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Europa cria rival do sistema de localização norte-americano GPS

Os 30 satélites da constelação Galileo entram em operação em 2008 para concorrer com o sistema de localização global dos EUA, o GPS

Por Peter Moon, especial para o IDG Now!

22/06/2007 às 16h22

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Os 30 satélites da constelação Galileo entram em operação em 2008 para concorrer com o sistema de localização global dos EUA, o GPS

A construção da segunda rede mundial de satélites de localização, a Galileo, projeto da União Européia avaliado em 3 bilhões de euros, anda de vento em popa.

A idéia é colocar em órbita uma constelação de 30 satélites, todos posicionados em órbita média, a 23 mil km de altitude. Os primeiros satélites começaram a ser lançados em 2005 e a rede entra em operação em 2008, mas atingirá toda a sua plenitude entre 2011 e 2012.

Quando isso acontecer, acabará o monopólio do sistema americano, o Global Positioning System (GPS). Talvez por isso mesmo é que o Galileo não é mais apenas um projeto europeu. A China aderiu em 2003, seguida por Israel, Ucrânia, Índia, Marrocos, Arábia Saudita e Coréia do Sul. Entre as próximas adesões previstas, estão o Brasil, a Argentina, México, Canadá, Austrália, Japão e Rússia, entre outros.

O GPS foi criado pelo Pentágono nos anos 80 ao custo de 12 bilhões de dólares. Trata-se de uma constelação de 24 satélites posicionados a 28 mil km de altitude. Originalmente voltado apenas para uso militar, com a crescente demanda do mercado civil ao serviço de localização o governo de George Bush, pai (1988-1992), decidiu liberar seu uso para fins civis.

O Pentágono concordou, mas com uma condição: introduziu um bug no sistema. Enquanto os equipamentos de GPS das Forças Armadas dos EUA fornecem coordenadas com uma margem de erro de no máximo um metro, nos dispositivos de uso civil a margem é de 100 metros.

No concorrente Galileo, graças aos céus, não será assim. Pelo menos é o que prometem os europeus. Eles vislumbram um cenário róseo a partir de 2012, quando os 400 milhões de cidadãos da União Européia terão um chip Galileo inserido dentro dos carros e celulares. Todo mundo saberá a qualquer momento sua localização exata, em qualquer lugar do planeta.

O sucesso do GPS e da futura constelação Galileo contrasta frontalmente com a realidade desoladora das redes de celular por satélite. Estrelas tecnológicas boladas no final dos anos 80, quando ainda ninguém avistava o maremoto da telefonia móvel que se aproximava, as constelações celulares foram abatidas em pleno vôo. Resultado de um investimento de 5 bilhões de dólares da Motorola, a Iridium faliu no ano 2000, sendo vendida a preço de banana.

Seus 66 satélites de órbita baixa continuam girando sobre nossas cabeças, mas transmitem pouco mais do que curtas mensagens de texto. O problema é que o sistema foi projetado numa época em que a transmissão de voz era muito mais volumosa e lucrativa do que a de dados. Esta última tomou conta do pedaço com o advento da internet. O que tornou o serviço da Iridium, além de caro, irrelevante.

O mesmo drama foi e continua sendo vivido pela constelação Globalstar, com 40 satélites em órbita baixa. Menos sorte teve a britânica ICO que nem chegou a ir ao espaço. Entrou em concordata antes disto e só conseguiu sair dela ao se fundir com a Teledesic, projeto megalomaníaco para transmitir internet desde o espaço através de 840 satélites de 9 bilhões de dólares. Apesar de contar com sócios do cacife de Craig McCaw, Bill Gates e Paul Allen, o projeto foi definitivamente sepultado em 2002.

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