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Tim Berners-Lee prega padrões abertos para desenvolvimento da web móvel

Criador da World Wide Web critica ação restritiva de operadoras e explica internet móvel como interação entre ambientes reais e digitais

Por Network World/EUA

16/11/2007 às 22h00

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Pode haver qualquer tipo de problema com modelo de negócios e falhas potenciais a serem corrigidos antes da internet móvel se tornar um sucesso. Mas para Tim Berners-Lee, existe apenas uma questão a ser pensada. Na abertura do Mobile Internet World, em Boston, o homem que criou a World Wide Web afirmou que a internet móvel precisa ser totalmente a própria internet, nada mais ou menos. Ela precisa ser gratuita e ter um controle universal e integrado em padrões abertos.

"A web é uma plataforma aberta onde você pode construir outras coisas. É assim que você consegue esta inovação. A web é universal: você pode rodar em qualquer hardware ou sistema operacional e pode ser usada por pessoas de diferentes línguas. É uma caixa de areia onde pessoas podem exercitar sua criatividade. É muito importante manter a web universal ao pensarmos em internet móvel", afirmou.

O título da sua palestra foi "Escapando do jardim murado: criando a web móvel com padrões abertos". O "jardim murado" é uma metáfora que descreve as redes de dados para celulares e TV a cabo, onde assinantes podem usar apenas aparelhos e assistir conteúdos autorizados pela operadora, conceito oposto à World Wide Web rodando sobre a Internet, que usuários de celulares usam a partir de seus PCs.

Mesmo que Berners-Lee não tenha mencionado a recente entrada do Google nos serviços móveis, a plataforma Android é baseada em padrões abertos para que empresas associadas à Open Handset Alliance possam criar aplicativos livres usando um mesmo padrão.

Usuários de PCs podem acessar filmes e músicas independente do site em que estão por meio de provedores, afirmou Berners-Lee. Ao contrário, uma empresa de TV a cabo agindo como um provedor pode bloquear tal acesso, já que quer que assinantes selecionem filmes no sistema pay-per-view.

Berners-Lee é diretor do World Wide Web Consortium (W3C), que coordena o trabalho de seus membros para criar padrões e direcionamentos para a evolução da web. Há dois anos, o grupo lançou a Mobile Web Initiative para se focar nos padrões como forma de facilitar acesso á internet por aparelhos móveis.

O foco do grupo é criar padrões e práticas para formatar, distribuir e reproduzir conteúdo pela web móvel. O conteúdo se torna facilmente reutilizável e pode ser mixado de maneiras que seu criador nunca imaginaria, afirmou.

"Uma plataforma aberta significa usar padrões", continuou. "A internet móvel precisa usar os mesmos padrões da web convencional. Quando você ergue um muro ao redor do jardim, todos nós sabemos que as flores se abrem fora da parede, não dentro".

Como exemplo do que não fazer, ele se referiu a um "aparelho bastante conhecido" que permite que o usuário vá apenas a uma loja comprar músicas online, referência óbvia à relação entre a popular linha iPod, da Apple, e a loja online iTunes Music Store. "Poder ir a qualquer loja abriria este modelo", afirmou. Consumidores teriam mais escolha, sugeriu, haveria mais competição e inovação, em uma espécie de círculo virtual de atividade e inspiração online.

A própria web é uma chance para tanto, afirmou ele, como resultado dos novos usos que as pessoas estão fazendo dela. Até recentemente, a metáfora dominante para a web era o documento HTML. Mas isto vem mudando como resultado da explosão da web social que tem em serviços como Facebook e MySpace seus principais exemplos. Atualmente, usuários têm que criar em cada site um documento que lista seus amigos e contatos. "O que é importante são os amigos, não a página online".

Padrões para internet móvel integrado às técnicas e padrões para a Web Semântica criarão um tipo de personalidade individual baseada em dados que usuários poderão carregar para qualquer lugar e expressar em diferentes contextos a partir de suas necessidades. Marcar um vôo a partir do PC, ter os detalhes essenciais armazenados no seu celular, que pode "negociar" com um LCD no escritório ou na cafeteria para mostrar direções para o aeroporto e um mapa dos estacionamentos na região, exemplifica ele.

"As pessoas conhecem os benefícios das plataformas abertas", afirmou. "Eles vieram como é a web aberta. Existe um grande entendimento da sua importância".

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