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Projeto nacional dá esperanças ao futuro da energia solar

Em setembro, serão entregues os primeiros módulos de energia fotovoltaica da planta-piloto e a previsão é produzir 200 sistemas até maio de 2008

Por Camila Rodrigues, da PC WORLD*

24/08/2007 às 11h50

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Em setembro, serão entregues os primeiros módulos de energia fotovoltaica da planta-piloto e a previsão é produzir 200 sistemas até maio de 2008

O casal de pesquisadores, Adriano Moehlecke e Izete Zanesco, do Rio
Grande do Sul, começou a desenvolver em 2004 uma planta-piloto para a
produção industrial de módulos fotovoltaicos, placas que absorvem
radiação solar e a convertem em eletricidade. O produto desenvolvido,
segundo Moehlecke, utiliza processos e matéria-prima que reduz o preço
dos módulos em até 15%.

Em setembro, serão entregues os primeiros módulos, com previsão de produzir 200 sistemas até maio de 2008.

Certificada a
qualidade, o passo seguinte será atrair empresas interessadas em
realizar a produção industrial dos módulos. Petrobras, Eletrosul e Companhia Estadual de Geração e
Transmissão de Energia Elétrica - RS (CEEE-GT) têm prioridade por serem parceiros do projeto, mas nada impede que
outros investidores e empresários negociem a participação no novo
negócio.

O projeto está sendo realizado no Núcleo
Tecnológico de Energia Solar (NT-Solar), da Faculdade de Física da
Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS).

Até o momento, no entanto, não existe nenhuma empresa que ofereça
esta tecnologia em escala industrial. Isto porque a Agência Nacional de
Energia Elétrica (Aneel) começou a regulamentar a geração de energia
elétrica com fontes intermitentes (energia solar fotovoltaica e
eólica) somente em 2004, com a resolução
083
.

Este documento estabelece que o fornecimento de energia por estes
sistemas deve ser feito em corrente alternada e tensão igual à usada
nos sistemas de distribuição convencionais. Além disso, as
concessionárias que decidirem pela utilização desta opção tecnológica
deverão apresentar projeto para aprovação da Aneel, contemplando
aspectos técnicos dos sistemas, procedimentos para leitura e
faturamento.

Independentemente da burocracia brasileira, implantar sistemas de abastecimento de energia
fotovoltaicos ainda não é tão comum em outros países do mundo devido
ao seu alto custo, conforme informa o professor de energia solar
Ricardo Rüther, da Universidade Federal de Santa Catarina. “Uma casa
com uma conta de aproximadamente 100 reais precisará de um sistema de
dois quilowatts de potência, que custaria em torno de 14 mil dólares”.

O preço médio do watt fica entre 4 e 5 dólares, cerca de cinco vezes
mais caro do que o hidrelétrico, e o desempenho varia de acordo com os índices
de incidência solar de cada região.

O pesquisador Adriano Moehlecke acredita, mesmo assim, a energia
solar pode ser responsável por até 30% do abastecimento de qualquer
país, no futuro. Com garantia de fábrica de 25 anos, o equipamento
desenvolvido por ele e a esposa custa cerca de 6 mil dólares e é
instalado em uma área de aproximadamente 10 metros quadrados no telhado
do imóvel.

Até o fim do projeto, terão sido investidos 6 milhões de reais, dos
quais 2,6 milhões de reais aportados pela Financiadora de Estudos e
Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência e
Tecnologia.

Porém, com a preocupação mundial em relação ao aquecimento global e
o maior investimento em fontes de energia renováveis, este cenário deve
mudar. Segundo o Worldwatch Institute e o Prometheus Institute, nos
Estados Unidos, a capacidade instalada de empreendimentos solares
aumentou 50% em 2006, atingindo 5 mil MW, no rastro do forte
crescimento em Alemanha e Japão, e entre os anos 2000 e 2006, a
produção de energia solar cresceu seis vezes.

Dados divulgados pela Finep mostram que o mercado de energia solar
movimentou cerca de 15 bilhões de dólares em 2006. A capacidade de
produção de todos os módulos vendidos ao redor do mundo no ano passado
foi de 2.536 megawatts, o que equivale a 15% da potência de Itaipu,
hidrelétrica responsável por 30% do abastecimento brasileiro.

Na União Européia, a meta é que, até 2020, 20% da energia utilizada
seja renovável, o que inclui fontes alternativas, como a solar, eólica
e biomassa. "Se a energia solar conseguir 5% desse bolo, a procura por
módulos fotovoltaicos será enorme", prevê Adriano. Hoje, a demanda na
Europa já é maior do que a oferta. "A Alemanha, Espanha e Itália
importam 45% do que é consumido, e só não compram mais porque não há
produção industrial suficiente", afirma o pesquisador.

No Brasil, a luta é para montar uma primeira indústria. O objetivo é
ter uma empresa que, até 2015, produza 100 megawatts ao ano. "Se
conseguirmos, ela estará entre as 20 maiores do mundo", prevê o
pesquisador.

Não tem eletricidade, mas tem sol

Se nas áreas cobertas pela rede elétrica o preço da energia solar
ainda assusta, para as regiões mais afastadas trata-se de uma
alternativa viável. Segundo dados do Ministério das Minas e Energias,
existem cerca de 10 milhões de brasileiros vivendo em localidades sem
energia elétrica, a maioria no estado do Amazonas e no Centro-Oeste. Em
vários casos, a utilização do sistema fotovoltaico é mais econômica do
que a extensão da rede convencional.

Um projeto piloto implantado pela Eletronorte em comunidade isolada
de Xapuri, no Acre, será analisado pela Aneel neste segundo semestre.
No local, foram implantados três sistemas: um em corrente alternada, um
em corrente contínua e um misto (corrente alternada e corrente
contínua), e esta análise, afirma a Aneel, servirá para apontar
necessidades de aperfeiçoamento.

*Com informações da Finep

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