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Monte uma lan house: dicas para localização, segurança e muito mais

Dicas para escolher hardware e software e montar a rede de computadores

Por Nando Rodrigues, da PC WORLD

09/10/2007 às 11h33

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lanhouse_150Estima-se que existam mais de 6 mil lan houses atuando no Brasil, número que ainda deve crescer em função da ainda baixa penetração de computadores nos lares brasileiros.

Estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas mostra que o Brasil tem 40 milhões de computadores em uso. Isso dá algo como um PC para cada grupo de quatro brasileiros. Nada mal, não fosse o fato de que a maior parte destes equipamentos está nas empresas, o que torna a exclusão digital muito maior.

Nesse cenário, o negócio de lan houses se configura promissor, seja como uma opção de lazer, que entrega aos aficionados um ambiente de alta tecnologia onde podem jogar em grupo, ou como uma alternativa de acesso a quem não possui um PC.

Atendendo a pedidos de leitores, vamos mostrar o que deve ser levado em conta na hora de montar um negócio como este.

LOCALIZAÇÃO – Deve-se avaliar o número de habitantes, a existência de concorrentes e, se possível, o número de casas com acesso à web e até banda larga.

HARDWARE – Para quem está começando, uma boa média é pensar entre 8 e 12 máquinas. Ampliações devem ser feitas com recursos gerados pelo próprio negócio e apenas se houver demanda. A configuração dos equipamentos depende de dois fatores: recursos disponíveis e o público que se quer atender. Para quem deseja oferecer acesso à web, PCs mais básicos dão conta do recado.

Porém, se a idéia é atender gamers, os equipamentos deverão trazer capacidade de processamento maior. Veja na tabela sugestões mínimas de configuração para cada uma destas situações. Com relação ao servidor, usado tanto para a hospedagem dos aplicativos, segurança e gestão da loja, pode-se utilizar um modelo básico. Saiba mais em www.pcworld.com.br/servidores.

REDE LOCAL – O desempenho geral das máquinas está relacionado à qualidade do equipamento utilizado, da memória dos PCs, do espaço para armazenamento no servidor e, principalmente, das características da rede local. Recomendamos escolher um switch de marca conhecida. Modelos baratos podem comprometer o desempenho de redes com mais de dez PCs. Uma rede sem fi o dará mais fl exibilidade para expansões futuras e a possibilidade de oferecer acesso a clientes com notebooks, smartphones e games portáteis que suportem acesso wireless.

WINDOWS OU LINUX ?– Para quem está entrando no negócio, a escolha da plataforma sempre gera dúvidas. Mauro Xavier, do Portal Criativa, desenvolvedor de aplicativos para lan houses, pondera que a palavra-chave é o público-alvo. “Para estabelecimentos que desejam oferecer os últimos lançamentos em jogos e títulos MMORPG (Massive Multiplayer Online Role Playing Game) de todos os gêneros, recomendo o Windows.

Quem busca economia e mais segurança pode optar pelo Linux, mas só vai encontrar títulos medianos ou antigos”, explica. Xavier lembra que ambas as plataformas têm vantagens e desvantagens. “A liberdade e economia do Linux são atraentes. Mas a maioria das pessoas está acostumada, à primeira vista, com a ‘praticidade’ do Windows.” Ele ressalta que a escolha do sistema operacional é um fator muito importante para os estabelecimentos de entretenimento digital. “Quem decide iniciar com o Windows precisa saber que o investimento é consideravelmente maior, além de exigir um cuidado especial com relação a pragas digitais, que podem comprometer seriamente a performance e confiabilidade das máquinas”, diz.

Em contrapartida, se o Linux não possui esse problema, apresentando um custo baixo e isenção quase total de vírus e pragas digitais, é preciso ressaltar que os funcionários devem estar prontos para auxiliar os clientes quanto às diferenças.

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SEGURANÇA – Não importa se Windows ou Linux. Vale escolher um bom firewall, e existem várias opções disponíveis no mercado. No link www.pcworld.com.br/seguranca, é possível encontrar um resumo sobre os principais pontos a serem abordados, com sugestões de aplicativos gratuitos. Uma política de backup é indispensável para o servidor (onde ficam os dados dos clientes, o sistema de gerenciamento, aplicações e jogos) e também para as estações, que devem ser recuperadas a cada nova sessão de usuário.

Considere um HD externo para armazenar estas informações e o uso de aplicativos como o Ghost (Symantec), no caso do Windows, e Partimage (www.partimage.org) ou Ghost4lin (www.pcworld.com.br/ghost4lin), na plataforma do pingüim. A segurança física não deve ser esquecida. Prenda os equipamentos fi rmemente às mesas, para evitar furtos. Deixar o gabinete inacessível também ajuda a evitar roubo de memória e periféricos.

GERENCIAMENTO – Na administração do negócio, quem optar pelo Windows pode usar, por exemplo, o gratuito VSCyber (www.vscyber.com) cujos módulos atendem a maior parte das necessidades diárias de quem administra um cibercafé ou lan house.

“Muitas empresas começam a operar com versões gratuitas de algum gerenciador (para lan houses e cibercafés), mas, assim que começam a enfrentar problemas operacionais, tratam de buscar soluções mais profissionais”, explica Gabriel Bittencourt, diretor da Kairius, desenvolvedora do software Odin, para administração de lan house. “Nosso cadastro de usuários pode registrar dados escolares do aluno e só permitir seu ingresso na lan house se ele estiver fora do horário das aulas”, diz. Quem usa Linux pode escolher entre o LanBr (Portal Criativa, www.portalcriativa.com.br) e OpenKiosk (http://openkiosk.sourceforge.net/) – entre outros, todos gratuitos.

APLICATIVOS – Qualquer que seja o cardápio de serviços oferecidos, a lan house deve proporcionar acesso a diversos browsers, ter um bom software de mensagens instantâneas e uma suíte de aplicativos de produtividade (como o Microsoft Office).

GAMES – Há inúmeras opções de jogos para lan houses, em versões pagas e gratuitas, tanto para Windows quanto Linux. A escolha do que oferecer dependerá do perfil do público, da capacidade de investimento e também do perfi l dos equipamentos, para evitar experiência frustrada dos usuários.

Dentre os gratuitos para Windows, destaque para o Gunbound; MU Online; The Duel; F.E.A.R Combat; e Tales of Pirates. Nos jogos pagos, destacamos o Ragnarok; Lineage 2; e World of Warcraft; as séries FIFA; Battlefi eld; Need for Speed; e Pro Evolution. Versões antigas como o Counter Strike 1.6 e o Warcraft 3 ainda têm muitos fãs. Na plataforma Linux, destaque para os gratuitos Enemy Territory; True Combat; Tremulous; Torcs; Racer; Regnum Online e World of Padwan. No segmento pago, vale citar Savage 2; Quake 4 e Unreal Tournament 2004.

INVESTIMENTO – Quem optar por iniciar um negócio com 11 PCs (dez estações mais o servidor) novos para acesso à web deve desembolsar entre 9 mil e 14 mil reais só na aquisição dos equipamentos. Estime o dobro disso para PCs que rodem jogos. Acrescente entre 30 e 500 reais por estação, para licenciamento dos jogos (dependendo dos títulos escolhidos).

Recomendamos começar com jogos gratuitos importantes e só comprar títulos pagos em função do faturamento e da demanda. Para estas máquinas, acrescente até 8,5 mil reais pelo Windows (em OEM) ou cerca de 2,5 mil reais para versões pagas do Linux, que inclui suporte para instalação e manutenção por empresas especializadas. A instalação da rede local (incluindo equipamentos) e o mobiliário devem acrescentar entre 2,5 mil e 3 mil reais ao projeto, dependendo das necessidades do local escolhido. Itens adicionais como impressora multifuncional, refrigerador, balcão e microondas aumentam a oferta de serviços e a comodidade dos usuários.

POLÍTICA DE PREÇOS – “Para poder pagar as contas e ter lucro, o preço deve oscilar entre 2 reais e 5 reais por hora. Abaixo disso, na verdade, cria efeito inverso: superlotação, diminuição da vida útil dos equipamentos, maior consumo de energia e prejuízo”, afirma Xavier, do Portal Criativa.

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