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Criador do iBest lança site que usa conteúdo do YouTube

Marcos Wettreich, criador do iBest, revela serviço de vídeo online WeShow, que edita conteúdo publicado no site YouTube

Por Peter Moon especial para o IDG Now!

27/06/2007 às 11h10

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Marcos Wettreich, criador do iBest, revela serviço de vídeo online WeShow, que edita conteúdo publicado no site YouTube

Marcos Wettreich ataca novamente. Ele desembarcou ontem de manhã (26/06) vindo de Londres para anunciar o lançamento do seu mais novo empreendimento, o WeShow, cuja versão Brasil está entrando no ar hoje. O site norte-americano entrou no ar no dia 22 de junho, e o site britânico será inaugurado na próxima sexta-feira (29/06).

Mas preste atenção: se ao ler o nome WeShow você pensou em YouTube, acredite, não foi mera coincidência. O WeShow parte da premissa básica de que a navegação e a busca através do universo fascinante de vídeos do YouTube é bastante caótica.

O que o WeShow passa a oferecer ao usuário final é uma seleção e indexação do material existente tanto naquele enorme repositório mundial de vídeos chamado YouTube, quanto nos seus concorrentes, caso do Metacafe.

“No YouTube, são carregados 100 mil vídeos por dia!”, explicou Wettreich, 43 anos. “Estamos trabalhando com 20 repositórios, o que corresponde a 98% de todos os vídeos na web. Mas já catalogamos 60”. Wettreich, para quem não sabe, lançou em 1995 a revista Internet World, primeira publicação voltada para o fenômeno da web.

No mesmo ano, criou o prêmio iBest, que por sua vez transformou em portal antes vendê-lo para a Brasil Telecom por US$ 72 milhões em 2003. Antes disso, em 2001, já havia vendido sua agência, a Mlab, por US$ 36 milhões.

Seu novo negócio conta com uma equipe de editores que assiste e classifica os vídeos do Brasil, dos EUA e do Reino Unido, indexando tudo em 21 canais principais, que vão de celebridades e notícias, passando por humor e moda, até chegar aos vídeos pessoais e aos programas de TV.

Estes, por sua vez, estão subdivididos em outros 200 subcanais. Segundo Wettreich, a seleção de vídeos não pára e cada um dos subcanais recebe pelo menos um novo vídeo por dia, sendo que o usuário pode se cadastrar para receber uma newsletter semanal com links para os melhores vídeos dos seus canais prediletos. Além disso, cada categoria tem um webcast diário, chamado WeShow TV, que mostra o que está no site.

Outra novidade é a instituição de um prêmio mensal de melhor vídeo de cada canal, eleito pelos seus respectivos editores. “Em 12 meses teremos, a eleição dos melhores do ano. Será o Prêmio WeShow, o Oscar do vídeo mundial” – praticamente o mesmo slogan usado por Wettreich no iBest, o “Oscar da Internet brasileira”.

Embora aparentemente ainda existam poucos vídeos catalogados em cada subcanal do WeShow, o sistema me ajudou bastante a encontrar temas do meu interesse, como as categorias de Ciência e Tecnologia. Além disso, o design é bastante agradável, coisa que vamos e convenhamos nunca foi o forte do YouTube.

“A experiência de quem entra no YouTube não é necessariamente uma experiência de entretenimento”, explica Wettreich. “O YouTube é uma empresa de serviços. Ela serve para o usuário fazer o upload dos seus vídeos. Nós somos uma empresa de entretenimento. Queremos ajudar o usuário a encontrar conteúdo que o agrade. A gente é complementar ao YouTube. A gente não existe sem eles”.

O novo serviço é resultado de um investimento de 6 milhões de dólares, 2 milhões de dólares saídos do próprio bolso de Wettreich, sendo o restante proveniente da primeira rodada de investimento de risco. Entre os investidores Marcos cita os nomes de Bob Pittman, que criou a MTV em 1981, e de Bill Sahlman, professor da cátedra de empreendedorismo da Harvard Business School.

Segundo seu idealizador, a expectativa de faturamento do serviço nos primeiros 12 meses é de 2 milhões de dólares no Brasil e 20 milhões de dólares nos EUA e Reino Unido.

A equipe do WeShow é composta por 70 profissionais, quase todos baseados no Brasil, mas serão 120 até o final do ano. Em outubro, Wettreich vai criar outra redação na Índia para atender os mercados indiano, chinês e japonês. E no início de 2008 será a vez do “terceiro hub” no Leste Europeu, fornecendo o serviço na Europa..

Um outro modo de entender o WeShow é sob a ótica do seu modelo de negócios. Para isso é preciso saber como funciona o YouTube. Ele surgiu em fevereiro de 2005 como uma plataforma para a distribuição de conteúdo de banda larga (no caso vídeo) produzido por terceiros e carregado gratuitamente no site, cuja receita é exclusivamente publicitária.

O serviço converteu-se quase que instantaneamente num fenômeno de massa internacional, sendo por isso mesmo abocanhado pelo Google em outubro de 2006 por 1,65 bilhão de dólares - talvez a mais vertiginosa valorização de um empresa na história da internet até o momento.

Pois bem, o WeShow pode ser considerado como uma terceirização do YouTube. Da mesma forma que este último faz uso de material gratuito de terceiros, o novo serviço é uma máscara atraente e funcional que reorganiza os mesmos vídeos produzidos por terceiros.

Se a estratégia der certo e facilitar a vida do usuário, talvez uma pequena parte do gigantesco tráfego do YouTube dê um pulo nas páginas do WeShow antes de aportar no seu destino final. E se isso acontecer, quanto tempo será necessário para o Google fazer uma oferta e embolsar mais um concorrente?

“É muito cedo para pensar qualquer coisa do gênero”, desconversa o empresário. E sobre um possível IPO, oferta inicial de ações na Bolsa de Valores, ela já está programada? “Quem sabe? Não fiz a empresa pensando nisso...”, responde, literalmente fugindo da raia para pegar o táxi para o aeroporto e embarcar na noite de ontem mesmo para Nova York.

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