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Um deslumbrado no comando

Sua missão: construir um portal de internet que ninguém precisa com um software que não funciona

Artigo enviado por leitor que quer se manter anônimo

21/05/2007 às 11h21

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Sua missão: construir um portal de internet que ninguém precisa com um software que não funciona

em off 100 120Minha carreira em TI começou justamente quando adoção da internet tomava grandes proporções. Quando o gerente geral da minha empresa percebeu que nossos concorrentes migravam para a web, determinou a criação de nosso site.

Depois de muitas reuniões, as várias divisões e departamentos da companhia chegaram a um acordo: teremos um simples site promocional. Duas semanas depois, estávamos online. Tudo podia ter saído muito bem, a não ser pelo “Stanley”.

Um dia encontrei um bilhetinho amarelo no meu monitor: “Me encontre o mais rápido possível – Stanley”. Ele era um dos gerentes mais perdidos que faziam parte de nosso comitê de webdesign, e me deu uma longa e irritante palestra sobre como o tamanho do logo corporativo em nossas páginas web era inaceitavelmente grande.

Ele demonstrou o problema medindo o logo no seu monitor de computador com uma régua e comparando com a altura do logo no cabeçalho da empresa. Insistiu que o logotipo online tinha que ter o mesmo tamanho do que estava no cabeçalho, e me mandou resolver esse problema imediatamente.

Sentei no PC dele e alterei a resolução de 640 x 480 para 800 x 600. “Agora sim, era desse jeito que você deveria ter feito na primeira vez”, soltou ele.

Passou-se um ano, e de repente Stanley começou a usar a palavra “portal” com freqüência. Aparentemente ele tinha sido convidado para a demonstração de algum produto demo. “Você vai construir um portal”, me disse ele uma manhã, com as ferramentas Construa-um-Portal (nome alterado). “Eu quero relatórios financeiros em tempo real e decisões disponíveis para todos no departamento de contas através desse site”, disparou. Ele nos queria ao vivo e operante dentro de um mês. 

Pedimos um novo servidor e uma licença para o Construa-um-Portal. Cinqüenta mil dólares foram gastos. Uma semana depois informamos Stanley de que o software parecia ter muito bugs e que precisávamos de treinamento.

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Fui para o centro de treinamento do Construa-seu-Portal, para um curso intensivo de quatro dias. Mais sete mil dólares foram gastos. Quando expliquei nosso projeto para o instrutor do curso, ele simplesmente me informou que estávamos usando o produto errado.

Não era possível publicar as decisões em tempo real com o produto adotado. Para isso, seria necessário mudanças sofisticadas. Mesmo assim, planejamos ter 50 relatórios online.

O único problema era a navegação. Stanley insistiu que todos os relatórios tinham que estar disponíveis em uma tela, com abas no topo. Explicamos que uma interface com 50 abas no alto era uma má idéia.

Mas ele insistiu, então criamos a desprezada “Janela de Abas” com quatro filas de abas quase preenchendo a tela. Se alguém quisesse outro relatório, adicionaríamos outra aba. Era a coisa mais feia que eu já vi.

Quatro meses após o deadline, o projeto foi ao ar. O registro do primeiro mês mostrou que o Stanley acessou o sistema duas vezes, e algum outro membro do financeiro acessou uma vez. Nos meses seguintes a taxa de utilização foi zero.

Esse projeto consumiu oito meses e entre 150 mil e 200 mil  dólares em hardware, software e horas extras. Só serviu para criar uma piadinha: “Na dúvida, coloque uma aba”. A lição? Não deixe gerentes fáceis de impressionar perto de produtos de demonstração.

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