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IPTV: tecnologia leva TV paga a usuários de banda larga

Conheça a tecnologia que pode reduzir custos e flexibilizar os conteúdos de TV paga e saiba por que ela ainda não decolou no Brasil.

Por Daniela Moreira, repórter do IDG Now!

17/10/2007 às 17h57

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tv_digital_150Televisão por assinatura no Brasil é privilégio para poucos. Estatisticamente, menos de 5 milhões de brasileiros - ou seja, menos de três em cada 100 - têm acesso à TV paga. Do ponto de vista geográfico, apenas 442 dos 5.564 municípios brasileiros são atendidos pelas prestadoras de serviços de cabo, satélite e outras tecnologias de TV por assinatura. O que é preciso para democratizar esses serviços? Para as operadoras de telefonia, a resposta tem quatro letras: IPTV.

A sigla quer dizer TV via protocolo de internet (Internet Protocol Television), o que, na prática, significa utilizar a infra-estrutura de rede voltada ao acesso em banda larga à internet para trafegar pacotes de vídeo. A definição não vale, contudo, que serviços de transmissão de vídeo como o YouTube ou os canais de vídeo de portais e emissoras de TV na internet.

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Embora o conceito seja parecido - trafegar vídeo via protocolo de internet -, alguns elementos diferenciam o que se convencionou chamar de IPTV dos serviços de streaming na web.

O primeiro deles é a forma como o conteúdo chega ao usuário. No IPTV, o usuário recebe o conteúdo no aparelho de TV, por meio de um conversor, da mesma forma que receberia o sinal em um serviço por assinatura convencional, via cabo ou satélite - e não pelo computador.

Outra diferença fundamental é a garantia de qualidade. Os prestadores de serviços de IPTV oferecem transmissão sem interrupção e com imagem de qualidade igual ou melhor à que chega na sua TV pela transmissão paga -, ao contrário dos vídeos na internet, que, muitas vezes trazem imagens em baixa resolução, pixelizadas (cheias de quadradinhos) e interrompidas por falhas na transmissão ou banda insuficiente.

Graças a esse conjunto de características, o IPTV se torna um produto natural - embora não exclusivo - para as operadoras de telecomunicações, que possuem a infra-estrutura necessária a sua oferta - as redes de banda larga, que chegam à casa dos usuários.

Este tipo de oferta já posicionou operadoras de telecomunicações de todo mundo como players na disputa pelo mercado de TV paga. Além da penetração garantida pela ampla infra-estrutura das redes das teles, o modelo oferece outras vantagens, como a oferta de conteúdos sob demanda que vão além das restrições de horários do pay per view, oferecendo uma TV genuinamente personalizável, e a interatividade, garantida pelos canais de comunicação direta com a operadora.

Segundo dados do DSL Forum, o número de assinantes de serviços de IPTV no mundo superou os 8 milhões em junho de 2007, crescendo 179% em um período de 12 meses. No Brasil, contudo, há entraves legais para que as operadoras possam assumir esse papel. A chamada Lei do Cabo, que rege a atuação das empresas de TV paga, proíbe que as teles atuem como provedoras de serviços de transmissão de TV similares aos serviços por assinatura oferecidos por cabo ou satélite nas suas áreas de concessão de telefonia fixa.

Ou seja, a Telefônica - que já oferece IPTV na Espanha e no Chile -, por exemplo, não pode prestar serviços de broadcasting de IPTV em São Paulo, onde atua como prestadora de serviços de telefonia fixa.

Segundo o analista sênior Júlio Püschel, do Yankee Group, a oferta de TV é fundamental para as operadoras brasileiras, não apenas como um serviço de valor agregado, mas principalmente como mecanismo de retenção dos clientes frente às ofertas triple play (internet, telefonia e TV) que estão sendo comercializadas com agressividade pelos provedores de cabo, como a NET. “Os cliente atraídos pelo triple play são justamente os de maior rentabilidade”, aponta Püschel.

Enquanto as leis não permitem a oferta de grades completas de programação contínua, operadoras brasileiras como a Oi/Telemar e a Telefônica testam o modelo de oferta de vídeos sob demanda. No último mês, a Brasil Telecom lançou o Videon, primeiro serviço de distribuição de conteúdo audiovisual sob demanda em banda larga do País.

Por um valor fixo mensal - 29,90 reais -, o cliente de banda larga da operadora contrata uma espécie de locadora virtual em sua televisão, com uma biblioteca de 500 horas de conteúdos audiovisuais, incluindo filmes, shows, seriados, treinamentos, programas infantis, documentários, entre outros.

“É uma solução inteligente, especialmente para o usuário que não quer pagar 60 reais ou 70 reais por um serviço de TV por assinatura”, opina o analista de telecomunicações da IDC Brasil Alex Zago.

Por enquanto, o serviço só está disponível em Brasília, mas em breve deve ser expandido para outras áreas de cobertura da operadora, que abrange 1,3 mil municípios, segundo Carlos Watanabe, diretor adjunto de desenvolvimento de negócios e vídeocomunicação da Brasil Telecom. Quanto à oferta de conteúdo em broadcasting, o executivo afirma: “É óbvio que temos essa aspiração, mas isso depende de questões regulatórias”.

O interesse das operadoras no broadcasting é justificável: estudos revelam que vídeo sob demanda - mesmo nos países onde o mercado é mais maduro - é um dos itens menos importantes para os potenciais clientes de IPTV. Segundo um estudo do Jupiter Research, feito em 2006, apenas 3% dos usuários ouvidos se interessavam por video on demand.

Em contrapartida, 52% dos participantes da mesma pesquisa trocariam seu provedor de TV por uma operadora de IPTV caso o serviço fosse mais barato. Essa é a razão pela qual os provedores de TV por assinatura combatem ferozmente a entrada das teles no mercado.

Com a oferta de pacotes convergentes - TV, internet e telefonia - que utilizam a mesma infra-estrutura, as operadoras teriam condições de competir agressivamente em preços, além de oferecer vantagens em cobertura. No entanto, os provedores alegam que a entrada “prematura” das teles no mercado poderá ser prejudicial ao próprio consumidor.

“A perspectiva é que os preços de TV por assinatura caiam em um primeiro momento, mas a competição com as teles pode reduzir o poder de investimento dos provedores de cabo para diminuir os preços em banda larga e telefonia, o que, no longo prazo, vai afetar o consumidor”, aponta Zago, da IDC.

Para o analista, está pode ser uma das razões pelas quais o governo não está se movimentando para avançar na criação e na aprovação de leis que permitam às operadoras atuar na oferta de TV paga. “A banda larga ainda cumpre um papel social mais importante que a TV por assinatura”, conclui o analista.

E assim como TV por assinatura, banda larga no Brasil  ainda é um privilégio para poucos: o País tinha apenas 6,5 milhões de acessos em alta velocidade em junho deste ano, segundo dados da IDC.

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