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Wi-Fi, WiMax, Wi-Mesh, 3G… Navegação sem amarras

Banda larga wireless é aposta para popularizar o acesso à web e oferecer mobilidade

por Ceila Santos, especial para a PC WORLD

24/09/2007 às 16h45

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fio_tesoura150"Minha vida era um caos quando não tinha notebook”, comenta José Gonçalves, profissional autônomo na área de engenharia de produção, que já chegou a levar o computador portátil até para a balada paulistana.

A virada não foi motivada exatamente pela aquisição do portátil, que aconteceu há mais três anos – hoje, ele já tem três laptops das marcas Sony e Apple. A grande mudança ocorreu por conta da internet sem fio. “Preciso estar plugado sempre porque meu trabalho exige respostas rápidas e pode afetar o negócio da empresa que me contrata”, revela.

Gonçalves é um assíduo freqüentador de hotspots, assim como mais de 20 milhões de pessoas espalhadas pelo mundo, de acordo com a consultoria norte-americana Jwire. Estima-se que há mais de 130 mil hotspots espalhados por 115 países e a tendência é multiplicar de forma exponencial.

No Brasil, a Vex é a principal detentora de hotspots, com mais de 1,1 mil pontos de acesso espalhados em diversas localidades. O foco da empresa é oferecer os hotspots a prestadores como Claro, Brasil Telecom e Oi, responsáveis pela oferta do serviço ao usuário.

O custo de acesso pode ser pago pelo uso (cartão a partir de 10 reais) ou de forma ilimitada, cujos pacotes variam de 40 reais até 60 reais, dependendo da prestadora de serviço.

Mas há muitos hotspots gratuitos. Gonçalves, por exemplo, não costuma pagar seu acesso à internet. E os notebooks facilitam esse crescimento. Marcos Ferraz, gerente de marketing da Vex, afirma que, somente este ano, o mercado prevê vender pelo menos 800 mil notebooks, o que deverá refletir no número de usuários de hotspots no Brasil.

O volume de vendas dos portáteis com custo entre 1.600 reais e 2.000 reais atingiu uma participação de 39% das vendas dos equipamentos portáteis no primeiro trimestre de 2007. Ano passado, eles representavam apenas 19%. Na faixa de preço entre 2.000 reais e 2.400 reais, os laptops passaram de uma participação de 18% para 35%.

Não há dúvidas de que os hotspots no Brasil ainda deverão crescer muito, mas a grande aposta dos especialistas está no acesso à internet que permite ao usuário ficar plugado em qualquer lugar e a qualquer hora. É a chamada banda larga móvel oferecida, geralmente, pelas operadoras de telefonia móvel.

Desafios de acesso rápido móvel
O problema dessa tecnologia é o fato de que a banda larga móvel das operadoras está bem abaixo da conexão oferecida pelos hotspots. Enquanto as operadoras permitem o acesso à internet com velocidades entre 140 Kbps a 2,4 Mbps, as redes Wi-Fi variam entre 11 Mbps até 54 Mbps.

Ou seja, o usuário ganha mobilidade, mas perde velocidade quando contrata o serviço de internet da telefonia móvel. É por isso que muitos especialistas afirmam que a banda larga da telefonia celular será complementar às tecnologias sem fio, como Wi-Fi e Wi-Max.

Hoje, o padrão WiMax disponível no mundo permite velocidades de até 75 Mbps, mas ainda não oferece mobilidade. A expectativa é de que a nova versão do Wi-Max, homologada no final de 2005 pelos órgãos mundiais de padronização, tenha a mesma mobilidade que as tecnologias chamadas de terceira geração da telefonia móvel, o que deverá refletir numa certa competição na hora em que os prestadores de serviços tiverem que tomar a decisão tecnológica para oferecerem a banda larga móvel ao usuário.++++
fio_tesoura150Com isso, é como se uma cidade inteira virasse um grande hotspot. Essa competição pode, ou não, refletir para os brasileiros. Tudo vai depender dos critérios impostos pela Anatel para o leilão das freqüências que suportam os padrões 3G e WiMax, além do poder de capital dos interessados pela disputa dessas freqüências.

A Neovia, uma das empresas que já utiliza uma das versões do WiMax, oferece o serviço de banda larga sem fio no âmbito residencial ou empresarial. Mas o presidente da empresa, Maurício Coutinho, já divulgou que participará do novo leilão do WiMax (suspenso pela Anatel e sem previsão oficial de data para acontecer) com objetivo de oferecer banda larga móvel fora das residências, assim como a Vivo, Claro, Tim e Oi já oferecem o acesso à internet para celulares, smartphones ou computadores portáteis.

O que não falta são especialistas que apostam no potencial do WiMax móvel, cujos equipamentos finais ainda nem estão disponíveis no mercado. Estudo divulgado pela consultoria Frost & Sullivan mostra que o WiMax tem o potencial de levar serviços de banda larga e voz sobre IP a aproximadamente 2,8 milhões de usuários brasileiros até 2010.

De qualquer forma, o leilão da terceira geração está mais avançado, já que a Anatel acaba de colocar o edital de licitação em consulta pública. Caso seja aprovado o edital, que prevê até metas de universalização para as cidades ainda excluídas do mapa da inclusão digital, o leilão da 3G pode acontecer ainda este ano.

Uma das novidades que o leilão da 3G pode trazer para o Brasil é a tecnologia UMTS/HSDPA, que já foi adotada por mais de 69 países, tem 250 modelos de terminais disponíveis e 117 milhões de usuários no mundo, de acordo com a entidade 3G Americas, que defende o uso do padrão na telefonia móvel.

Tendência
Enquanto os leilões previstos pela Anatel ficam apenas no papel, a indústria aproveita as faixas não-licenciadas para testar os padrões WiMax, Wi-Fi e Wi-Mesh em parceria com órgãos públicos para oferecer internet móvel em localidades que têm carência de redes de acesso à internet.

O caso mais famoso é Piraí, interior do Rio de Janeiro, que em 2005 foi reconhecida em Nova York como um dos sete melhores projetos de tecnologia de comunicação do mundo. Os 23 mil habitantes da cidade têm acesso a serviços online e à internet de alta velocidade sem fio por meio da interligação dos órgãos públicos.

José Trindade Xavier, dono da fábrica Chico Doceiro, é um dos beneficiados desses projetos de inclusão digital, também conhecidos como cidades digitais. Ele é usuário da internet sem fio desde o ano passado, na cidade de Tiradentes, interior de Minas Gerais, onde trabalha com mais dois funcionários e produz 1,2 mil unidades de doces e 50 potes diários.

O projeto, que utiliza a tecnologia Wi-Mesh (com alcance de até 500 metros e freqüência de 2,4 GHz), é resultado da parceria entre a fabricante Cisco e o Ministério das Comunicações, entre outras empresas.

Xavier não paga pelo acesso à internet sem fio. “Precisei apenas comprar uma placa”, conta. Antes, ele chegava a gastar em torno de 300 reais, na fatura telefônica porque tinha acesso discado.++++
fio_tesoura150Agora, com uma velocidade de até 54 Mbps, ele resolveu montar um site para receber encomendas de outras praças através do e-mail. “Meu sobrinho está montando a página para mostrar nossos doces para o mundo”, comemora.

A diferença entre Xavier e Gonçalves é que quando o paulistano quer acessar a internet fora dos hotspots, ele precisa conectar seu notebook ao modem de banda larga da Telefônica, que cobra uma mensalidade pelo acesso à internet residencial em alta velocidade.

Ou, caso ele decida adquirir o serviço da Vivo, poderá plugar seu notebook onde tem cobertura de banda larga da operadora. Já Xavier tem o acesso à internet sem fio tanto na sede da fábrica como em sua casa sem pagar nada pelo serviço.

O foco desses projetos de inclusão digital é oferecer acesso à internet às escolas e órgãos públicos, que interligados passam a disponibilizar uma cobertura em todo município, atingindo assim a população. A oferta passa a ser gratuita porque as
prefeituras não têm outorga de prestadores de serviços de telecomunicações, mas podem selar parcerias com essas empresas e passar a cobrar pelo serviço de banda larga, ou de voz sobre IP.

Outra demanda que leva as prefeituras a investirem em redes Wi-Fi ou WiMax é a carência de cobertura da banda larga oferecida pelas operadoras, além da redução de custos de telecomunicações.

Segundo Eduardo Stéfano, diretor da área de Networks & Enterprise da Motorola Brasil, a empresa já instalou mais de 10 mil pontos de acesso de banda larga sem fio na freqüência 5,7 GHz (não-licenciada) com padrão 802.16. Entre os projetos de inclusão digital destacam-se o da prefeitura de Macaé (RJ), Foz do Iguaçu (PR) e Porto Alegre (RS). “O WiMax vai proporcionar um salto quântico na qualidade de oferta dos serviços”, destaca o executivo.

Susélide Cristina Tenani, diretora da Empresa Municipal de Processamento de Dados da Prefeitura de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, conta que o projeto que interliga 170 unidades públicas por meio da rede Wi-Fi, envolvendo escolas e postos de saúde, suprirá a ausência de acesso à internet nas periferias. “Hoje, muitas escolas têm o acesso à internet por meio do Speedy (banda larga da Telefônica), mas há unidades que estão localizadas fora da cobertura das operadoras”, explica.

O projeto, que tem o apoio do CPqD, permite conexões de 128 Kbps até 256 Kbps, mas com a migração da rede Wi-Fi para WiMax na freqüência 5,8 GHz, as velocidades serão de 512 Kbps até 2Mbps. O projeto não tem a intenção de oferecer acesso à internet sem fio gratuito a toda sociedade, mas já disponibiliza o acesso em diversos telecentros e laboratórios de informática de graça para população.++++
fio_tesoura150Regulamentação e tecnologias
O celular, rádios amadores e as babás eletrônicas, entre outros equipamentos, só conseguem ser meios de comunicação sem fio porque utilizam o espectro de radiofreqüência. No Brasil, o espectro é regulamentado e fiscalizado pela Anatel.

Maximiliano Salvadori Martinhão, gerente-geral de Certificação e Engenharia de Espectro da Anatel, explica que há faixas de freqüências que não exigem licenças pelo uso. É o caso das faixas 2,4 GHz e 5,8 GHz , onde funcionam tecnologias sem fio como o padrão Wi-Fi e o WiMax, respectivamente.

O padrão Wi-Fi é reconhecido pela tecnologia 802.11, enquanto o WiMax opera no padrão 802.16. As principais diferenças entre eles são a distância de acesso entre as antenas sem fio e a velocidade da conexão. O Wi-Fi permite acesso inferior a 100 metros de distância, enquanto o WiMax promete até 50 quilômetros de cobertura.

A versão mais utilizada do padrão Wi-Fi permite hoje velocidades de até 54 Mbps. Já o WiMax é menos veloz e prevê velocidades de até 75 Mbps. Muitas prefeituras em parceria com fabricantes ou operadoras estão testando o WiMax na faixa de 5,8 GHz, além do Wi-Fi na faixa 2,4 GHz. A mistura dessas tecnologias permite criar as tais cidades digitais, que também podem funcionar no padrão Wi-Mesh, em ambas freqüências não-licenciadas.

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