Home > Notícias

Proteção de cópia da Microsoft: é hora de corrigi-la ou abandoná-la

WGA comete equívocos e atrapalha vida dos usuários do Windows

Por Harry McCracken, da PC WORLD/EUA

09/10/2007 às 16h23

Foto:

windows_genuine_150O programa de vantagens do Windows genuíno (ou Windows Genuine Advantages, o WGA) não é só complicado. Ele é uma afronta a todos que pagaram à Microsoft pelos seus softwares.

Ajude-me. Não sou irrevogavelmente contrário a proteções de cópia. Os desenvolvedores de software têm o direito de serem recompensados pelo seu trabalho e de criarem mecanismos para proteger sua propriedade intelectual. OK, isso eu entendo.

Entretanto, a tecnologia anti-pirataria do WGA é capaz de transformar qualquer pessoa em um oponente hardcore das proteções de cópias.  Ainda mais depois de 24 de agosto, quando um bug no serviço de autenticações da Microsoft fez com que o WGA perdesse a capacidade de diferenciar uma cópia legítima do Windows de uma falsificada.

De repente, milhares de clientes da Microsoft viram mensagens informando-os de que o software que eles pensavam ser legítimo – e pagaram por ele como tal - era pirata! Pior ainda: o WGA, punitivamente, desativou o acesso a ferramentas como o Aero environment do Windows Vista e o acelerador ReadyBoost – alguns dos itens que a Microsoft tinha usado para induzir os consumidores a optarem pelo Vista.

Dezenove horas mais tarde, a empresa solucionou o defeito e os usuários puderam utilizar as ferramentas novamente. No final das contas, contudo, o pior inimigo da Microsoft nunca teria sonhado com uma maneira tão eficiente de expor as fragilidades fundamentais do WGA.

Esta não foi a primeira vez que a tecnologia causou dores de cabeça para quem usa o Windows. O WGA já era conhecido por cometer enganos e apontar usuários legítimos como usuários de cópias piratas. Foi postado nos próprios fóruns da Microsoft que atividades inofensivas – por exemplo, adicionar componentes ao PC ou fazer um upgrade de BIOS – podiam causar problemas.

E mesmo quando o WGA se comporta da maneira que esperávamos - funciona perfeitamente-, ele não é prático. Baixe itens do Windows e você terá que validar seu sistema operacional. Baixe um pouco mais de itens e terá que validá-los outra vez. O processo é especialmente chato para o Firefox.

Mesmo que o mercado da Microsoft para o WGA esteja em péssima fase, os clientes merecem um justo reconhecimento de que a empresa os está prejudicando em benefício dos seus lucros. Retóricas, afirmando que o WGA é um sistema de alerta para pessoas que compram cópias falsas sem saberem, não são suficientes.

Eles merecem mais do que isso.

Após a sobrecarga de agosto, o gerente de produtos do WGA, Alex Kochis, afirmou, em seu blog, que medidas estavam sendo tomadas para diminuir os danos – “isso não deve se repetir”. Qualquer proteção de cópia que acidentalmente retire dos usuários ferramentas pelas quais eles pagaram tem que ser reavaliada e refeita. A Microsoft deve aos seus clientes um WGA mais previsível e menos vingativo.

A opção de apagar

Certamente, os colegas de Redmond poderiam acabar com todos os problemas do WGA , eliminando a tecnologia toda de uma vez. Não acho que isso vá acontecer, mas podemos considerar a hipótese. A história mostra diversos exemplos de empresas que desistiram do controle de cópias: do Lotus, nos anos oitenta, ao Intuit, depois da temporada de impostos de 2003.

Todos os exemplos de produtos que não são mais assiduamente controlados têm duas características em comum: os próprios usuários deram sinais de que não estavam satisfeitos, o que levou as empresas a mudar a estratégia. Se eu fosse o CEO da Microsoft, Steve Ballmer, eu prestaria atenção ao fato de que não existe um programa de vantagens do Mac ou do Linux. E ouviria atenciosamente o que meus clientes têm a dizer sobre a proteção de cópia do Windows.

Tags

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail