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Sem patrocínio, Seleção Brasileira abandona a Humanoid Soccer League

Única representante sul-americana, seleção não obteve os recursos para completar o projeto e bancar a viagem para a RoboCup 2007

Por Nando Rodrigues, da PC WORLD

29/06/2007 às 13h06

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Única representante sul-americana, seleção não obteve os recursos para completar o projeto e bancar a viagem para a RoboCup 2007

Por falta de patrocínio, a dupla de robôs (veja as imagens dos 'Itandroids') projetada pelo ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica não vai participar da principal competição entre robôs, que se realiza na próxima semana em Atlanta, Geórgia, nos Estados Unidos, durante a RoboCup 2007.

itandroid2A Humanoid Soccer League é parte da RoboCup e sua categoria mais nobre, e que prevê a programação de robôs “jogadores de futebol”. A equipe brasileira, que ficou de fora do Microsoft Robotics Studio Challenge, era a única equipe da América do Sul selecionada.

O Prof. Jackson Matsuura, do Departamento de Sistemas e Controle do ITA e coordenador da Seleção, conta que foi necessário cortar também uma parte dos 25 integrantes da Seleção: quatro do ITA, um da Unesp e um aluno do ensino médio (CIC-Robotics).

Segundo Matsuura, os cinco representantes do ITA só puderam viajar porque receberam doações de “engenheiros, pós-graduados e ‘amigos do ITA’”.

Sem recursos
“O corte na equipe prejudica porque mesmo com a equipe de 25 pessoas já estávamos no limite inferior. Há categorias que terão apenas um representante e outra, a Rescue Simmulation, um aluno de outra categoria tentará fazer o ‘time’ avançar a partir de instruções e programas recebidos por e-mail da equipe que ficou no Brasil”, relata Matsuura.

É como mandar a Seleção Brasileira de Futebol, compara o professor, à Copa do Mundo sem jogadores reservas, sem a comissão técnica, médico, massagista, treinador. “É como se a seleção estivesse sem o goleiro e tivesse de improvisar outro jogador na posição”, diz.

Para que os robôs estivessem em condições de igualdade para participar da Humanoid Soccer League – considerada a prova mais importante do evento – seriam necessários cerca de 20 mil reais.

itandroid1“O valor corresponde à aquisição e implantação de alguns dispositivos para perfeita adequação dos nossos pequenos atletas ao desafio proposto para esta modalidade e aos gastos com transporte, hospedagem, alimentação e taxas da equipe nessa categoria”, explica Matsuura.

Ele explica que várias tentativas foram feitas para obter apoio da iniciativa privada. “Desde setembro, contatamos diversas empresas, não só de áreas relacionadas à robótica, mas também tradicionais patrocinadores de eventos e times, mas sem retorno positivo. As doações foram realmente a última alternativa. Eles já haviam ajudado no ano passado, com o Robomário e com o Robogério, além de outros equipamentos”.

Competição multidisciplinar
Cerca de 1.700 competidores, de 33 países diferentes, participam da RoboCup 2007, com projetos idealizados por universidades, escolas de nível médio e até de ensino fundamental.

Os robôs competem em diversas categorias, desde projetos humanóides e máquinas de quatro “patas” a competições de busca e resgate. Na edição deste ano, pela primeira vez, será realizada uma competição de nanorobôs.

Estes são os times que compõem a equipe brasileira:

Senior League Team
Brasil-2D (2D Soccer League Team)
Brasil-3D (3D Soccer League Team)
Brasil-Hd (Humanoid-Kid Robot Soccer)
Brasil-Rs (Rescue Agent Simulation)
Brasil-Vr (Rescue Virtual Robot Simulation)
Brasil-Sm (Small-size Robot Soccer)

Senior Demonstration Teams
Brasil-MC (Microsof Soccer Challenge)
Brasil-Pv1 (Physical Visualization)
Brasil-Pv2 (Physical Visulalization)
Brasil-Pv3 (Physical Visualization)

Junior Teams
Brasil-JR (RoboCup Junior Rescue)
Brasil-JD (RoboCup Junior Dance)

Matsuura conta que os problemas vão além do patrocínio. Segundo ele, os equipamentos que serão usados por todos os competidores na categoria Physical Visualization foram fornecidos pela Citizen.

“Enquanto as outras nove equipes receberam os robôs no final de maio, as três equipes brasileiras só receberam esta semana. Por que o atraso? Nossa política alfandegária. Os alunos não vão nem abrir as caixas; estão trazendo tudo direto para Atlanta, para trabalhar aqui”, diz o professor.

A Seleção Brasileira de Robótica é composta por professores e alunos das seguintes instituições de ensino:

  • Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA)
  • Universidade Estadual Paulista (Unesp)
  • Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI)
  • Fundação Universidade do Rio Grande (FURG)
  • Consórcio BRT (Bahia Robotics Team): Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Centro Universitário da Bahia (FIB), Faculdade Rui Barbosa (FRB); Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
  • Clube de Investigação Científica Robotics (CIC-Robotics): Alunos dos Colégios Anchieta, da Polícia Militar e do Externato Mater et Magistra, todos de Salvador (BA).

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