Home > Notícias

“Empresas são tolas em não usar software livre”, declara autor da GPLv3

Durante o lançamento da terceira versão da licença GPL, Richard Stallman mostrou as vantagens em adotar programas livres

Por Matt Hines, para o IDG Now!*

04/07/2007 às 10h43

Foto:

Durante o lançamento da terceira versão da licença GPL, Richard Stallman mostrou as vantagens em adotar programas livres

As empresas que não adotam softwares livres possuem limites de inovação e enfraquecem a segurança das operações de TI, declarou o líder da Free Software Foundation (FSF), Richard Stallman, no lançamento da GPLv3, a terceira versão da General Public License (GPL), em Boston.

Cercado por uma equipe de suporte técnico de programação de software e da área acadêmica, Stallman detalhou sua opinião e mostrou as vantagens de pequenos e grandes negócios em adotar softwares livres. Ele chamou de "tolas" as empresas que não adotam softwares de código aberto.

Trocando tecnologias proprietárias, como o Windows da Microsoft, pelo sistema de operação GNU, as empresas seriam menos dependentes de distribuidores de tecnologias para ter ajuda em resolver muitas questões sobre o desenvolvimento de aplicativos. Além disso, resolveria a questão de segurança, que atualmente é preocupante.

Fornecer produtos diretamente às empresas não é o que o FSF pretende fazer, de acordo com Stallman. Ele reiterou que considera que a missão do grupo é mais uma campanha de direitos humanos que um debate tecnológico.

Contudo, o especialista declarou que os negócios poderiam ajudar a aliviar as atuais dificuldades de um mercado mantido por produtos proprietários, como o Windows, se fossem mais abertos ao uso de softwares livres.

“Os usuários corporativos deveriam ter a mesma liberdade para controlar seu software como todas as pessoas. E o fato de não poderem controlar o software que utilizam é simplesmente idiota”, declarou Stallman. “Atualmente, muitas empresas buscam aplicações gratuitas por conveniência e afirmam que é impossível a substituição, mas já existem softwares livres disponíveis que podem auxiliar muito as empresas.”

Durante o lançamento, havia uma pilha de caixas vazias com o logo do Windows Vista em um protesto de Stallman, que citou os perigos que ele enxerga no uso de tais produtos.

Ele disse, por exemplo, que a atitude da Microsoft de tirar o suporte de vários dispositivos e aplicações impõe às organizações um ciclo interminável de “atualizações forçadas” - um sistema que ele disse que pode se tornar ilegal.

Por outro lado, funções como a atualização remota do Vista permitem que a Microsoft controle e manipule os usuários finais quando quiser.

A FSF também se esforça em continuar a se opor à tecnologia DRM (administração de direitos autorais), que existe nos produtos da Microsoft e da Apple.

“Os negócios precisam sofrer a inconveniência de adotar softwares livres para retomar o controle, pois este é um processo a longo prazo. O problema é que o interesse das empresas é o curto prazo”, diz Stallman. “Como em todas as áreas de computação, os usuários corporativos precisam insistir na liberdade. Não é uma alternativa aos++++softwares proprietários, mas a única forma de defender eticamente o direito dos usuários.”

Como as licenças anteriores, a GPLv3 é um modelo utilizado por fornecedores de programas livres que permite que os produtos que possuem a certificação sejam alterados pelos usuários se eles quiserem, sem medo de acusações de infração de direitos autorais.

Junto às atualizações mais importantes nesta versão, há novas implicações para o licenciamento e a compatibilidade de softwares livres, além de definições para códigos-fonte programáveis e termos que previnem a chamada “tivoização” destes programas. A “tivoização” é a prática de fabricantes de dispositivos utilizarem características de hardware para impedir que os usuários rodem programas modificados em seus produtos.

Os novos termos da licença devem prevenir especificamente acordos adicionais, como o acordo de união de patentes assinado entre a Microsoft e a Novell em novembro de 2006, que o FSF caracterizou como “uma promessa distinta e estreita para que uma patente não processe os consumidores de um distribuidor específico por conta de um programa com GPL.”

Alguns especialistas acreditam que, enquanto a utilização de softwares livres ainda está no início, as empresas podem começar a adotar estas ferramentas. Utilizar sistemas EDI personalizados já é possível, segundo o CEO da Agogme, Thomas Dukleth. “Os softwares livres necessários para suportar sistemas como o EDI já existem”, declarou.

Há benefícios significativos em conhecer o código-fonte dos programas, de acordo com um diretor associado do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Sanjoy Mahajan. Uma das vantagens é enxergar falhas de segurança.

“Quando algo no mundo dos softwares livres é aprimorado, não há necessidade de comprar uma nova licença. Tudo é compartilhado com todos os usuários”, declarou Mahajan.

A GPLv3 já parece ter impressionado algumas empresas. Em um e-mail enviado à redação do InfoWorld, autoridades da Sun elogiaram a atualização, e a empresa disse que isto continuaria a prosseguir com muitos modelos de distribuição.

“Nós observamos a GPLv3 como uma grande realização da FSF”, escreveu em uma nota o gerente de código aberto da Sun, Simon Phipps.

“A Sun acredita que as atualizações da GPLv3 são passos importantes na evolução do movimento de softwares livres. Particularmente, isto clareia a linguagem utilizada na GPLv2 e encaminha muitas questões que não existiam antes, já que a segunda versão é de 15 anos atrás”, declarou Phipps.

“Possuíamos uma estratégia de tornar livres todos os nossos softwares em comunidades de código aberto, e possuímos estratégias para cada tecnologia que nos levam a escolher determinadas licenças em critérios estabelecidos caso a caso”, completou Phipps.

*Matt Hines é editor da InfoWorld em Framingham

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail