Mas bem que podiam ter se desculpado com aqueles que tiveram a infelicidade de comprar um iPod infectado.

... 4: Odeio iQualquerCoisa
A primeira vez que a Apple surgiu com um produto cujo nome iniciava com uma letra minúscula foi em 1994, com o eWorld, serviço online falho que desapareceu cerca de um ano e meio depois.

Porém, quando o iMac surgiu, em 1998, e obteve um sucesso fenomenal, levando centenas de outros fabricantes na onda dos produtos azulados cujos nomes também começavam com a letra “i”, com a expectativa de que um simples letra possa fazê-los vender sua produção. Enquanto isso, você nem ao menos pode começar uma frase usando esses nomes de produtos.

Será por isso que estamos inclinados a gostar da Apple TV, em parte porque o produto não foi batizado iTV? Ou devemos  nos desculpar pela Apple ter sido capaz de fechar acordo com a Cisco para compartilhar o nome iPhone?

... 5: Onde está o Blu-ray?
iMacSteve Jobs foi CEO do estúdio de animação Pixar; a Apple está representada no board diretivo da Blu-ray Disc Association. E o Mac é considerada a melhor escolha para vídeos profissionais.

Então onde fica a opção de escolha entre um player Blu-ray ou HD-DVD nos Mac Pros quadcore ou eight-core? Eles ainda vêm como o mesmo e velho SuperDrive.

Quem faz apologia ao Mac provavelmente tem uma explicação complexa de porque isso faz sentido, mas o fato é que a próxima geração de acionadores de discos ópticos está disponível e faz sentido para muitos usuários, ainda que os Macs não tragam esses dispositivos (se a Apple anunciar suporte para um ou outro formato desses players até o momento em que você ler esse texto, leia o item 2 acima e vai entender porque não sabíamos disso).

... 6: Ninguém é perfeito
puck mouse Todas as empresas cometem erros de design e, para ser honesto, a Apple cometeu bem menos do que a maior parte da concorrência. Mas, a despeito de tudo o que os mais aficionados possam dizer, mesmo o senso de design da Apple está longe de ser à prova de falhas. E quando eles fazem alguma bobagem, tentam dar a volta por cima.

Dois exemplos: o perfeitamente redondo e nada ergométrico puck mouse do iMac ou o iBook Special Edition que lembrava a tampa de um assento sanitário.

E não esqueçamos do tocador Shuffle, cuja ausência de uma tela ou outro dispositivo de auxílio à navegação são tidos pela Apple como melhoramentos do produto (Ok, nós sabemos que o Shuffle é muito popular – e sim, ainda preferimos comprar um tocador que possa nos dizer o que é que ele está tocando).

... 7: Me dê um sinal
Alguém sabe dizer quando é que o Mac OS X será atualizado? Ou então quais são as vulnerabilidades de segurança que a Apple esteja procurando resolver?

Em Abril, a Apple divulgou um patch que tratava mais de duas dúzias de vulnerabilidades – sem dar o menor indício prévio de iria fazer isso. Usuários de Mac estavam, portanto, suscetíveis a ataques e eles jamais souberam disso. Mesmo a Microsoft (geralmente) avisa a todos que trabalha em patches e sempre informa aos usuários como se proteger enquanto essas correções não estejam prontas.

... 8: Não serve para games
Visite a seleção de jogos da loja da Apple. Faça isso agora, a gente espera. Ah! Já está de volta?

Isso é compreensível porque vasculhar a seleção de jogos pelos produtos mais recentes vai revelar que eles foram lançados há pelo menos dois anos.

Os games para Mac sempre foram escassos e a Apple nunca conseguiu convencer os desenvolvedores a lançarem versões compatíveis com esta plataforma. A empresa realmente equipa seus sistemas com dispositivos gráficos de última geração, mas com poucas coisas para rodar neles, acabam tornando-se um desperdício de dinheiro para a maior parte dos consumidores.

É verdade que você pode usar o Boot Camp para rodar jogos feitos para o Windows em seu Mac. Como também é verdade que nós também não conhecemos nenhum jogador hardcore que use esta opção.

… 9: Seleção limitada
mac miniAtualmente, a Apple oferece apenas três modelos de desktops, sendo que um deles é o Mac Mini, equipado com um processador velhinho, parcos 513 MB de memória RAM e um minúsculo HD de 60 GB.

Nem o Mac Mini nem o iMac aceitam upgrades internos que não seja mais memória. Por isso, se quiser um sistema no qual se possa colocar componentes adicionais no futuro, você terá que colocar a mão no bolso e comprar um Mac Pro dual-processor, cujo preço, nos Estados Unidos, começa em 2,2 mil dólares.

É possível comprar um computador com Windows por menos de um quarto desse valor; se depois, decidir dar um gás nesse equipamento, pode substituir a placa-mãe e a CPU (que você mesmo pode instalar). Para dar uma turbinada no Mac, a melhor alternativa é comprar um Mac novo.

Do ponto de vista de portabilidade, MacBook e MacBook Pro são ótimos equipamentos. Mas, novamente, você terá apenas três opções de escolha. Opte por um sistema Windows e você poderá escolher qualquer coisa, variando de um computador do tamanho de um handheld, como o OQO Model 2, até um notebook de ponta que será mais potente do que qualquer Mac portátil.

... 10: Problemas de compatibilidade
Vamos dar um crédito à Apple por (finalmente) permitir que o Windows rode nos Macs. Mas empresa ainda mantém uma política de portas fechadas sobre muitos aspectos de sua tecnologia.

Um exemplo é o iPod, capaz de carregar apenas dois formatos de áudio (AAC e MP3). Ele não reproduz arquivos no formato WMA (da Microsoft), muito utilizado mundo afora. E olhe que o Microsoft Zune é capaz de tocar esse três formatos. Se você importar arquivos WMA para o iTunes, terá de aguardar enquanto a aplicação os converte para o formato AAC.

Ok. Entendemos que o DRM foi necessário para permitir que a indústria de músicas possa comercializar canções na loja do iTunes. Mas o que incomoda é o fato de você não poder reproduzir as músicas compradas nesta loja em nenhum outro tocador que não seja um iPod e iPhone porque a Apple não vai licenciar a tecnologia FairPlay para outros fabricantes de players de áudio.

Mesmo que outros tocadores possam reconhecer arquivos no formato AAC, não poderão decodificá-los e, por isso, não poderão reproduzi-los. A Apple está vendendo músicas sem DRM, mas você terá de pagar mais por ela e, ainda assim, algumas faixas vão continuar com algum tipo de restrição.

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