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Equipamento brasileiro com luz ultravioleta é premiado pela Autodesk

Equipamento será usado no acelerador de partículas do LNLS que abriga elétrons em seu anel de armazenamento de 30 metros de diâmetro

Por Redação do IDG Now!*

21/06/2007 às 11h06

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Equipamento será usado no acelerador de partículas do LNLS que abriga elétrons em seu anel de armazenamento de 30 metros de diâmetro

O Ondulador de Polarização Elíptica (EPU), equipamento fabricado pelo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (SP), recebeu, no mês passado, o prêmio Inventor do Mês oferecido pela Autodesk, empresa norte-americana de softwares de engenharia.

O EPU, que foi inteiramente projetado no Autodesk Inventor, um programa de modelagem de componentes em três dimensões, será usado no acelerador de partículas do LNLS que abriga elétrons em seu anel de armazenamento de 30 metros de diâmetro. O ondulador tem seis toneladas e foi projetado para emitir luz de alta intensidade na faixa do espectro do ultravioleta.

“É o primeiro ondulador fabricado no Brasil. Ele foi instalado em fevereiro em um dos quatro trechos retos do anel e será capaz de gerar um feixe de luz centenas de vezes mais intenso do que os feixes produzidos atualmente nesses trechos do acelerador”, disse Régis Neuenschwander, coordenador do grupo de Projetos Mecânicos do LNLS, à Agência FAPESP.

O primeiro feixe de luz gerado pelo equipamento, que se encontra em fase de testes, pôde ser visto no dia 15 de março. Até o fim do ano, ele estará à disposição da comunidade científica. Sua função é induzir o movimento de ziguezague nos elétrons para estimular a emissão de luz.

“O anel de armazenamento é formado por retas e curvas nas quais os elétrons de alta energia são acelerados para emitir a luz síncrotron utilizada em pesquisas científicas”, explicou Neuenschwander.

Depois de ser produzida no acelerador de partículas, a luz síncrotron, usada para a descoberta de novas propriedades físicas, químicas e biológicas em estruturas atômicas e moleculares, é levada para estações experimentais em que são realizados os estudos.

No anel do LNLS há quatro trechos retos em que podem funcionar os onduladores, também conhecidos como dispositivos de inserção. Dois trechos estão ocupados: o primeiro dispositivo, o wiggler, foi comprado dos Estados Unidos e o segundo é o que acaba de ser premiado.

“A ocupação dos outros dois trechos retos do anel de armazenamento dependerá da demanda da comunidade científica por novas linhas de luz”, disse Neuenschwander. O LNLS conta atualmente com 16 linhas de luz, ou estações de trabalho, disponíveis para diferentes tipos de pesquisa. Essas linhas atendem, por ano, cerca de mil pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

“Ganhar o prêmio da Autodesk, que é a empresa criadora do software de modelagem utilizado no projeto do ondulador, aumenta a visibilidade internacional da mão-de-obra qualificada e da capacidade de projeto instalada no LNLS”, disse Neuenschwander.

A construção do EPU – que levou três anos de trabalho entre pesquisa, projeto, usinagem dos componentes e montagem final – e a linha de luz que irá utilizar o feixe de luz ultravioleta gerado pelo ondulador têm apoio financeiro da FAPESP, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron (ABTLuS).

*Com informações da Agência Fapesp.

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