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Wireless e telefonia: acesso em ritmo acelerado

Brasil já tem mais de 105 milhões de linhas de celulares e 33 milhões de usuários de internet

Por Ceila Santos, especial para PC World

07/08/2007 às 16h51

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Brasil já tem mais de 105 milhões de linhas de celulares e 33 milhões de usuários de internet

fio_tesoura150Operadoras que oferecem celulares a preço de banana, 33 milhões de usuários de internet no País, crescimento de quase 100% no uso de banda larga. O salto das telecomunicações desde a privatização do setor no Brasil em 1998 é impressionante, principalmente por conta da explosão da telefonia móvel, que em maio de 2007 atingiu a marca de 105 milhões de linhas de celulares ativas.

Isso se deve à forte adoção do pré-pago, utilizado por 80% dos quem têm celular no país. “É o famoso celular para receber ligação”, explica Antônio Carlos Bordeaux, diretor de Gestão da Inovação do CpQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações).Os celulares passaram a ser o único meio de comunicação para 23,6% dos domicílios em 2005. Ou seja, essa parcela não tem telefone fixo, mas tem celular.

No total, os domicílios que têm celular já ultrapassam muito mais que a metade das residências: 67,64%. A proporção atinge o mesmo patamar do saneamento básico: 69,7% dos domicílios no Brasil têm esgoto.

Quanto ao equipamento fixo, quase metade dos 53,1 milhões de domicílios registrados em 2005 na Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD-IBGE) têm telefone fixo, de acordo com as estimativas do Comitê Gestor
da Internet no Brasil.

Mas não há expectativa de expansão da telefonia fixa no Brasil. Pelo contrário. As operadoras vêm perdendo cada vez mais clientes de telefonia fixa de voz. Em 2002, a proporção de quem tinha telefone fixo, para cada grupo de 100 habitantes, era de 28,7%.

Há mais de 1,1 milhão de orelhões espalhados pelo Brasil. Por isso, hoje já se fala que quase 90% (89,81%) da população têm acesso à telefonia. E muitos especialistas acreditam que ainda há chance dos excluídos da telefonia tornarem-se usuários do serviço, principalmente, a partir de políticas de inclusão digital.

De olho na rede

O foco da estratégia de inclusão digital atualmente é o acesso à internet. Osvaldo Barbosa, presidente do IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau, a associação de mídia interativa do país ), afirma que a internet é um serviço essencial para a sociedade brasileira assim como esgoto, luz e telefone.

Ele acredita que a queda de preço dos computadores, aliada às políticas de inclusão digital, permitirá o acesso de 37 milhões de brasileiros à internet até dezembro de 2007.++++
fio_tesoura150A estimativa faz parte da pesquisa do IAB Brasil, que baseia-se nos dados do instituto de pesquisas GNet, cujo número atual é de 33 milhões de brasileiros que acessam a
internet. E há muito campo para crescer.

É bom lembrar que quase 70% dos brasileiros nunca navegou na web e mais da metade (54,35%) sequer usou um computador na vida, de acordo com os dados da última pesquisa do Comitê Gestor da Internet. Fato curioso para quem já está tão familiarizado com a rede.

“Minha sensação é de que acesso a internet desde que nasci”, comenta Maysa Cabral dos Santos, que há 29 anos quando nasceu já tinha telefone em casa e, na faculdade, acessava a internet e tinha seu celular.

Hoje, Maysa faz parte dos 49,06% que têm acesso à internet residencial. Somente 14,49% dos domicílios nacionais têm acesso à rede. E as conexões seguem em ritmo acelerado quando o assunto é banda larga. O acesso rápido à web praticamente dobrou no Brasil em menos de dois anos, de acordo com o Ibope/Netratings.

Mais de 10,7 milhões de brasileiros acessaram a internet de casa em novembro de 2006 por uma conexão rápida, contra 5,4 milhões registrados no começo de 2005.

Calcula-se que pelo menos 40% dos domicílios que acessam a web têm banda larga, apesar de seu custo mais alto. “É muito caro o modem aqui na região e ainda estou avaliando as opções para deixar o acesso discado”, explica Maysa, que mora no bairro Ceilândia, de Brasília, onde há alguns meses ainda não tinha acesso à rede de banda larga da operadora (Brasil Telecom).

Assim como Maysa, 31,69% dos brasileiros consideram o custo do acesso à internet elevado, mas o principal motivo que leva à alta exclusão da web ainda é a falta do computador (67,55%, de acordo com a pesquisa do Comitê Gestor da Internet).

Felizmente, os PCs estão cada vez mais baratos. O preço do computador já caiu 5,4% de janeiro até abril de 2007, de acordo com o Índice de Preço ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Pesquisa da IDC aponta ainda que PCs com preços entre 800 reais e 1.000 reais representaram 58% das vendas de desktops no primeiro trimestre de 2007.

Não é à toa que Jorge Luiz da Rocha Pereira, consultor especialista em TI do Sebrae-SP, acredita que o consumo de computadores será muito maior que o da TV no decorrer deste ano.

O desafio para as 4,5 milhões de pequenas empresas já não é mais o custo dos equipamentos, mas a barreira do conhecimento. “Enquanto houver arrogância técnica no discurso de quem vende tecnologia no Brasil, os obstáculos para os microempresários permanecerão”, observa Pereira. ++++
fio_tesoura150Ele ainda ressalta que um dos fatores para a massificação do celular foi mostrar a importância da aplicação e do serviço: “a maioria não compra celular porque é CDMA, GSM ou porque tem n pixels no aparelho, mas precisa comprar um PC que tem uma série de siglas em inglês e especificações que não significam nada para o usuário.”

Ganhe para navegar

Para quem ainda não tem banda larga, um consolo é o fato de a tarifa gasta na cesta de pulsos pode ser revertida em créditos ou mesmo dinheiro por vários provedores de internet.

Alex de Souza Silva, de 17 anos, que também tem acesso discado como Maysa e usa a internet para blogar, entre outras atividades, afirma ter lucro com a troca de créditos que o provedor Orolix lhe oferece pelo tempo que fica no telefone para acessar a internet.

Ele não considera cara a banda larga disponível na cidade de Santa Rita, interior do Estado de Paraíba, mas não tem interesse em adquirir o serviço de radiofreqüência disponível na região porque há muita instabilidade – e também pela nova fonte de receita que o acesso discado passou a ser em sua vida.

“Eu recebo créditos pelo uso do acesso discado, o que me permite não só pagar os pulsos (que viraram minutos desde julho) da Telemar como ainda me rende algum dinheirinho”, explica. Maysa também reverte seu tempo de acesso por cupons cedidos pela Intelig – o discador contratado por ela – para serem gastos em compras feitas por meio de sites como Americanas , Submarino e até em passagens aéreas.

A vantagem dos 10,7 milhões de brasileiros que acessaram a internet de casa em novembro de 2006 por um conexão rápida, segundo a pesquisa Barômetro Cisco de Banda Larga, é bem maior porque eles podem usufruir de aplicativos como Skype e MSN, entre outros, para migrar o tráfego de voz para internet. A estimativa é de que mais de 1,5 milhão de internautas brasileiros acessem por mês o serviço gratuito do Skype, por exemplo.

E é possível usar os serviços de VoIP para falar mesmo com pessoas que não estejam conectadas à web. O serviço só é garantido para quem tem banda larga e oferece tarifas muito mais acessíveis, de até 70% mais baratas, que a telefonia interurbana.

Mas nem só o computador e o telefone permitem o acesso à internet. No Brasil, do total de domicílios que acessam a rede mundial de computadores, 0,25% tem acesso à internet por meio do palmtop (computador de mão), 1,16% por meio do console de jogo e 3,5% através do computador portátil (notebook).

Mas a informação que mais agrada à indústria e aos prestadores de serviço é de que 17,78% dos domicílios têm celular com acesso à internet. Não há estatísticas oficiais sobre a evolução do uso da internet no celular, mas como a mudança de aparelho sempre resulta em terminais mais sofisticados, especialistas acreditam que a inclusão digital será por meio do mundo móvel.

Interessado em saber mais sobre o mercado de telefonia e internet no País? Então, não deixe de ler a reportagem de capa da edição de agosto de PC WORLD, que já está nas bancas. Lá, além de dados destes segmentos, você vai encontrar dicas e alternativas que lhe auxiliarão a gastar bem menos com as tarifas e a economizar um bom dinheiro.

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