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União Européia quer esforços coordenados contra cybercrimes

Ataques coordenados e crime organizado são as razões citadas pelos países que compõem o bloco para a necessidade do trabalho conjunto para combater crimes na web

Por Paul Meller, do IDG News Service

23/05/2007 às 14h20

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Ataques coordenados e crime organizado são as razões citadas pelos países que compõem o bloco para a necessidade do trabalho conjunto para combater crimes na web

Os ataques coordenados provenientes da Rússia contra os sistemas de computadores da Estônia no início deste mês foram citados como uma das muitas razões pela quais os países da União Européia  devem trabalhar em conjunto para combater os cybercrimes, segundo explicou o Comissário de Justiça e de Assuntos Internos da EU, Franco Frattini, nesta terça-feira (22/05).

De forma similar, a existência de dois grupos criminosos que atuam dentro da União Européia e que já teriam conseguido obter mais de 100 milhões de dólares cada fruto de fraudes na internet é outra razão apontada pela Comissão Executiva da UE para que esta medida fosse tomada, afirmou o comissário em encontro com a imprensa.

A Estônia ficou temporariamente fora do ar em função de um ataque russo, possivelmente uma resposta à remoção de um memorial soviético de guerra do centro da capital da Estônia, Tallinn. Oficiais estonianos disseram que os ataques aos sites do governo foram provenientes de servidores do governo russo.

Em um comunicado divulgado ontem, a Comissão Executiva diz que o desenvolvimento da internet e de outros sistemas de informação têm possibilitado diversas novas formas de ações criminosas.

“A legislação e os esforços para aplicá-las têm encontrado barreiras óbvias para a manutenção da paz”, afirma o documento. A Comissão acrescenta que as características que ultrapassam os limites nacionais destas ameaças “reforçam a necessidade de uma cooperação e coordenação internacional” não só dentro do bloco europeu, mas também fora da comunidade.
Uma primeira ação será feita em novembro, quando a Comissão Européia promove, em Bruxelas (Bélgica), a conferência “National and International Responses to Serious International Crimes”.

“Na Estônia ocorreram 128 diferentes ataques durante as duas primeiras semanas de maio”, afirmou Frattini. “Estes foram ataques coordenados contra um Estado e não uma simples ação política. Em situações como estas, precisamos cooperar para o desenvolvimento de uma estratégia de prevenção”, acrescentou.

O comissário informou ainda que a União Européia convidou a Otan – Organização do Tratado do Atlântico Norte – para ajudar a Estônia na recuperação de sua infra-estrutura de informação e na elaboração de um projeto para evitar ataques futuros.

A Otan, acostumada a lidar com ataques de insurgentes no Afeganistão, deve se envolver mais de perto com problemas de segurança em computadores no futuro, argumenta Frattini.

De acordo com o comissário, os dois grupos que atuam em fraudes na web estão sob investigação no Reino Unido e em outros países da UE, mas a falta de cooperação entre as autoridades destes países dificulta a obtenção de provas. Frattini se recusou a dizer o nome dos outros países envolvidos nas investigações.

Além desse tipo de fraude, Frattini disse que os internautas europeus também estão expostos a problemas como pornografia infantil e terrorismo. Por essa razão, a Comissão deve aprimorar a coordenação entre os países da União Européia, compartilhando os sistemas de inteligência das autoridades e fazer todo o esforço necessário para evitar condutas perigosas.

Frattini explica, por exemplo, que instruções sobre como construir bombas estão disponíveis e são legais em muitos países do bloco. “Estamos trabalhando para tornar crime a divulgação desse tipo de informação dentro da União Européia. Só assim as autoridades poderão tirar do ar esses sites. Atualmente, isso ainda não é possível”, concluiu.

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