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Dez dicas para ter um site acessível a deficientes visuais

Veja que adaptações são necessárias para permitir o acesso de visitantes com necessidades especiais

Por Camila Rodrigues, da PC WORLD

19/06/2007 às 11h25

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Veja que adaptações são necessárias para permitir o acesso de visitantes com necessidades especiais

smile150Os projetos ganhadores da competição da Microsoft Imagine Cup Brasil dos dois últimos anos - o livro eletrônico KnowTouch (2007) e o sistema de navegação Virtual Eye (2006) - tinham duas características em comum: ambos são pernambucanos e têm o objetivo de auxiliar deficientes visuais.

Segundo o último Censo Demográfico, realizado em 2000 pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem em torno de
150 mil cegos e 2,4 milhões com grande dificuldade de enxergar.

Porém, a acessibilidade a deficientes não é regra na maioria dos sites de empresas privadas — nem nacionais, nem estrangeiras.

As primeiras iniciativas brasileiras são provenientes do Governo Federal, inspiradas provavelmente na Section 508, criada em 1998 pelo governo dos Estados Unidos.

Uma portaria da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) do Ministério do Planejamento, publicada em maio, traz recomendações para que todos os 26 mil links do governo federal sejam adaptados, de modo a permitir  acesso às mais de 16,5 milhões de pessoas que têm algum tipo de deficiência, em especial os deficientes visuais e auditivos.

Para isso, foi publicado o Modelo de Acessibilidade de Governo Eletrônico, versão 2.0 (E-mag), com o objetivo de tornar os sites e portais governamentais acessíveis por meio de um processo padronizado, “coerente com as necessidades brasileiras, e em conformidade com os padrões internacionais”.

Tal modelo, inspirado nas  Recomendações para a acessibilidade do conteúdo da web 1.0 (WCAG 1.0, do comitê W3C) estabelece três níveis de acessibilidade:

  • Prioridade 1: pontos que precisam ser satisfeitos obrigatoriamente pelos criadores e adaptadores de conteúdo web.

  • Prioridade 2: normas e recomendações de acessibilidade que sendo implementadas garantem o acesso às informações do documento.

  • Prioridade 3: normas e recomendações de acessibilidade que sendo implementadas facilitarão o acesso aos documentos armazenados na web (como downloads e anexos).

Minoru Nagahashi, gerente de Informática da Fundação Dorina Nowill, conta que uma forma interessante de verificar o grau de acessibilidade de um site é submetê-lo à análise do Acessibilidade Brasil 2006.

O site de PC WORLD, por exemplo, apresentou 27 erros de Prioridade 1, 26 dos quais relativos à necessidade de fornecer conteúdos textuais para elementos não textuais no site (como imagens e animações em Flash).++++
smile150Levantamos as principais características que um site deve possuir para garantir acessibilidade a pessoas com neessidades especiais. Elas foram divididas em dez categorias:

Oferecer alternativas de texto ao conteúdo sonoro e visual
Sempre ofereça o equivalente textual para imagens, filmes e sons. Por exemplo, para uma imagem de uma seta para cima que estabelece o link a um sumário poderia ser "Ir para o sumário".

Em alguns casos, o equivalente deve ainda descrever o aspecto do conteúdo ou do conteúdo sonoro. Desta forma, o texto pode ser reproduzido por sintetizadores de voz e monitores Braille.

O uso de imagens, gráficos, diagrmas, mapas e apresentações multimídia torna o conteúdo mais rico, mas limita o acesso de cegos, por exemplo, à informação que está publicada no site.

Procure oferecer alternativas que ajudam o portador de deficiência a compreender a informação.

Cores não devem ser informação
Cegos ou portadores de daltonismo (deficiência genética na qual o portador tem incapacidade para enxergar algumas cores primárias, como verde e vermelho) terão dificuldades em assimilar informações que estejam associadas a cores ou textos que estejam em cores pouco contrastantes com o fundo.

Evite o uso dessas cores e utilize aquelas que apresentem bom contraste com o fundo da página.

Independência de periféricos
Pense em uma página cujo conteúdo independa de um periférico específico para ser exibido. Isto significa que o usuário poderá interagir com a informação usando o dispositivo de sua preferência:
mouse, teclado, voz, ponteiro de cabeça, etc.

Seleção do idioma
Utilize marcações que facilitem a pronúncia e a interpretação de abreviaturas ou texto em língua estrangeira.  Se o desenvolvedor de conteúdo marcar as mudanças de idioma em um
documento, os sintetizadores de voz e os dispositivos Braille podem
passar automaticamente para o novo idioma, tornando o documento mais
acessível a usuários multilíngües.

Uso de pagínas com atualização automática
Evite textos que piscam de modo intermitente na tela, a não ser que
seja possível ao usuário controlar tal efeito por meio de softwares de
acessibilidade. Considere o mesmo para páginas que contenham
movimento.

Para isso, você pode utilizar folhas de estilo dotadas de
programas interpretáveis destinados à criação de movimento.

Também não insira scripts e marcações para atualização e redirecionamento automático. Permita que o usuário escolha quando quer visualizar a versão atualizada.

Cuidado com as janelas
A mudança da janela atual sem a interferência do usuário ou o
aparecimento repentino de pop-ups pode ser um fator de grande
desorientação para os usuários. Por isso, é interessantes, por exemplo,
evitar a utilização de frames em HTML cujo destino seja uma nova
janela.

Marcações e folhas de estilo
A utilização incorreta de marcações prejudica a acessibilidade. Por exemplo, utilizar uma tabela para a disposição de objetos na página ou um cabeçalho para mudar o tamanho do tipo de fonte dificulta a compreensão por usuários que utilizam software especializado para navegar na internet.++++
smile150Uso de tabelas
As tabelas, qualquer que seja seu uso, costumam acarretar problemas aos usuários de leitores de tela (apesar de alguns permitir navegar entre suas células). Por isso, nunca a utilize para efeitos de disposição em página. Como alternativa, use texto corrido.

Em caso de tabelas de dados em HTML, há uma forma ideal de construir o elemento Table que permite que o software reproduza as tabelas de outras maneiras além da forma de grades em duas dimensões.

Em tabelas de dados, identifique os cabeçalhos de linha e de coluna e, quando ela tiver dois ou mais níveis lógicos de cabeçalhos de linha ou de coluna, utilizar marcações para associar as células de dados às células de cabeçalho

Informações de contexto e orientações
É importante fornecer informações de contexto acerca da relação entre elementos para que pessoas com deficiências cognitivas e visuais interpretem relações complexas entre as diferentes partes de uma página.

Para isso, dê a cada frame um título que facilite sua identificação, descrevendo sua finalidade e o modo como se relacionam entre si.

Tecnologias do W3C
É recomendado usar as tecnologias do W3C, porque elas garantem que
as questões de acessibilidade sejam levadas em conta na fase de
criação.

Confira aqui as tecnologias recomendadas não só para web, mas também para
desenvolvimento de aplicativos móveis e softwares de segurança.

Formatos não atendem às especificação W3C, tais como PDF,
PostScript e RTF, exigem
aplicações independentes e, freqüentemente, são inacessíveis mesmo com o uso das tecnologias de apoio.

Se for necessário recorrer a eles, forneça alternativas (em texto) para esse conteúdo. Por exemplo, se você
tem um site em Flash, ofereça o conteúdo em HTML.

Para saber onde encontrar as mais recentes especificações do W3C e
suporte relativo à interface do usuário de WAI (com informações sobre
os agentes que suportam as especificações W3C), consulte a lista de
referências
.

E, mesmo quando se empregam tecnologias do W3C, seu uso deve observar as recomendações para a acessibilidade.

:: Para obter mais detalhes de como aplicar os códigos, consulte também Guia para tornar páginas web acessíveis, do Serpro.

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