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Saiba como a placa-mãe do seu PC é produzida

Poucos se preocupam com ela no momento da compra de um computador. Mas se não for de boa qualidade, de nada valerá os demais componentes

Por René Ribeiro, da PC WORLD

13/07/2007 às 18h28

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Poucos se preocupam com ela no momento da compra de um computador. Mas se não for de boa qualidade, de nada valerá os demais componentes

placa150Quem procura um computador para comprar, em geral se preocupa com características como processador, tipo e quantidade de memória, capacidade do disco rígido, unidades ópticas, portas USB, leitores de cartões de memória, conexão para rede (com ou sem fio).

Raro é o consumidor que se dá ao trabalho de saber detalhes do componente sobre o qual quase todos os itens acima são montados ou conectados: a placa-mãe ou motherboard.

Se considerarmos o processador como o cérebro de um computador, podemos entender a  placa-mãe como a extensão desse sistema nervoso.

É por meio dela que todos os componentes eletrônicos – onboard (ou seja, aqueles que fazem parte da placa) ou externos – se comunicam e realizam as funções para as quais foram projetados.

Caso a motherboard apresente alguma falha, de nada adianta o processador ou a memória serem o que existe de melhor no mercado; mais cedo ou mais tarde algum problema irá aparecer.

Travamentos e falhas esporádicas são apenas alguns desses entraves, capazes de tirar qualquer usuário do sério, sem contar a perda de informações que isso pode acarretar.

As empresas que produzem placas-mãe no Brasil, em geral, gozam dos benefícios dos PPB (Processo Produtivo Básico).

Para terem direito a determinadas isenções, os fabricantes devem assegurar que as placas são completamente montadas aqui – desde a inserção de minúsculos componentes (em geral, transistores, capacitores e diodos, – genericamente denominados componentes SMD) – até sua fase final de embalagem.

Convidada pela Digitron, empresa que produz placas Gigabyte em Manaus (AM), PC WORLD foi descobrir como as placas-mãe são produzidas.++++
A vez das máquinas
SMB200A fabricação de placas de circuito integrado é uma tarefa complexa que combina etapas totalmente mecanizadas e outras manuais.

Na primeira, equipamentos de precisão não apenas inserem e soldam os componentes às placas, como verificam se isso ocorreu da forma adequada.

Para se ter uma idéia, a pasta de solda utilizada recebe um tratamento prévio para que seja usada dentro de uma determinada faixa de temperatura.

Sem isso, poderiam ocorrer trincas; uma fissura na solda, por menor que seja, pode prejudicar a transmissão elétrica entre os componentes e acarretar travamentos do sistema.

Por essa razão, o controle de qualidade durante todas as fases de produção é de extrema importância. Muitos dos equipamentos envolvidos possuem lentes que permitem “analisar” cada componente antes que ele seja soldado à placa. Aqueles que apresentam qualquer tipo de problema são descartados.

A atuação humana, digamos, começa depois da soldagem dos componentes SMD, com uma inspeção visual. Para isso três pessoas verificam cada placa montada, checando a qualidade das soldas e a presença de todos os componentes.

A etapa seguinte consiste em submeter a motherboard a uma corrente elétrica para verificar curtos ou pontos abertos, bem como conferir os níveis de corrente elétrica que passa pelos componentes.++++
Intervenção humana
PID200Após a inserção dos componentes SMD, as placas seguem para a montagem dos conectores. Aqui, slots de memória, de placas, conectores USB, VGA e outros são inseridos na placa-mãe.

Como esses componentes atravessam a placa, a montagem é feita por pessoas, enquanto a soldagem, por máquinas.

No processo que acompanhamos, 53 pessoas estão envolvidas na inserção dos componentes que acompanha uma esteira mecânica, até um banho de solda líquida. Por uma exigência da União Européia, a solda utilizada é lead free, ou seja, sem chumbo, material nocivo ao meio ambiente.

Diversos pontos de controle estão espalhados ao longo da linha de produção. Neles, scaners lêem o número de série de cada placa a partir de uma etiqueta que traz um código de barras.

A combinação dessas informações permite identificar em que etapa da produção determinado problema pode ter ocorrido, facilitando o reparo da placa defeituosa.

Uma vez finalizada a montagem, cada placa é submetida a uma verificação completa, não só do ponto de vista físico quanto lógico (as placas passam por uma bateria de testes de software).

Produção em volume
A Digitron produz placas no Brasil há mais de 20 anos e emprega mais de mil funcionários.  Atualmente produz 700 mil placas por mês (100 mil a menos de sua capacidade total).

A empresa, com suporte e orientação da Intel Capital, está desenvolvendo uma nova planta que vai ampliar sua capacidade de produção para 1,2 milhão de placas até o final do ano.

Álvaro Cussioli, engenheiro de produtos da Digitron, informa que a empresa fechou uma parceria com a Intel para transferência tecnológica e suporte à produção de novos produtos. Isso tem garantido à empresa lançamentos simultâneos de novas tecnologias, como a plataforma vPro e, mais recentemente, notebooks equipados com a tecnologia Santa Rosa.

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