Home > Notícias

Softwares que não param de perturbar

Tentando se concentrar? Com os atuais programas, que interrompem o usuário a todo o momento, pode esquecer!

Por Stephen Manes, editor PC World EUA

17/05/2007 às 11h23

Foto:

Tentando se concentrar? Com os atuais programas, que interrompem o usuário a todo o momento, pode esquecer!

soft_perturbam100x120O estado mental que o psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi chama de “fluxo” pode ser verdadeiramente mágico. Não há nada como o “puro desfrute” de se mergulhar numa experiência, de se tornar um com o seu trabalho ou hobby ou esporte ou... Com licença, surgiu uma mensagem do meu programa antispyware, orgulhoso em mostrar outro atestado de saúde da máquina.

O que eu estava dizendo mesmo? Ah , sim, o estado de fluxo é... Só um momento, por favor, chegou um e-mail aqui. Só mais um spam. Como eu ia dizendo... Espere um pouco, o software antivírus acaba de dizer que se atualizou. Bom saber.

Fluxo? De repente todo programador vivo passa a achar razoável interromper o usuário com algum tipo de aviso de um incidente trivial ou evento sem importância. Pop-ups já são ruins o bastante; agora seus equivalentes encontraram seu lugar em meio a tudo aquilo pelo que você paga para funcionar (não para dançar no palco e chamar sua atenção).

Nos velhos tempos, um programa antivírus deve ter sido estúpido o suficiente para perguntar se você queria eliminar o vírus ou deixá-lo na quarentena – como se você quisesse manter uma coleção pessoal. Agora, ele alardeia que fez com sucesso sua manutenção, repeliu um ataque, inspecionou e aprovou um anexo de e-mail ou descobriu que sua assinatura antivírus vai expirar em seis meses – ou que talvez esteja firme e forte no background. Lamento, mas tudo isso faz parte do negócio. Que tal me interromper só quando existir um problema de verdade?

Talvez isso seja influência do programa que mais interrompe no mundo, o MSN Messenger, que banido meu computador. Mas agora as interrupções inúteis fazem parte das nossas vidas. O “guarda-costas” Controle de Conta de Usuário, do Vista, alerta/aborrece você sempre que algo potencialmente perigoso em algum universo chega perto do computador. Mas no mundo real trata-se quase sempre de algo benigno. Um recado para o Windows e todos os programas do planeta: fiquem quietos!

Se o anti-spyware não encontrar nada, por favor, não se preocupe em me incomodar. Se algum programa conseguir se atualizar sozinho, que faça isso sem necessitar da minha presença logo depois que eu clicar no primeiro OK. Em vez de esperar minha permissão para realizar alguma grande operação que possa deixar o meu PC mais lento, encontre uma forma de fazê-lo quando o micro estiver desocupado, e não me force a reiniciar o computador – a não ser que o fato de não fazer isso desencadeie um ataque nuclear. Regra simples: não peçam minha atenção, a menos que seja muito, muito importante.

Se você é um desenvolvedor de fi rewall, use um banco de dados atualizado e silencioso para descobrir quais programas devem ter permissão para telefonar para casa de meus PCs e quais não devem. Nesse ponto, nem quero ouvir o som informando que um novo e-mail chegou. Prefiro verificar minha caixa de entrada quando quiser.

O marketing por trás dessas interrupções é, sem dúvida, a noção de que lembrá-lo da importância desses assistentes dispensáveis fará você pagar por novas versões ou assinaturas de programas. Depois de dezenas ou centenas de incômodos, o que realmente acontece é que você começa a se perguntar se não há uma forma mais discreta de fazer a mesma coisa que eles fazem. Muitos programadores e marqueteiros merecem tanta atenção quanto uma criança fingindo estar doente. E o fluxo? Sem condições...

Stephen Manes é editor da PC World - EUA e apresenta o programa Digital Duo

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail