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Corrida até o VoIP

Se o novo sistema de Voz sobre IP da empresa não funciona, esqueça o suporte de telecomunicações e ligue para o cara de Tecnologia da Informação

Artigo enviado por leitor que quer se manter anônimo

22/05/2007 às 16h38

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Se o novo sistema de Voz sobre IP da empresa não funciona, esqueça o suporte de telecomunicações e ligue para o cara de Tecnologia da Informação

voip II 150 100No início de 2006, a empresa para a qual eu trabalhava decidiu substituir o velho sistema telefônico por uma solução de Voz sobre IP (VoIP), com tudo o que havia de mais moderno na época. Analisamos diversos sistemas antes de, finalmente, decidir que fornecedor escolher.

Nossa equipe interna de TI era extremamente competente em administração de rede, administração de sistemas e tudo o mais. Porém, nenhum de nós jamais havia trabalhado com sistemas telefônicos, muito menos na plataforma IP.

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Felizmente, a Ring-a-Ding Telecom, empresa que contratamos para instalar e dar suporte à nova plataforma de voz, nos disse para não nos preocuparmos. A mudança seria rápida e indolor.

Quando chegou para trabalhar, a equipe da Ringa-Ding Telecom ficou um pouco perturbada ao verificar que éramos uma empresa baseada em Linux. Eles, por sua vez, estavam habituados a fazer o trabalho apenas no ambiente Windows.

Fomos totalmente contrários à adotação de um servidor Windows. Tínhamos enfrentado muitos problemas de bug nesse ambiente e não queríamos que eles voltassem a se repetir.

Só que a Ring-a-Ding nunca tinha configurado um servidor telefônico DHCO na plataforma Linux antes. Para tornar as coisas mais fáceis, concordamos que eles instalariam os telefones usando endereços IP estáticos. Mas, na última hora, concluíram que configurar manualmente 200 ramais IP dessa maneira ia levar muito tempo.

Por uma dessas razões que a própria razão desconhece, conseguiram convencer meu chefe de que eu - isso mesmo - é que  deveria reconfigurar nosso servidor Linux DHCP.

E foi então que o pesadelo começou.

Configurar o servidor para inicializar os telefones exigiu algumas opções bem obscuras, pouco conhecidas. E, sempre que eu pedia alguma ajuda ao pessoal da Ring-a-Ding Telecom, Charlie, líder da equipe, me dava exatamente a mesma resposta: “Lamento, meu chapa, mas sou o cara da telefonia, não o homem dos dados”.

Por sorte, descobri um produto similar que rodava em Linux e usava um servidor DHCP.

Minha empresa possui uma filial e um dos atributos de mais apelo na solução de telefonia IP é permitir que se fale entre unidades geograficamente separadas discando apenas um ramal . E o melhor: sem pagar por uma ligação de longa distância. Acontece que essa facilidade jamais funcionou.

“Bem. Embora eu não seja o cara dos dados, acho que o problema está relacionado às portas de comunicação, que não devem estar abertas”, foi a resposta que Charlie me deu quando perguntei o que havia de errado.

Por sua sugestão, então, comecei a abrir as tais portas. No início, apenas uma ou duas; depois, uma série delas. Por fim, todas as portas estavam abertas. E nada: os dois sistemas simplesmente não se comunicavam.

Depois de analisarem a situação, a Ring-a-Ding concluiu que precisávamos de uma rede privada virtual (VPN). E, advinhem: eles forneciam isso e poderiam nos vender uma solução VPN a um “preço justo”.

Já havíamos aturado aquele pessoal por semanas, estávamos irritados e eu, pronto a dispensar o serviço deles. Mas meu chefe concluiu que valia a pena pagar só para ter o sistema funcionando.

Senti-me ofendido e decidi não pagar para ver. Eu tinha 24 horas para colocar uma VPN no ar, antes de a Ring-a-Ding chegar para instalar a VPN que vendiam.

Nunca havíamos feito isso antes, mas estávamos familiarizados com firewalls e roteadores OpenBSD. Instalamos o OpenBSD em uma velha workstation Dell e, menos de três horas antes de terminar o nosso prazo, um dos meus colegas descobriu um VPN/firewall em BSD chamado Monowall.

Em apenas uma hora a VPN estava funcionando e todos os telefones da empresa - locais e nas filiais também - se falando em sintonia perfeita.

Charlie podia não entender nada de TI, mas eu, sim.

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Os casos selecionados serão publicados na revista, e o autor (que terá seu nome mantido em sigilo, se assim desejar) ganhará um memory key

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