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iPhone: seus prós e contras

O equipamento é mesmo revolucionário? Comparamos item por item o lançamento da Apple com outros celulares

Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!

28/06/2007 às 11h39

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O equipamento é mesmo revolucionário? Comparamos item por item o lançamento da Apple com outros celulares

iPhoneSe você não ouviu falar do iPhone nos últimos dias, possivelmente está habitando outro planeta. À véspera do lançamento, marcado para esta sexta-feira (29/06), às 18h (horário dos Estados Unidos), entusiastas formam filas nas portas das lojas para garantir o seu, enquanto jornais, revistas, sites e mídias em geral repetem à exaustão o nome e as imagens do cobiçado telefone da Apple.

A expectativa de Steve Jobs, CEO da empresa, é vender 10 milhões de unidades do aparelho até 2008, meta que o Gartner, consultoria especializada no setor, considera “agressiva, porém alcançável”. O grupo de pesquisa M:Metrics, divulgou um estudo revelando que pelo menos 26 milhões de usuários - 19 milhões de norte-americanos e 7 milhões de britânicos - têm interesse em adquirir um iPhone.

Mas, afinal, toda a expectativa em torno do telefone é justificável? O iPhone é realmente tudo que se espera? As primeiras análises e opiniões de especialistas no setor mostram que a resposta pode ser sim e não ao mesmo tempo.

De um lado, iPhone traz uma interface de software que é de fato revolucionária - simples, intuitiva, arrebatadora, atributos que fizeram de produtos anteriores da Apple, como o Mac, nos 80, e o iPod, mais recentemente, verdadeiros marcos para suas indústrias.

A tela sensível ao toque de alta resolução, o navegador Safari, o acesso ao Google Maps e o design - ponto forte dos produtos Apple - também receberam elogios dos poucos sortudos que já tiveram o aparelho nas mãos.

Em contrapartida, nos quesitos bateria (que, como a do iPod, é presa dentro do aparelho), suporte a tráfego de dados em alta velocidade (nada de 3G), rede da operadora nos Estados Unidos, câmera e até preço, o iPhone deixa a desejar, segundo os especialistas.

Além disso, o aparelho não incorpora algumas das funções já comuns em outros modelos da categoria como mensagem instantânea e gravação de vídeo.

Pesados prós e contras, os analistas ainda apostam no sucesso do telefone da Apple. “O iPhone vai ter na telefonia celular o mesmo efeito que o Mac teve na computação pessoal nos anos 80”, opina o analista Ignacio Perrone, líder da equipe de telecomunicações da Frost & Sullivan na América Latina.

“É um marco em termos da experiência do usuário e da facilidade de uso, é um conceito de software que antecipa as necessidades do usuário”, ele justifica. “Além disso, a marca Apple tem uma certa magia e o sucesso do iPod certamente é um legado importante”, complementa o analista.

“Com o iPhone, a transição do aparelho celular de um dispositivo de comunicação para um objeto que reflete o estilo de vida do usuário se acentua”, acredita Elia San Miguel, analista principal do Gartner para dispositivos móveis serviços de consumo na América Latina. “É como uma Harley Davidson: não é apenas uma moto, é um estilo”, ela compara.

Com base nas avaliações dos analistas de mercado latino-americanos do Gartner e da Frost & Sullivan e nas primeiras impressões publicadas por dois dos mais conceituados jornalistas especializados em tecnologia (David Pogue, do New York Times, e Walter Mossberg, do Wall Street Journal), listamos os principais recursos do iPhone, seus pontos positivos e negativos. Confira e opine.

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Design

Graças à ausência do teclado, que é virtual, o iPhone é fino e compacto. A tela de 3,5 polegadas toma conta de quase toda a frente do aparelho, que tem apenas três botões. A superfície é toda de vidro, o que poderia significar problemas com riscos e rachaduras. Mas segundo os jornalistas que testaram o aparelho, a tela é bastante resistente e não ficou marcada nas duas semanas em que ambos perambularam com ele no bolso.

Em comparação com outros smartphones, o iPhone é diminuto. “O telefone é tão fino e liso que faz Treos e BlackBerrys parecerem obesos”, escreveu Pogue. Mas antes mesmo do iPhone chegar às prateleiras, rivais à altura - ao menos no quesito design - já apareceram no mercado. Entre eles está o LG Prada, que tem praticamente as mesmas dimensões do concorrente, além de apostar igualmente no teclado virtual, e chega na próxima semana ao Brasil.

Interface de software

Considerada o “filé mignon” do iPhone, a interface de software é o que o aparelho traz de realmente inovador. A tela principal reúne as 16 principais funções do aparelho (como SMS, calendário, câmera, voz, etc.) em ícones auto-explicativos. Se o usuário assim mesmo se perder no meio da navegação, basta clicar no botão principal e retornar à tela inicial.

“É rápido, é bonito, sem menu e terrivelmente simples de operar”, define Pogue. “Seu software estabelece um novo patamar para a indústria de smartphones”, opina Mossberg. Em um relatório, analistas do Gartner recomendam aos fabricantes de telefones móveis: “considerem o iPhone uma chamada para acordar”, destacando que interface é tão importante quanto recursos técnicos.

Mais uma vez, concorrentes como o HTC Touch já incorporaram a navegação pela tela com ícones ao seu portfólio, mostrando que o recurso veio para ficar.

Touchscreen

Sensibilidade ao toque não é exclusividade do iPhone. Alguns modelos de smastphones já trazem esse recurso, que se popularizou com os PDAs da Palm, há bastante tempo. Contudo, o que diferencia o iPhone é a tecnologia batizada de “multi-touch”, que permite ao aparelho reconhecer movimentos pela tela, como o deslizar dos dedos para rolar a imagem ou o movimento de pinça, para ampliar e reduzir pedaços da tela.

O recurso auxilia na manipulação de fotos, na navegação pela web, no uso de mapas e na navegação por capa de álbuns, entre outras funções. Mas para Mossberg, a ausência de botões exige em certos momentos passos adicionais para realizar tarefas, que poderiam ser executadas de forma mais simples por atalhos no hardware ou na própria tela.

Teclado virtual

O teclado virtual é uma das apostas nebulosas do iPhone. Quem experimentou, diz que digitar nas teclas virtuais causa um estranhamento inicial, mas é que é possível se habituar ao processo, principalmente porque o aparelho traz um software que corrige intuitivamente os erros de digitação.

Mas como se tratam de especialistas em tecnologia, será preciso aguardar para ver como o recurso será recebido pelo usuário comum, especialmente aquele habituado ao teclado completo de smartphones como o Treo e o Blackberry.

Sensores inteligentes

O iPhone tem reações inteligentes ao ambiente. Quando o usuário aproxima o telefone do ouvido ele apaga sozinho o display. Quando sua posição é alterada da vertical para a horizontal, o conteúdo se adapta à tela automaticamente. Normalmente em outros aparelhos é preciso apertar ao menos um botão para fazer essa transição.

E-mail

O aplicativo de e-mail também foi bem avaliado pelos especialistas. A tela traz a lista completa de mensagens (ou seja, não há paginação) e exibe previews das mensagens - o que evita ter que abri-las para saber qual éo conteúdo. O e-mail mantém ainda a formatação completa, exibindo inclusive fotos e anexos em Word, Excel e PDF (não é possível editá-los, contudo).

O aparelho suporta os serviços gratuitos mais populares, como Yahoo, Gmail e AOL, e é compatível com o sistema corporativo Microsoft Exchange.

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Voice Mail

A função de visualização das mensagens de voz em lista é um dos recursos mais badalados do iPhone. Com ele, é possível acessar diretamente as mensagens desejadas, em vez de ter que ouvir mensagem por mensagem.

Câmera

A câmera de 2 megapixels do iPhone não é nem um pouco impressionante se comparada às de outros aparelhos do mercado, que passam dos 5 megapixels. “Tira ótimas fotos, desde que o objeto esteja parado e bem iluminado”, ironiza Pogue. O aparelho também não faz vídeos, o que é uma grande desvantagem em relação a rivais como o N95, da Nokia, que filma com qualidade de DVD.

Dados

Um dos pontos mais criticados no iPhone é a ausência de suporte a tecnologia 3G (terceira geração) para acesso a dados. A tecnologia utilizada pelo aparelho, que é GSM, é o EDGE (Enhanced Data Rates for Global Evolution), o que torna a experiência de uso da internet lenta, similar à conexão discada no PC. Nos testes feitos pelo New York Times, o browser demorou dois minutos para abrir a página do Yahoo!.

Em contrapartida, o aparelho oferece suporte a Wi-Fi, o que ainda não é tão comum em grande parte dos smartphones. Isso permite que, no perímetro de uma rede sem fio, o aparelho tenha um desempenho satisfatório para navegação e downloads.

Internet

O navegador Safari foi bastante elogiado por quem testou o iPhone. A experiência é completa, pois a navegação pelo toque permite explorar a página inteira, além de aproximar trechos específicos e imagens com um duplo toque, ajustando-os à tela. O ponto negativo é que ele não suporta Flash ou Java.

Mapas

De acordo com previsão do Gartner, neste ano 60% dos telefones vendidos na América do Norte terão GPS integrado. O iPhone não tem. Em compensação, o aparelho traz o software de navegação do Google Maps, que permite localizar endereços, determinar rotas e até acompanhar vias congestionadas em tempo real.

Bateria

Assim como no iPods, a bateria do iPhone não pode ser removida. Isso significa que quando seu capacidade terminar (em média, após 300 a 400 recargas), você terá que levar o aparelho à Apple para trocá-la, por uma taxa nada modesta.

A duração nominal da bateria é de 8 horas para ligações, 7 horas para vídeo ou 24 horas para áudio, o que é uma média relativamente alta para smartphones, segundo os especialistas.

Aplicativos

Só poderão ser baixados e instalados no iPhone softwares desenvolvidos e distribuídos pela Apple, o que limita as opções do usuário. Steve Jobs garantiu, contudo, que as os desenvolvedores poderão oferecer softwares para o aparelho por meio do browser Safari.

Armazenamento

Por enquanto, o iPhone só está disponível com duas capacidades distintas 4 GB (gGgabytes) e 8 GB. A ausência de uma entrada para cartão de memória, presente na maioria dos telefones atuais, limita muito as opções de armazenamento do usuário.

Ligações

Embora a interface para ligações seja simples, ela exige mais passos do que um telefone comum. Não é possível simplesmente começar a digitar um número para discar, como em qualquer aparelho. Para fazer uma ligação é preciso acessar uma lista de contatos ou acessar o teclado virtual.

Player musical

O tocador de música do iPhone é o já consagrado iPod, que mantém suas funções e a qualidade de áudio e vídeo, mas ganha uma interface ainda mais clean, comandada pelo toque, além da opção de navegação por capas de álbuns, que lembra uma jukebox virtual.

A integração ao iTunes é um atrativo, mas não é exclusividade do iPhone - a Motorola já oferece suporte ao software em aparelhos como o Rokr E1, o Razr V3i e o Slvr L7. Além disso, outros aparelhos trazem players embutidos, como a linha Walkman da Sony, entre outros.

Vídeo

A qualidade de tela do iPhone também é um diferencial. Segundo os especialistas, a resolução é acima da média, o que torna a experiência de vídeo muito satisfatória. A integração ao YouTube oferece uma ampla gama de conteúdos ao usuário que quiser ir além do iTunes.

Preço e disponibilidade

O preço do iPhone - 499 dólares para versão de 4GB e 599 para a versão de 8GB - é considerado elevado para o mercado norte-americano. Além disso, é preciso assinar um acordo de serviço de dois anos com a operadora. Por enquanto a AT&T (ex-Cingular) é a detentora exclusiva da distribuição do aparelho, o que também é um ponto negativo, já que a qualidade de serviço da operadora está entre as mais baixas dos Estados Unidos.

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