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Redes de compartilhamento P2P: vilãs ou mocinhas da história?

Apesar do sucesso, prática resvala em questões como direito autoral e segurança

Por Daniela González, da PC WORLD

01/11/2007 às 17h00

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Reportagem feita a partir de dúvida de leitor; saiba mais

p2p_300Sem entrar no mérito do preço da cultura no Brasil – livros, CDs, DVDs, cinema e teatro – os produtos culturais nunca estiveram tão acessíveis à população como hoje. Não importa que você esteja em uma cidade minúscula do interior onde a única videolocadora ou loja de discos, se houver, possuam um acervo restrito.

Se quiser ouvir o último lançamento da sua banda favorita ou assistir ao filme que ainda não estreou na sua região, precisa só de um computador, uma conexão com a internet – de preferência em banda larga – e um software cliente de uma rede de compartilhamento de arquivos. Em poucos minutos é possível localizar e com um pouco de sorte e paciência, baixar o arquivo completo. E quase sempre sem pagar nada mais por isso.

O enorme volume e a variedade do conteúdo disponível são os principais motivos do sucesso dessa prática, que se tornou possível graças à tecnologia Peer-to-peer (P2P), que cria as redes de compartilhamento.

Infelizmente, essas redes não trouxeram apenas benefícios. Elas abrem brechas importantes na segurança dos computadores, tornando-os vítimas fáceis de criminosos virtuais.

Apesar de amplamente divulgado, muitas pessoas ainda não sabem que ao baixar uma música ou filme da web podem estar cometendo crime de pirataria digital.

A facilidade como operam, os milhares de usuários de serviços como o Kazaa, eMule, entre outros, oferecendo um rico acervo de conteúdo digital à distância de uns poucos cliques, a indústria de conteúdo (fonográfica, cinematográfica e até editorial) terá de repensar seu modelo de comercialização e até de proteção a seu conteúdo de forma a sobreviver.

Empresas que vendem canções na web lutam para conseguir criar métodos de proteção, para impedir a livre distribuição do conteúdo protegido por direito autoral.

Em contrapartida, existe todo um movimento que busca forma de burlar essas proteções. Alguns são bem sucedidos, como o hacker que conseguiu quebrar o Windows Media DRM, da Microsoft, utilizado para proteger canções vendidas em lojas online, como o Napster.

Não é de hoje que as redes P2P são alvo das ações antipirataria. Segundo a Associação Antipirataria de Cinema e Música no Brasil (APCM), 1.823 arquivos de filmes foram retirados do ar em agosto. Esse número representa o triplo do registrado em julho (653).

As ferramentas mais famosas
O sucesso de uma determinada rede está diretamente relacionado ao que ela oferece de conteúdo para ser baixado, conteúdo este que é flutuante. Ele depende de fatores como o software-cliente (como o Kazaa, eMule e BearShare), sua interface e facilidade de uso, bem como a quantidade de redes P2P (com destaque para a Gnutella, BitTorrent, eDonkey e FastTrack) a que ele tem acesso, o número usuários online em determinado momento e quantos arquivos que estes usuários deixam disponíveis em suas áreas de upload.++++
p2p_150Outros fatores também influenciam na popularidade de um serviço P2P. Por exemplo, número de fontes disponíveis (de quantos ‘usuários’ é possível localizar determinado conteúdo), velocidade do download, possibilidade de o usuário controlar a banda gasta e também o tipo de conteúdo a ser acessado (uma espécie de ‘censura’), filtro de arquivos potencialmente perigosos, publicidade online, entre outros.

Como software-cliente e as próprias redes P2P muitas vezes se confundem, vale a pena conhecer mais sobre eles:

Gnutella
Surgiu no final de 2000 como rede open source, conhecida principalmente por usuários do Linux. Sua estrutura é bastante descentralizada (praticamente não existem servidores para gerenciamento da rede) e programas como BearShare, LimeWire e Shareaza a utilizam e estão disponíveis em versões Windows, Linux/Unix e Mac..

SoulSeek
A rede SoulSeek foi criada em 2000 e tem software com o mesmo nome. Sua maior qualidade é a variedade de músicas raras e alternativas. A interface é simples e há salas de bate-papo para cada estilo de música.

Netmax
Sistema gratuito de troca de arquivos baseado em protocolos http e FTP. Tem programa de chat e mensagens criptografadas.

Sistema BitTorrent
A tecnologia desse sistema consome menos banda e aumenta a velocidade do download. Em vez de transferir o arquivo como um todo de uma mesma fonte, o sistema o fragmenta em diversos “pedaços” e baixa os diferentes fragmentos ao mesmo tempo de diversas fontes, tornando o download teoricamente mais rápido.

Kazaa
Com interface que lembra a do Napster, disponibiliza um sistema que faz e refaz buscas constantemente para encontrar mais resultados. Oferece filtro contra vírus, mas não é eficiente.

eMule
É conectado à rede eDonkey. Quanto mais arquivos o usuário oferecer para compartilhamento, terá acesso ao que estiver procurando mais rapidamente. Isso afasta usuários “vampiros”, que só baixam conteúdo, mas não oferecem nada em troca. Indicado para troca de arquivos grandes.

BearShare
O software faz muito sucesso ente os adolescentes e acessa a rede Gnutella. É possível controlar a banda gasta com os downloads e censurar o conteúdo.

Shareaza
Aqui, as chances de você encontrar o arquivo que procura são enormes. O programa utiliza as redes Gnutella, BitTorrent, eDonkey e FastTrack. Ele também classifica a qualidade do arquivo baixado e oferece tocador de mídia.

Morpheus
Apesar de já avisar que vem com spywares instalados, o Morpheus integra-se satisfatoriamente a aplicativos do desktop. Oferece gerenciador de podcast.

µTorrent
A característica que se destaca é a grande quantidade de informações a respeito do download. O programa cria gráficos que mostram o consumo da banda e usa pouco a memória do PC.

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