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Photoshop CS3: mais pessoas devem usar recursos 3D

John Nack, da Adobe, fala sobre a interoperabilidade da ferramenta e prevê que mais usuários utilizem imagens 3D

Por Camila Rodrigues, da PC World

11/05/2007 às 10h40

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John Nack, da Adobe, fala sobre a interoperabilidade da ferramenta e prevê que mais usuários utilizem imagens 3D

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De 166 para apenas dois passos. Este é o tamanho da simplificação que foi introduzida na nova versão do Photoshop para que se possa transferir um arquivo da ferramenta para o  Flash, segundo John Nack, gerente sênior de produto da Adobe.

Autor do blog John Nack on Adobe, ele participou do desenvolvimento do Photoshop e também do Lightroom e do Bridge, e nos conta, na entrevista que concedeu a PC WORLD, que as mudanças introduzidas nos aplicativos são resultado da interação com os usuários e detalha um pouco dos novos recursos de  interoperabilidade da suíte .

Um dos principais destaques do lançamento do CS3 é a integração entre os produtos que já eram da Adobe com aqueles provenientes da aquisição da Macromedia. No caso do Flash, o que é possível destacar?
O recurso mais solicitado pelos usuários do Flash era sua integração com o Photoshop. Há pouco tempo, eu calculei o número de passos necessários para transferir um arquivo de Photoshop com 20 camadas (layers) para o Flash, antes do lançamento da suíte .

Foi preciso realizar 166 passos, já que era preciso selecionar cada camada, copiar, abrir um novo documento, colar no Flash, fazer um símbolo, etc. Agora, basta Importar, clicar em <Ok> e pronto. O software interpreta as camadas corretamente, preserva os textos e os efeitos da layer.

Isso também se aplica ao Dreamweaver? Como está sua integração com o Photoshop?
No Dreamweaver é possível agora copiar um trecho de um arquivo de Photoshop e colar no software. E o software é esperto o suficiente para transformar o arquivo colado em um arquivo com extensões .GIF, .JPG ou .PNG. E pode-se editar o arquivo original sem sair do Dreamweaver.

Assim como nos softwares do Microsoft Office, em que se abre um editor de imagem no Word, por exemplo?
É a mesma idéia.

Como o Lightroom foi desenvolvido?
Por se tratar de um produto novo, decidimos coletar muitos feedbacks antes de investir mais no software. Em janeiro de 2006, nós publicamos um beta do Lightroom e recebemos o retorno de muitos fotógrafos, o que nos deixa à frente do Apperture [o software foi lançado três meses antes], da Apple.

Sem esse feedback, o desenvolvimento seria mais caro e lento e, no final, faltariam recursos. Acreditamos que o software é um sucesso porque os fotógrafos sentem-se parte da equipe de desenvolvimento. Eles ajudaram a mudar a ferramenta. [o Lightroom foi lançado em ferereiro de 2007].

Quando é melhor usar o Photoshop e quando é melhor usar o Lightroom?
Quando o Photoshop foi criado, não existiam câmeras digitais em larga escala e as pessoas armazenavam poucas imagens. Caso quisessem aplicar efeitos, podiam contar com o Photoshop, rico em recusos. Mas o software não foi desenvolvido para trabalhar com um grande número de imagens.

Para esse tipo de tarefa ele contam com o Lightroom e com o recurso Adobe Camera Raw, desenvolvidos para trabalhar com muitas imagens ao mesmo tempo. É possível corrigir cores e aplicar efeitos em preto e branco, por exemplo, de forma muito simples e em muitas imagens ao mesmo tempo.

De forma simplificada, quanto mais fotógrafo se é, mais você precisa do Lightroom, mais preparado para trabalhar com imagens no formato Raw, tanto para impressão quanto para rápida publicação em websites. Só que ele não tem muitos dos recursos mais complexos do Photoshop. Ou seja, o Lightroom é mais leve, mas pode tratar um maior volume de fotos.

A interface do Photoshop Extended para usar recursos 3D é mais simples do que softwares como 3D Studio. Quem serão os principais usuários da plataforma?
Existem muitas pessoas que usam 3D com Photoshop. Por exemplo, alguém que usa Maya ou Studio Max, também usa o Photoshop para colorir superfícies. Então, os novos recursos irão beneficiar os usuários de verticais, como arquitetos, já que agora está muito mais fácil trazer arquivos 3D para Photoshop.

Mas o impacto deve ser ainda maior, porque o Extended deve incentivar muitos designers a usar recursos em 3D, já que a interface é bem simples. Atualmente, muita gente acha esse recurso interessante, mas considera um grande desafio usar os softwares especializados. Por isso, acredito que muitas pessoas vão começar a se aventurar em gráficos 3D.

O Extended é compatível com quais arquivos?
Ele suporta cinco formatos: .3ds (3D Studio Max), .obj (Maya), .u3d (Acrobat 3D), .kmz (Google Earth) e também o collada, um novo padrão de código aberto. Mas o interessante é que, para formatos ainda sem suporte é possível que desenvolvedores criem plugins.

O que mudou no Bridge em relação à versão anterior?
O Bridge CS2, às vezes, demorava muito tempo para exibir imagens grandes. Agora, você pode ver rapidamente imagens dos arquivos sem ter de abri-los. Isso permite comparar várias imagens, arquivos PDFs e de vídeos, e então escolher o que abrir, para que pastas mover, não importa se são poucos ou muitos arquivos.

E possível que a Microsoft ameace a Adobe no mercado de ferramentas de criação e web design?
Claro que eles irão competir com a Adobe. A Microsoft é uma empresa de 50 bilhões de dólares e possui muitos recursos. Seria uma tolice não pensarmos nessa hipótese seriamente. Eles investem milhões de dólares em desenvolvimento, inclusive para a web. Mas qualquer um que, hoje, estiver assistindo um vídeo na web, provavelmente estará diante de um Flash Vídeo — o que, naturalmente, nos deixa feliz.

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