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Os prós e contras do bloqueio de celular

Liberdade de escolha e tarifas mais baixas de roaming são algumas das vantagens do desbloqueio. Para usuários corporativos, no entanto, nem sempre é conveniente

Por Redação da PC WORLD

16/08/2007 às 18h58

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Liberdade de escolha e tarifas mais baixas de roaming são algumas das vantagens do desbloqueio. Para usuários corporativos, no entanto, nem sempre é conveniente

A operadora móvel de Kristen Dennis não oferecia um brilhante celular Motorola Razr rosa que ela desejava, no entanto, há 18 meses. Enquanto isso, Andy Abramson freqüentemente viaja para o exterior e pagava muito caro pelas tarifas de roaming internacional.

Ambas resolveram seus problemas com a oferta de celulares desbloqueados. As operadoras de telefonia móvel, particularmente nos Estados Unidos – mas no Brasil também – freqüentemente bloqueiam os aparelhos que vendem de forma que eles só funcionem na rede da própria operadora.

Celulares desbloqueados, no entanto, já estão disponíveis no mercado e permitem que o usuário troque mais facilmente de operadora e tenha acesso a mais recursos do modelo do que aqueles oferecidos por algumas companhias.

Dennis, uma executiva de contas de uma empresa de relações públicas de Washington, afirmou que foi muito fácil adquirir um aparelho desbloqueado. “O único problema no começo era a transmissão de mensagens de texto”, lembra.

“Você tinha de inserir alguns códigos da Cingular (sua operadora), por isso eu entrei em um fórum online, consegui os códigos e resolvi o problema. Isso me tomou cerca de meia hora”, afirmou.

Adquirir novos e desbloqueados celulares – ou mesmo desbloquear os atuais modelos – é algo perfeitamente legal nos Estados Unidos, embora não seja comum como em outras partes do mundo, mais notadamente na Europa Ocidental. Lá, países como a Bélgica sequer permitem a venda de aparelhos bloqueados.

No entanto, embora comprar celular desbloqueado ou desbloquear um modelo já comprado pode reduzir custos e garantir outros benefícios ao consumidor, isso nem sempre é algo fácil de fazer e também não garante vantagens para todas as pessoas.

Superando obstáculos

O mais óbvio impedimento para usar celular desbloqueado é que a opção só está disponível para aqueles que assinam um serviço baseado no padrão GSM de telefonia móvel. Nos Estados Unidos, isso significa apenas clientes da AT&T e da T-Mobile, mas no Brasil envolve todas as operadoras.

Telefones que se conectam nesse padrão carregam as informações da rede e dos assinantes nos Módulos de Identidade do Assinante (Subscriber Identity Modules), que podem ser facilmente inseridos dentro do telefone. Se você possui um celular desbloqueado e troca de operadora, você simplesmente tira o velho chip e coloca um novo.

Ao contrário, redes baseadas no padrão CDMA, como as usadas pela++++Verizon Wireless e Sprint Nextel (as maiores nos Estados Unidos), assim como a usada no Brasil pela Vivo, guardam as informações na memória do aparelho, o que, falando de forma prática, “tranca” o telefone em uma rede específica. Se você troca de operadora, precisa comprar um novo aparelho.

Existem muitas vantagens em desbloquear os celulares, entre as quais a simplicidade. “Eu compro os telefones e não quero esperar até que meu contrato acabe”, diz Abramson, que escreve o Blog VoIPWatch. Isso significa que ele pode adquirir um novo modelo sempre que quiser, sem ficar preso a um contrato de um ou dois anos.

Por exemplo, os modelos Walkman da marca Sony Ericsson são grande sucesso de vendas na Europa por conta de suas habilidades multimídia, mas poucos deles são vendidos pelas operadoras dos Estados Unidos. Da mesma forma, os modelos Touch, da HTC, e Prada, da LG, são sempre comparados ao iPhone da Apple, mas nenhum deles ainda é vendido nos Estados Unidos.

Outra razão para usar celulares desbloqueados é economizar dinheiro quando viajar para outro país. Operadoras americanas de celular normalmente cobram altas tarifas de roaming quando seus assinantes viajam para além de suas fronteiras.

Com um aparelho desbloqueado, no entanto, você pode comprar um SIM card no seu país de destino e pagar tarifas locais, tipicamente mais baratas.

“Estou viajando para Montreal esta noite, e a primeira coisa que eu farei é comprar um SIM card”, disse Abramson. “Ficarei lá por três dias. Não parece muito tempo, mas nesse curto período minha conta pode ultrapassar 200 dólares”, afirmou.

Um aspecto negativo na troca dos chips quando viaja é que seu número de telefone será outro nesse país, o que exige que você avise os familiares e amigos. Para executivos em viagem, entretanto, essa mudança tem certas vantagens, como nota Abramson.

“Você vai fazer chamadas locais quanto estiver em outro país e, se as pessoas desse local tiverem que chamá-lo, também terão que simplesmente fazer outra chamada local, ao invés de uma ligação internacional”, diz ele. “É uma questão de cortesia”, completou.

Como adquirir um celular desbloqueado

Assim como celular desbloqueado é algo completamente legal, as operadoras de telefonia móvel não têm obrigação de vendê-los ou de ajudá-lo a desbloquear seu atual aparelho.

No entanto, existem numerosas formas de obter um celular desbloqueado, de acordo com Evan Silbert, presidente da Warlox Wireless, que vende modelos desbloqueados e também desbloqueia aparelhos.

Por exemplo, as operadoras de celular dos Estados Unidos têm sido ++++lentas na adoção de alguns modelos da série N da Nokia, que contêm câmeras fotográficas de alta resolução e uma série de outros recursos não disponíveis em outros modelos. Em função disso, a Nokia abriu lojas próprias em Chicago e Nova York para vender esses modelos sem nenhum tipo de bloqueio.

Celulares desbloqueados também estão disponíveis em muitas outras lojas do varejo, assim como varejistas virtuais como Amazon e Buy.com e lojas especializadas.

Operadoras podem ou não ajudá-lo a desbloquear seu telefone. Um porta-voz da T-Mobile, por exemplo, afirmou que a companhia ajuda seus assinantes a desbloquear os aparelhos depois que suas contas já estiverem ativas por mais de 90 dias.

Mark Siegel, um porta-voz da AT&T, disse que a companhia vai ajudar os assinantes a desbloquear os aparelhos depois de cumprirem seus períodos de carência contratuais. No entanto, ele afirmou desconhecer a política da empresa caso o desbloqueio seja solicitado dentro do período de carência.

“Você precisa ser muito insistente se quiser ajuda de sua operadora de celular”, afirmou Derek Kerton, diretor da The Kerton Group, uma consultoria da área de telecomunicações.

“É preciso dar muitas voltas, mas ocasionalmente você pode conseguir alguma ajuda”, diz Kerton. “Você terá de ligar para o call center e explicar a todos os atendentes o que está se passando. Muitos deles nunca ouviram falar sobre desbloqueio”, afirma.

Eventualmente, no entanto, você pode encontrar um atendente que tanto lhe forneça o código para desbloqueio como as instruções sobre como utilizá-lo. O processo difere para cada pessoa.

Para muitos, uma opção mais fácil é usar os serviços de uma das muitas companhias que desbloqueiam celulares. O custo nos Estados Unidos varia de 20 a 100 dólares, de acordo com a complexidade do processo. Alguns modelos mais antigos são relativamente simples de desbloquear, enquanto alguns mais novos podem ser mais complexos.

Sempre vale a pena?

Uma razão para que os celulares desbloqueados não sejam muito comuns nos Estados Unidos é que a liberdade que eles oferecem tem um preço. Por exemplo, a Cingular vende o modelo BlackJack da Samsung por 99 dólares em um contrato de dois anos. No entanto, se o usuário quiser comprá-lo no varejo pela internet o preço chega a 328 dólares.

A diferença de preço é resultado do subsídio da operadora para atrair novos usuários, uma prática comum tanto nos Estados Unidos como no Brasil. “Quando uma operadora subsidia um aparelho, ela tem o direito de bloqueá-lo durante o período de carência do contrato”, diz Kerton. “Mas isso é como alugar um carro por dois anos e a locadora estabelecer um acordo com a Shell e definir onde você vai abastecê-lo”.++++Outro fator que desestimula o desbloqueio, particularmente para usuários corporativos, é o volume de inconveniências que isso pode gerar, defende Kerton. “Se uma companhia tem pessoal viajando para o exterior e existe a opção de desbloquear o celular e colocar um SIM card, nem sempre isso vale a pena”, afirma ele.

“De verdade, as empresas podem economizar dinheiro, mas qual o preço de fazer um funcionário procurar uma loja, comprar o chip, abrir o telefone e aplicá-lo? Isso pode gerar confusões e inconveniências que a área de TI não deseja e muito menos os viajantes. É difícil obter retorno do investimento nesse caso”.

Uma estratégia mais adequada, na avaliação de Kerton, é que as companhias negociem melhores preços de roaming com suas operadoras de celular. Mesmo assim, algumas grandes corporações americanas usam celulares desbloqueados.

Para Abramson, os benefícios do desbloqueio de longe superam qualquer desvantagem. “Como usuário, eu não tenho que mudar meus hábitos para me adequar a uma operadora”, diz ele.  “Eu posso manipular o aparelho e usar todos os seus recursos sem a cooperação da operadora”, afirmou.

Por David Haskin-Computerworld, EUA

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