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Sistema permite que qualquer câmera digital tire fotos em gigapixels

Dispositivo robótico de baixo custo produz imagens em formato panorâmico

Por Redação da PC WORLD

26/09/2007 às 12h46

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Foto:

gigapan150Pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, em colaboração com cientistas do Centro de Pesquisa Ames da Nasa, construíram um dispositivo robótico de baixo custo que permite a qualquer câmera digital gerar imagens panorâmicas no formato gigapixel (bilhões de pixels) denominadas gigapans. O projeto está em fase de beta testes.

A tecnologia deve fornecer às pessoas uma nova maneira de produzir e distribuir imagens. Atualmente, ela vem sendo utilizada por estudantes para documentar suas respectivas comunidades bem como tornar imagens relacionadas à Guerra Civil norte-americana disponíveis na internet.

Para estimular o compartilhamento desse banco de imagens, a Carnegie Mellon colocou no ar um site público no qual pode-se carregar e explorar de forma dinâmica imagens panorâmicas em qualquer formato.

Em colaboração com o Google, os pesquisadores também criaram uma ‘versão’ do Gigapan no Google Earth, a partir do qual se pode navegar nas imagens panorâmicas relacionadas.

gigapan01

gigapan02A figura acima mostra uma gigapan (clique aqui para ver a imagem original).
O círculo vermelho mostra um detalhe, que foi reproduzido na imagem ao lado. Navegar no Gigapan é tão simples quanto no Google Earth.

O hardware gigapan consiste em um dispositivo robótico desenhado e produzido em parceria com o Charmed Labs, do Texas. O dispositivo se acopla à câmera digital como um tripé, permitindo que ela possa capturar centenas de imagens sobrepostas, seja de uma paisagem, construções ou mesmo ambientes internos.

Essas imagens são então combinadas de tal forma pelo software desenvolvido pela universidade e pelo centro de pesquisas da Nasa, resultando em uma imagem panorâmica única, formada por dezenas de bilhões de pixels.

Cada um desses arquivos pode então ser explorado de diversas formas permitindo, por exemplo, a ampliação de partes específicas, como se faz hoje com as imagens no Google Earth.

“Pegamos as imagens e as convertemos em uma nova ferramenta de exploração e ampliação do conhecimento global”, diz Illah Nourbakhsh, professor associado do Instituto de Ciência da Computação e Robótica da Carnegie Mellon, que junto com Randy Sargent, cientista de sistemas sênior da universidade, lidera o projeto Gigapan.

“Uma simples foto é capaz de romper a barreira da linguagem, mas o Gigapan proporciona muito mais informação, não só de quem capturou as imagens, mas também para as pessoas que vão explorar cada um de seus detalhes”, acresenta Nourbakhsh.

O pesquisador e seus colegas estão trabalhando com o International Bureau of Education da Unesco e sua rede de escolas associadas em um projeto que vai conectar estudantes de diversas partes do mundo para explorar problemas de identidade cultural.

Estudantes do ensino médio vão utilizar uma câmera Gigapan para compatilhar imagens que ilustrem suas respectivas vizinhanças, modo de vida e cultura, como forma de ampliar o conteúdo curricular do ponto de vista local para um nível global.

Paralelamente ao trabalho educacional, Nourbakhsh e Sargent enxergam o sistema Gigapan como uma importante ferramenta para os ecologistas, biólogos e outras área do conhecimento.

Nourbakhsh espera que o site Gigapan ajude a construir e desenvolver uma comunidade de pessoas interessadas em desenvolver e utilizar tipo de conteúdo panorâmico.

“Não estamos interessados em torná-lo apenas mais um site de compartilhamento de imagens. Queremos ter um grande número de pessoas envolvidas. O Gigapan não mostra apenas a visão da pessoa que capturou a imagem; quem explora essas imagens pode fazer descobertas tão importantes quanto a própria imagem”, completa o pesquisador.

Sargent imaginou o Gigapan quando fez parte da equipe técnica do Centro de Pesquisas Ames, ajudando no desenvolvimento de um software para combinar para o formato panorâmico as imagens obtidas pela Nasa com o projeto de exploração de Marte.

Ele se convenceu de que esta mesma tecnologia poderia abrir os olhos das pessoas para a diversidade existente em nosso planeta. “É extremamente importante dar às pessoas uma visão mais ampla do mundo, em particular ajudando-as a compreender diferentes culturas e ambientes, em vez de mantê-las cegas, enxergando apenas o que está a seu redor”, diz Sargent.

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