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Second Life: estar lá para quê?

Associar a marca à inovação e ter acesso a novas experiências comerciais são alguns dos motivos que levam empresas a investirem, inclusive em pessoal, no 'metaverso'

Por Camila Rodrigues, da PC WORLD

23/05/2007 às 14h01

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Associar a marca à inovação e ter acesso a novas experiências comerciais são alguns dos motivos que levam empresas a investirem, inclusive em pessoal, no 'metaverso'

secondlife 100 120A novidade da internet mais comentada atualmente é o Second Life, um universo virtual (chamado por seus criadores da Linden Lab de metaverso), que simula todos os tipos de relações possíveis no mundo real — inclusive as comerciais.

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No Brasil, o movimento de empresas que estão investindo no Second Life começou no primeiro quadrimestre de 2007, mais intensamente em abril, quando foram inauguradas as primeiras ilhas brasileiras.

É o caso da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo); de universidades como a Anhembi-Morumbi e o Mackenzie; do grupo de comunicação católico Canção Nova; da TAM; e das construtoras Tecnisa, Cyrela e Incorporadora Rossi.

Por ser um ambiente completamente novo, o objetivo inicial ainda é institucional. As empresas querem que suas marcas sejam diretamente relacionadas à inovação tecnológica. “Também é mais um canal de contato com nosso público. Já tínhamos o 0800 e o site;  agora, o Second Life”, enumera Maysa Simões, diretora de comunicação da Anhembi-Morumbi.

As iniciativas também procuram compreender como este novo mecanismo de relacionamento funciona, já que lá movimenta-se 30 milhões de dólares por mês, segundo Emiliano de Castro, diretor de marketing da Kaizen (empresa responsável pela versão do software em português).

“Queremos saber se há possibilidades comerciais e de marketing, e entender como os jovens de idade e de espírito se comportam neste ambiente”, disserta Jean Paul Jacob, pesquisador emérito da IBM e que, aos 70 anos, diz incluir-se no grupo de “jovens de espírito”.

Jacob conta que é “prefeito” de uma das ilhas da IBM, chamada Almaden — o mesmo nome do laboratório de pesquisas da companhia —, ambos dedicados à inovação e ao ensino de alunos para que possam trabalhar em uma economia de serviços.

“Avatares de qualquer lugar do mundo podem freqüentá-la e, com isso, eu aprendo muito. Muitas avatares são jovens estudantes chineses e isso é interessante, porque eles têm valores culturais muito diferentes dos meus” relata o pesquisador.

A estrutura atual do SL permite que uma empresa atue expondo sua marca (por meio de outdoors, relógios de ruas, painéis eletrônicos, bancas de jornais) ou participando de algum evento. Também é possível que seja criada uma base, como quiosque para atendimento, show room e lojas para venda de itens virtuais que possuem similares no mundo real. Ainda é possível criar canais de comunicação, como revistas, por exemplo.

Chama a atenção o fato de algumas empresas terem contratato pessoas para "trabalharem" como avatares. A Anhembi-Morumbi já possui dois atendentes, o Mackenzie irá contratar três pessoas e a Fecomercio busca dois funcionários para agirem por detrás de  avatares. Ou seja, iniciativas no Second Life podem favorecer a criação de novos empregos.

Em busca do público
Apesar do alvoroço, o número de usuários ainda é muito baixo: somente 0,6% dos usuários brasileiros de internet freqüentaram o Second Life em abril, segundo o Ibope. A mesma pesquisa aponta também que menos de 1% dos internautas da Alemanha, dos Estados Unidos e da França utilizam sua “segunda vida”.

Isso pode ser comprovado ao dar uma volta pelo SL. A PC WORLD criou um avatar para experimentar o metaverso. Logo após seu  “nascimento", ele se viu em um lugar não identificado e cercado por outros avatares, todos "nus" que, aos poucos vão sendo "vestidos" automaticamente. Levamos nosso avatar até a Ilha Brasil, na "avenida Luis Carlos Berrini". Por cerca de 15 minutos, não localizamos ninguém por lá.

"As pessoas não vêem utilidade prática [no Second Life]. Quando encontrarem motivos para entrar e a interface se tornar mais fácil, as pessoas vão acessar mais”, comenta José Calazans, analista de internet do Ibope.

Castro, da Kaizen, acredita que o recurso de voz, a ser lançado no segundo semestre deste ano, poderá estimular o uso. “Há empresas que já utilizam o Second Life para abordar novos clientes, dos quais não se tem nem o telefone”, justifica. E é verdade.

No show room da TAM, por exemplo, o atendente prontamente ofereceu ajuda, memso sem ser solicitada. No da construtora Tecnisa, uma placa em português convida a uma visita a um apartamento mobiliado. Um avatar chamado Member Tecnisa Rau, informa que a versão virtual corresponde a um apartamento que está sendo construído na Barra Funda, zona Oeste da capital paulista.

Questionado sobre o preço do imóvel real, o avatar sugere procurarmos um corretor online no site da empresa. Lá, por meio de uma sessão de bate-papo é que pudemos descobrir o preço: 460 mil reais.

O sucesso deste tipo de ação, observa Abel Reis, vice-presidente de tecnologia da Agência Click, depende de uma boa navegação cruzada entre o metaverso e o site da empresa.  "Imagine que  você entrou em uma livraria no Second Live. O ideal será encontrar links com um livro eletrônico e também para a loja online", diz. A Agência Click realizou projetos para Credicard Citi, Bradesco, Fiat e Incorporadora Rossi, todos no Second Life.

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