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Google suspende testes com publicidade em comunidades do Orkut Brasil

Após denúncias de links patrocinados associados a páginas criminosas, empresa reavalia ferramenta, conta diretor de comunicação

Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!

28/08/2007 às 18h22

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Após denúncias de links patrocinados associados a páginas criminosas, empresa reavalia ferramenta, conta diretor de comunicação

Diante das denúncias da ONG Safernet de que links patrocinados estavam sendo exibidos em comunidades criminosas no Orkut, o Google optou por interromper temporariamente os testes com publicidade na rede social associados a comunidades brasileiras, segundo Carlos Felix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil.

O executivo enfatizou que o sistema estava em fase de testes no Brasil - a empresa também testa a integração do AdWords com o Orkut na Índia e nos Estados Unidos -, e que os anúncios apareciam em menos de 1% das comunidades da rede social em português. “Vamos reavaliar a ferramenta, pois a idéia é que os anúncios só apareçam em comunidades relevantes e com conteúdos apropriados”, assegurou o executivo.

A Safernet reportou ao Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), em São Paulo, ter encontrado anúncios de pet shops, por exemplo, em comunidades do Orkut que incitavam maus-tratos contra animais e anúncios de serviços de conteúdo por celular em páginas com imagens de crianças sendo abusadas sexualmente.

Segundo Ximenes, a ferramenta selecionava, neste período de testes, comunidades de forma randômica e associava anúncios a elas por meio de palavras relevantes, o que levou aos “incidentes” reportados pela SaferNet.

O diretor afirmou que além de reformular o sistema para garantir que os anúncios apareçam apenas em contextos adequados, a companhia está empenhando todos os seus esforços para garantir que as comunidades criminosas sejam retiradas do ar o mais rápido possível e que os dados sejam preservados para que possam ser acessados mediante requisição da Justiça.

“Temos feitos todos os esforços possíveis. É uma questão que nos aflige moralmente”, afirmou o diretor. De acordo com ele, o Google emprega mais de 80 profissionais que falam português nos Estados Unidos para monitorar o Orkut.

A empresa fechou acordos com os Ministérios Públicos Estaduais de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Pernambuco e com o Ministério Público Federal no Ceará, dando acesso a uma ferramenta para reportar conteúdos indevidos com maior agilidade.

De acordo com Ximenes, a ferramenta já foi aprimorada por solicitação dos oficiais que a utilizam e as comunidades e perfis marcados para avaliação por meio dela são analisadas em questão de horas.

Já as denúncias feitas por usuários - por meio da ferramenta disponível para qualquer membro da rede social - são avaliadas em menos de 48 horas, assegurou Ximenes - apesar das alegações da SaferNet de que as comunidades pedófilas ainda permanecem uma média de 8,3 dias no ar. Ainda de acordo com o executivo, apenas 8% do conteúdo reportado como indevido de fato o é.

O executivo contesta os números da Safernet, que divulgou na última semana um relatório apontando que coletou mais de 45 mil páginas diferentes acusadas de prática de crimes contra os direitos humanos na internet, sendo 93,7% relativos a comunidades e perfis no Orkut. A cada dez páginas deste tipo, quatro são de pornografia infantil.

Segundo a ONG, no período de janeiro de 2006 a junho de 2007, o Google retirou do ar 52,2% das comunidades de pedofilia denunciadas no Orkut, sendo que 15,3% foram retiradas pelos próprios usuários e 32,4% ainda permanecem ativas.

“É claro que nenhum número é satisfatório, tem que ser zero”, reconhece Ximenes, apontando, no entanto, que os dados são discrepantes daqueles registrados pelo Google. O executivo não apresentou, contudo, dados para rebater aqueles apresentados pela ONG.

Mas de acordo com ele, os esforços para combater os crimes na rede social, especialmente o de pornografia infantil, serão reforçados em breve, por meio de alianças com organizações especializadas no combate à pedofilia e novas ferramentas tecnológicas.

“Estamos trabalhando em tecnologias de filtros, mas a comunidade pedófila é muito bem preparada - tem jargões próprios e linguagens cifradas. Por isso estamos trabalhando também com organizações especializadas”, disse o diretor.

Ele acenou ainda com a possibilidade de que a empresa atenda uma demanda antiga do Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP), que já encaminhou mais de 233 pedidos de quebra de sigilo de comunidades e perfis criminosos de brasileiros no Orkut à Justiça Federal: a de que a subsidiária brasileira responda pelas solicitações judiciais.

Hoje o Google Inc. recebe e responde as solicitações por meio de um procurador legal no País, o Dr. Durval de Noronha Jr. Segundo o MFP-SP, esse procedimento torna o processo menos ágil, além de não imputar as devidas responsabilidades à subsidiária brasileira da companhia, que está sujeita à legislação do País.

Depois de dois anos alegando que os dados referentes ao serviço estão hospedados nos Estados Unidos e que por isso apenas o Google Inc. pode responder por eles, a companhia pode passar a usar o Google Brasil como canal de relacionamento com a Justiça brasileira, segundo Ximenes. “É o caminho natural”, afirmou ele.

Ximenes afirmou ainda que a companhia tem interesse em fazer acordos de cooperação com o MPF-SP, com a SaferNet ou com qualquer entidade que possa colaborar para tornar a navegação no Orkut mais segura.

Da população de 68 milhões de usuários da rede social, cerca de 55% são brasileiros, segundo Ximenes.

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