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No seu primeiro aniversário, Windows Vista é assombrado pelo downgrade

Windows Vista provoca suporte maior e corrida ao seu antecessor, o Windows XP

Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!

30/11/2007 às 19h45

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Toda evolução pressupõe continuidade - você só dá um passo adiante quando a etapa seguinte traz mais vantagens que a original.

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Se a vantagem é amplamente percebida, é natural que haja um movimento em massa para sua adoção. Se, pelo contrário, percebe-se que a movimentação não compensa o esforço, fica-se no mesmo lugar ou, após um passo à frente, volta-se ao lugar original.

O dinamismo descrito acima é verdadeiro para qualquer atividade humana, mas uma empresa em especial do mercado mundial de softwares vem sofrendo as inesperadas conseqüências da lenta evolução de seus usuários. O problema que atinge o Windows Vista, lançado pela Microsoft para clientes corporativos há um ano, atende pelo nome downgrade, termo em inglês que designa o retrocesso a um estágio anterior.

Lançado com alarde pela companhia após seguidos atrasos, o Windows Vista consumiu cerca de cinco anos de trabalho e prometia trazer alterações que melhorariam sua segurança, tão criticada em versões anteriores do Windows, melhor suporte a aplicações multimídia e sofisticações visuais, como janelas translúcidas e efeitos de transição.

Um ano após o lançamento, porém, o grande beneficiado pelo lançamento do Windows Vista parece ser seu antecessor, o Windows XP, sistema lançado pela Microsoft em 2001.

As dificuldades de adoção previstas por análises de mercado tanto em ambiente doméstico como corporativo jogaram luzes sobre o programa de downgrade da Microsoft. Poucas semanas depois do lançamento para clientes corporativos, a Forrester divulgou análise afirmando que a adoção corporativa se repetiria entre usuários domésticos pela troca de PC ser motivada em grande parte por problemas de hardware.

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Do lado corporativo, o hardware também figurava como uma das principais causas para uma adoção mais lenta do sistema, mas partindo de um ponto diferente: problemas de compatibilidade com periféricos e supostas dificuldades de conexão com outros sistemas afastariam o Windows Vista das empresas por, pelo menos 18 meses após seu lançamento, o que faria com que o software tivesse impacto baixo no mercado de desktops de notebooks de 2007.

A estimativa para adoção do Windows Vista em empresas, divulgada pelo Gartner, se mostra um consenso também no mercado brasileiro."Que o Vista será adotado, eu não tenho dúvidas. O problema é só saber quando", relata Ivair Rodrigues, diretor de estudos de mercado da consultoria IT Data, citando a mesma probabilidade de início de adoção em massa no próximo ano.

Rodrigues, porém, é taxativo. "Com o (Windows) XP foi assim. No segundo ano de lançamento, os usuários começaram a usar de verdade e só no terceiro ano ele teve uma grande adoção", relembra para justificar uma alegada falha do Windows Vista no mercado mundial. Isto quer dizer que o próprio ciclo de adoção do mercado impõe um período de testes por empresas ou usuários mais entusiastas antes do grande público trocar um sistema consolidado, como o Windows XP.

Benjamin Gray, analista do Forrester responsável pelo estudo "Como o Windows Vista balançará o setor de sistemas operacionais corporativos" divulgado no começo de novembro, ecoa a análise de Rodrigues ao afirmar que, para diretores de TI, o Vista não é uma questão de "se", mas sim de "quando" e "como".

A própria estratégia da Microsoft em demorar cinco anos para lançar uma nova versão do seu sistema operacional tornou o Windows XP ainda mais enraizado no ambientes corporativo, se transformando em uma barreira ainda maior para o Vista dentro das empresas.

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"Clientes corporativos, em sua maioria, estão rodando tanto o Windows 2000 como o Windows XP pelos últimos quatro ou cinco anos. Estes (sistemas) são maduros, amplamente testados e se provaram 'bons o suficiente', dificultando ainda mais a penetração do Windows Vista em muitas companhias", escreve ele na análise.

No Brasil, a migração pode demorar ainda mais pelo curto espaço de risco que gerentes de TI têm com budgets apertados, afirma Rodrigues. "O brasileiro é muito conservador em tecnologia. Ele olha, lê, estuda e verifica se funciona pra daí adotar, principalmente pelos orçamentos cada vez mais apertados".

Em entrevista ao Podcast IDG Now! na semana de lançamento do Vista, o gerente geral da divisão Windows da Microsoft Brasil, Alexandre Leite, afirmou que a empresa esperava que a adoção do novo software fosse mais rápida do que aconteceu com o Windows XP.

Não é o que mostram análises do IDC, que apontam que o novo sistema deverá ultrapassar a marca dos 10% de participação de mercado um ano após seu lançamento, desempenho muito parecido com seu antecessor. O próprio executivo, de uma forma velada, admite as semelhanças o ritmo. "Em termos gerais, Windows Vista está sendo adotado por empresas em um ritmo similar aos lançamentos passados", diz Leite.

O entusiasmo de muitas empresas e usuários que adotaram o Windows Vista em seus primeiros meses é uma hipótese para a correria em massa para o Windows XP, o que forçou a Microsoft a alterar seus planos para substituição de um por outro, muito embora a própria empresa já oferecesse downgrade quando o Windows Vista chegou às prateleiras.

Segundo o programa de Licenciamento de Volume da Microsoft disponível no site da empresa, clientes das versões Bussiness e Ultimate do Windows Vista têm direito a uma licença para os sistemas Windows XP Professional, Windows XP Tablet Edition e Windows XP Professional x64 Edition apenas para cópias pré-instaladas, saliente a Microsoft - se você comprar a caixinha, terá que usar apenas aquela versão.

Quem comprou micros com as versões Home Basic, Home Premium, Enterprise e Starter Edition do Windows Vista não têm direito ao downgrade.

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Da mesma maneira, clientes das versões Professional, Tablet Edition e Professional x64 Edition do Windows XP podem ter uma cópia do Windows 200 Professional caso queiram, segundo os termos do contrato elaborado pela Microsoft.

Mesmo que afirme que não veja "problemas de downgrade envolvendo o Windows Vista", a Microsoft foi forçada a alterar sua estratégia de mercado pelos resultados abaixo do esperado nos meses posteriores ao lançamento do sistema.

Pressionada pelos fabricantes, a empresa resolveu estender em setembro o prazo de venda de computadores com o Windows XP pré-instalado de janeiro para junho de 2008, dando uma sobrevida de mais seis meses para seu sistema operacional de 2001 em máquinas novas.

Oficialmente, o Windows XP terá suporte contra falhas de segurança e problemas de compatibilidade com hardware até abril de 2009, pouco mais de dois anos após o lançamento do Vista.

Em razão dos contratos firmados entre fabricantes e Microsoft, o usuário interessado em ganhar uma cópia anterior do sistema operacional precisa procurar a empresa que lhe vendeu a máquina. A maneira como o sistema é oferecido varia bastante - a Fujitsu, por exemplo, começou a encartar em caixas de PCs e notebooks vendidos na Ásia uma mídia extra com o Windows XP a partir do segundo semestre dado o alto índice de retorno ao programa.

Empresas como a Lenovo e a Sony, por exemplo, são mais contidas, oferecendo a clientes interessados a possibilidade de compra da mídia do Windows XP por taxas que variam conforme a região do usuário.

Mesmo com a mudança de planos, Leite confirma que as vendas do Windows Vista já são maiores que as do XP, endossando a tese de Rodrigues quanto ao ciclo natural do mercado.

“O downgrade é uma política oferecida pela Microsoft em todos os lançamentos de sistemas operacionais e isso aconteceu durante o lançamento do XP, para uma migração para o Windows 98”, diz.

O razão pela qual usuários não deram o passo para trás na ocasião é uma dúvida que a Microsoft não explica.

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