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Como atrair investidores para sua empresa de TI

O Mercado Livre, que entrou na bolsa da Nasdaq na sexta-feira (10/08), recebeu aporte externo antes de tornar-se o que é. Sua pequena empresa também pode atrair investidores — saiba como

Por Camila Rodrigues, da PC World

13/08/2007 às 17h09

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O Mercado Livre, que entrou na bolsa da Nasdaq na sexta-feira (10/08), recebeu aporte externo antes de tornar-se o que é. Sua pequena empresa também pode atrair investidores — saiba como

investidores_100Sexta-feira, 10 de agosto de 2007. O Mercado Livre começa a comercializar suas ações na bolsa eletrônica Nasdaq e tem a perspectiva de levantar cerca de 300 milhões de dólares.

Agosto de 1999 (auge da bolha da internet). Marcos Galperín está em fase de conclusão de seu MBA, na Universidade de Stanford (Califórnia, EUA) e inicia as operações de uma plataforma de comércio eletrônico na Argentina. O emprendimento online era resultado de um plano de negócios desenvolvido desde março daquele ano. Três meses depois, seis fundos internacionais consideram o Mercado Livre promissor e, por isso, investem cerca de 7,6 milhões de dólares. Em 2000, fazem um segundo aporte, desta vez de 46,7 milhões de dólares.

De volta a 2007. O Mercado Livre tem receita líquida de 16,5 milhões de dólares e lucro líquido de 1,1 milhão de dólares no primeiro trimestre do ano, e os sócios J.P.Morgan Chase, Hicks Muse Tate & Furst, Ebay, Goldman Sachs, GE Capital e um fundo de investimento em internet controlado pelo banco Santander recebem os frutos de um investimento de oito anos.

Assim como nesse caso, outras empresas empreendoras podem obter injeções de capital por meio de investidores externos, que são como “sócios temporários”. Se a sua empresa oferece algum produto ou serviço inovador, você pode buscar um fundo de private equity e venture capital (PE/VC) ou investidores-anjos.

PC WORLD elaborou um guia básico para você entenda os conceitos que envolvem esta relação e conhecer quais setores da tecnologia estão entre os mais procurados.

O que é private equity e venture capital (PE/VC)?

Segundo definição do pesquisador do Centro de Empreendedorismo de Private Equity da Fundação Getúlio Vargas (CEPE/FGV), Leonardo de Lima Ribeiro, o “segmento do mercado financeiro denominado Private Equity e Venture Capital é composto por intermediários financeiros especializados na identificação, seleção e negociação de investimentos, acompanhamento e monitoramento, e venda de empresas de pequeno e médio porte não listadas em bolsa de valores e com grande potencial de crescimento”. Este é o perfil dos sócios do Mercado Livre.

Dessa forma, esses investidores escolhem companhias que tragam ao mercado produtos e serviços inovadores ou que apresentem novidades em seus processos produtivos, gerenciais e nas suas estratégias de marketing para obter um retorno de seu investimento de forma mais rápida do que em ações comuns no mercado.

Já os investidores-anjo aplicam dinheiro próprio em empreendimentos que acreditam ser promissores. “Normalmente, são altos executivos++++aposentados que aplicam não só capital, mas também sua experiência empresarial”, explica Marcus Regueira, presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP).

Em ambos os casos, os investidores entram com o capital e, a partir daí, tornam-se sócios, ou seja, têm direito de fazer interferências na gestão do negócio e a uma parte dos lucros. “Por isso, a informalidade da empresa tem de ser eliminada. É preciso ter transparência, governança e os acordos de acionistas têm de ser documentados”, observa Rigueira. “É muito mais que dinheiro”. Devido à proximidade entre o empresário e o investidor, o executivo recomenda conhecer muito bem o investidor, assim como este está interessado em conhecê-lo.

O período entre o processo de negociação e a entrada do investidor é de seis a nove meses. “É importante que esta fase seja encaminhada com cuidado, para que a empresa não seja esquecida”, aconselha Rigueira.

Investidor e empreendedor mantêm sociedade por um período que varia de três a dez anos. “O ideal seria entre três e cinco anos, mas como no Brasil o mercado sofre mais variações, o gestor não consegue sair no momento ideal e precisa esperar um momento de maior liquidez”, detalha Ribeiro, do CEPE/FGV.

Passado este período, há três formas de o investidor sair: por meio de buyback (empreendedor recompra a participação do investidor), pela venda total da empresa para uma corporação de grande porte ou então por IPO (do inglês initial public offering), ou seja, as ações da companhia passam a ser comercializadas na bolsa de valores.

Quais setores da tecnologia são mais procurados?

O pesquisador do CEPE/FGV, Leonardo Ribeiro, revela que, atualmente, o
setor de software é o mais interessante para os investidores de venture
capital no Brasil. “Este setor [software] tem uma dinâmica
interessante. O produto, normalmente, prevê um contrato de serviços,
que inclui instalação e manutenção, o que faz com que a empresa tenha
um risco menor, já que o fluxo de caixa é mais constante”. Além disso,
há escala, ou seja, depois de o software ser desenvolvido, o custo por
unidade vendida é apenas o da mídia ou da instalação.

Em segundo lugar, vêm os serviços de TI, devido à demanda e pelos
mesmos motivos citados anteriormente; depois os projetos de internet e,
em quarto lugar, as companhias do setor de hardware, principalmente as que estejam relacionadas à infra-estrutura de comunicação wireless
(sem-fio).

Ele observa ainda que o segmento de VoIP (voz sobre iP) também tem
recebido investimento. “Mas é preciso mostrar que a sua solução é
melhor do que as outras existentes e ter contatos no mercado ao qual
++++vai vender seus produtos e serviços — no caso, no setor de
telecomunicações”, esclarece Ribeiro.

O mercado, no entanto, é variado. Por exemplo: em 2006, o fundo CRP
investiu em uma empresa de automação comercial e bancária e em outra do
segmento de placas eletrônicas, informou Clovis Meurer, diretor do
fundo de private equity e venture capital.

Como a empresa é avaliada?

Meurer afirma que o primeiro passo quando se vai escolher uma empresa para injetar capital é avaliar a gestão do negócio. “Depois de ter uma avaliação positiva desse empreendedor, avaliamos os aspectos relacionados ao produto: qualidade, demanda, utilização massificada e escalabilidade. Além disso, só entramos em um negócio cujo potencial de crescimento seja grande e cujos produtos tenham também mercado internacionalmente”, enumera.

Outro diferencial é ter tecnologia proprietária, pois, além de ser mais lucrativa, não há restrições contratuais e pagamento de royalties. No caso de utilizar tecnologia aberta, o inconveniente é o maior número de concorrentes, o que reduz os ganhos em qualidade. “Neste caso, seria preciso buscar os dividendos na logística de entrega, compra de material e mudanças no processo produtivo para ter uma margem boa no negócio”, observa Meurer.

Como faço para formalizar minha empresa?

Segundo Rigueira, da ABVCAP, há consultores que fazem esse tipo de trabalho. Ele indica o C.E.S.A.R., no Recife, a própria Fundação Getúlio Vargas, o Instituto Gênesis, da PUC-Rio, o Sebrae e consultorias independentes — algumas delas estão no próprio site da ABVCAP.

Quem são os investidores de TI?

Entre investidores interessados em empresas de tecnologia estão Advent, BNDESPar, CRP, DGF Gestão, Dynamo Venture Capital, e-platform, Gávea Angels, Intel Capital, JB Partners, Votorantim Novos Negócios e RioBravo.

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