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Como dimensionar uma rede sem fio para até 20 PCs

Dúvida levantada por metalúrgica campineira pode ser útil para empresas em situação semelhante

Por Nando Rodrigues, da PC WORLD

29/10/2007 às 11h51

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Foto:

desktop_wireless_200Eduardo Constança, responsável pela área de Tecnologia da Informação da Greenpeças – Indústria de Peças e Equipamentos, localizada em Campinas (SP), enviou um e-mail destinado à seção PCWorld@Work solicitando ajuda para o dimensionamento de uma rede sem fio que deseja implementar em sua empresa.

Ele explica que a idéia é oferecer acesso wireless a dois galpões, distribuídos em um terreno de 24 metros por 6 metros (144 m2). Em um dos galpões estão localizados o ponto de entrega da conexão banda larga; o servidor da rede, que também tem a função de servidor de dados, de web e de correio eletrônico; e o switch, de onde saem os cabos que ligam 20 estações de trabalho. Constança deseja substituir esta rede local cabeada por outra sem fio e, para isso, quer saber o que precisa levar em conta em termos de equipamentos e que cuidados devem ser tomados com relação à segurança.

A preocupação da Geenpeças em levantar informações que ajudem a definir a solução que melhor se encaixa às suas necessidades é digna de mérito. Não raro, um grande número de empresas de pequeno porte resolve migrar para redes wireless e acabam enfrentando problemas que não existiam anteriormente. Entre os mais comuns estão queda no desempenho da rede e, principalmente, segurança, como já prevê Constança.

Guilherme Lopes Morais, da Hadron – Integração de TI, diz que o erro mais comum é supor que a simples substituição dos cabos pelo acesso sem fio dará aos usuários a mesma capacidade que possuíam antes. “Se o acesso das estações se restringe ao uso do e-mail, navegar na internet e pouco tráfego de dados na rede, uma rede wireless pode ser usada sem problemas”, diz Morais.

Entretanto, para usuários que demandam acesso em maior volume a informações que estão no servidor, para acesso a sistemas de gestão, emissão de notas fiscais, consultas a estoque, entre outros, as topologias de redes wireless no padrão 802.11(a/b/g) – as mais comuns e também chamadas redes Wi-Fi, operando até 54 Mbps, tendem a criar um gargalo.

“Há duas soluções possíveis para o problema. A primeira consiste em utilizar um roteador sem fio padrão 802.11n, cuja taxa de entrega de banda, nos PCs, se aproxima ao obtido nas LANs tradicionais”, compara Morais. Só que o padrão ainda não foi homologado e pode haver incompatibilidade entre equipamentos de fabricantes diferentes. Embora o preço desses equipamentos esteja em queda, o custo do cartão que precisa ser instalado nas estações (cerca de 200 reais) ainda assusta.

A segunda alternativa, segundo o especialista, é fazer uma rede mista. Nesse caso, mantêm-se conectados à LAN já existente os PCs que exigem carga de dados maior. Os demais equipamentos podem acessar a rede wireless que será criada.

Dimensionamento
Feitas essas ressalvas, o especialista da Hadron informa que o projeto da Greenpeças é considerado de baixa complexidade e não deve enfrentar barreiras. Dada a pequena dimensão da área que deve ser coberta pela rede sem fi o, um único roteador, bem posicionado, deve dar conta do recado. “Divisórias de madeira ou drywall e mesmo paredes comuns, em uma área desta dimensão, não costumam ter influência direta na propagação do sinal da rede”, explica Morais. Em contrapartida, deve-se evitar instalar o equipamento próximo a fontes de energia eletromagnéticas, como por exemplo, reatores utilizados por lâmpadas fluorescentes, muito comuns em escritórios e fábricas.++++
desktop_wireless_200A maior parte dos roteadores sem fio de marcas conhecidas (preços a partir de 200 reais para os modelos que operam em 802.11a/b/g; e 650 reais para 802.11n), como 3Com, D-Link, Linksys, Trellis e Trendnet, e dimensionados para uso em pequenas empresas, trazem pelo menos quatro portas Ethernet.

Lembre-se de que uma delas será usada para conectar o dispositivo ao switch da rede. Além disso, cada uma das estações deverá possuir uma placa de rede sem fio (cerca de 100 reais) ou então um adaptador USB (cerca de 150 reais, dependendo do modelo).

Os equipamentos que operam no padrão 802.11 a/g (até 54 Mbps) ou b (até 11 Mbps) já estão homologados. Isso significa que é possível combinar roteador e cartão de acesso sem fio ou adaptador USB de fabricantes diferentes sem problemas, o que resulta em maior flexibilidade na escolha dos equipamentos, levando em conta a questão preço.

Controle e desempenho
Os roteadores wireless de baixo custo não incluem recursos para gerenciamento de banda ou qualidade de serviço (QoS), o que pode representar problemas de lentidão na rede, dependendo da utilização que se faça das estações de trabalho. Alguns modelos vêm com softwares que permitem algum tipo de controle, como bloqueio de acesso à web em determinados horários, inclusive para PCs específicos.

Eles também costumam incluir recursos de segurança como criptografia, bloqueio do acesso a equipamentos não cadastrados (o que pode ser feito tanto pelo endereço IP quanto pelo MAC Address), entre outros.

Caso haja necessidade de um controle mais específico, o mercado oferece bons utilitários – a preços razoáveis. O SoftPerfect Bandwidth Manager custa 30 dólares, oferece a possibilidade de controlar a quantidade de banda que cada usuário da rede pode utilizar, impondo limites a downloads e uso de disco, entre outros.

Uma alternativa possível, se o projeto envolver a compra de um switch, é optar por um modelo que ofereça gerenciamento de tráfego por software. Há bons equipamentos disponíveis no mercado com preços a partir de 500 reais.

Conexão mais segura
Redes de dados, cabeadas ou não, estão suscetíveis a ameaças externas, bastando para isso uma porta de acesso à web. A topologia da Greenpeças, que utiliza um mesmo servidor para dados, web e correio eletrônico, merece especial atenção.

A primeira coisa a fazer é ter um firewall instalado e atualizado, tendo a preocupação de modificar qualquer senha padrão que o fornecedor do equipamento utilize. Esta é uma das brechas de segurança mais exploradas pelos criminosos virtuais que, por comodidade ou desconhecimento dos usuários, é mantida inalterada.

Definir e manter uma política de segurança para a companhia que impeça a instalação de softwares alheios à rotina da empresa, bem como o download de arquivos potencialmente perigosos, minimiza a possibilidade de que pragas possam infestar a rede. Sem esquecer de instalar e manter atualizados antivírus em todas as estações de trabalho.

Com relação ao acesso sem fio, é preciso estar atento a alguns detalhes: para começar, troque o nome e a senha padrão do roteador; depois verifique, no site do fabricante do equipamento, se existe alguma atualização de firmware que deva ser feita (em geral, elas corrigem falhas de segurança); mantenha o acesso protegido por senha; altere e não torne publico o nome de identificação da rede (SSID); adote criptografia forte; e restrinja os equipamentos que podem ter acesso ao roteador, se possível fazendo uso do recurso do MAC Address.

Constança, da Greenpeças, manifesta preocupação com a possibilidade de captação do sinal da rede fora dos domínios da empresa. Afirmar que a rede estará 100% segura, mesmo que adotadas todas as medidas de segurança sugeridas é um exagero; entretanto, elas vão tornar qualquer tentativa de ataque mais difícil de obter sucesso.

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