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WordPress explode no Brasil e rivaliza com Google por blogs nacionais

Impulsionada por plataforma aberta e variedade de funções, WordPress cresce no Brasil

Por Guilherme Felitti, repórter do IDG Now!

06/12/2007 às 10h46

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wordpress_150No começo, já havia a palavra, diz a Bíbla, e milhões de anos depois da criação (científica ou religiosa) do universo, ela continua inteirona.

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Mas, ao contrário da citação do livro sagrado para católicos, ela não é mais apenas direcionada a Deus - são centenas os assuntos que fascinam milhões de usuários pelo planeta que se sentam em frente ao PC para profetizar, ruminar, analisar ou apenar divetir outros tantos milhões de leitores em seus blogs pessoais.

Em um fina ironia, o país em que 70% da população, segundo dados do Censo 2000, crê na criação do universo por apenas um responsável, a chamada blogosfera tupiniquim dá sinais recentes contraditórios incentivando uma resposta contra aquele que vem centralizando o direito dos usuários terem voz online.

No seu papel onipresente no universo de blogs com suas duas ferramentas, o Blogger e o Blogspot, o Google vêm sentindo a ameaça de um grupo que age silenciosamente e, no melhor estilo online, vem "combatendo" o líder do setor pela coletividade.

O grupo se chama Automattic, trocadilho da palavra "automático" em inglês com o nome do seu fundador e presidente, Matt Mullenweg, e o veículo para a resposta se chama WordPress.

Derivado da plataforma pouco popular b2/cafelog, o WordPress foi lançado comercialmente em 2003 como uma ferramenta para blogs de código aberto que facilitaria a edição, redação e gerenciamento de posts e a fácil formatação de suas funções por meio de nada mais que alguns cliques. Isso facilitaria a vida de quem gostaria de ter um blog, mas não sabia de programação.

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Quatro anos depois e na segunda versão, o WordPress não é apenas o sistema de publicação de blogs cuja audiência mais cresce no mundo, segundo dados do IBOPE//NetRatings obtidos com exclusividade pelo IDG Now!, mas seu crescimento chega a bater o dos rivais do Google em mais de cinco vezes em determinados períodos entre usuários brasileiros.

Durante o mês de outubro, blogs brasileiros do WordPress atraíram 2,5 milhões de leitores, o que corresponde a 12,8% dos usuários residenciais de internet no Brasil. Os rivais do Google, juntos, somaram 6,3 milhões de usuários no mesmo período, enquanto, no geral, o Brasil tem 9,1 milhões de leitores de blogs.

Quando comparado ao mês anterior, quando 330 mil novos leitores acessaram blogs da ferramenta, o crescimento deve nada aos cerca de 290 mil que o Blogspot ganhou no mesmo período.

Na comparação de acesso entre 2006 e 2007, no entanto, os números confirmam o crescimento explosivo do WordPress - enquanto as ferramentas do Google dobraram o tráfego de acesso, os leitores de conteúdo de blogs do WordPress cresceram mais de cinco vezes, atingindo 546%.

Isto significa que o WordPress se tornar líder entre as ferramentas de blogs é questão de tempo, não? Não é bem assim. Da mesma forma que o Facebook apresentou números muito mais expressivos de crescimento que o rival MySpace nos meses recorrentes à sua abertura de API, o WordPress experimenta tais taxas pela facilidade que ainda tem de triplicar ou duplicar sua base.

Segundo Calazans, tanto WordPress como Blogger se aproveitam de uma crescente demanda por conteúdo que usuários encontram apenas em blogs, o que justifica a principal fonte de tráfego de ambos os serviços: ferramentas de busca. Ao contrário da fidelização da grande mídia, o tráfego gerado às ferramentas no Brasil obedece ao interesse imediato do usuário e sua capacidade de aparecer bem posicionado em buscadores como Google, Yahoo e Microsoft Live Search.

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Mundialmente, o Brasil só não é maior usuário da plataforma de blogs que a Espanha, onde 13,7%¨dos usuários residenciais acessaram algum tipo de conteúdo no WordPress durante o mês de outubro - na mesma comparação ano a ano feita entre o tráfego de WordPress e Blogger entre os espanhóis, o crescimento foi "apenas" quatro vezes maior. A Itália aparece na terceira posição do ranking mundial do IBOPE//NetRatings, com participação de 9,76% de seus usuários.

"Se há uma migração de um serviço para outro, significa que algo de bom a nova ferramenta tem", afirma José Calazans, analista da mídia do IBOPE//NetRatings, destacando a penetração do WordPress entre blogs dos mais jovens em relação às outras ferramentas.

"Entre os brasileiros, os adolescentes de 12 a 17 anos compõem mais de 27% da audiência do serviço, contra uma média abaixo de 22% nas outras. Enquanto nos concorrentes os adolescentes são responsáveis por cerca de 15% do total de páginas vistas, no WordPress essa faixa etária responde sozinha por 42%."

A análise de Calazans deixa evidente que a soberania do Google entre blogs é resultado direto do início da explosão da publicação pessoal onde o Blogger e o Blogspot, entre tantas outras ferramentas fragmentadas sem mais traço de popularidade, atraíam mais atenção seja pela então inovação das plataformas ou pela conseqüente aquisição da PyraLabs, criadora dos serviços.

Ainda que guardadas suas proporções, o apelo entre jovens do WordPress usa como base o mesmo motivo que transformou o Firefox de um farrapo da Netscape na razão para preocupação da Microsoft no setor de navegadores, ou o crescimento inesperado e constante do Facebook frente à letargia de tantas outras redes sociais - MySpace principalmente.

Tal qual os navegadores regidos pelo Internet Explorer 6, da Microsoft, a blogosfera não se surpreendia mais com funções há muito sem atualizações e novidades no Blogger e Blogspot que, ao invés de tornar a publicação um ato genuinamente simples, exigia determinado conhecimento técnico e certas restrições para categorização de posts e inserção de conteúdo multimídia.

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Licenciado sob um licença GPL, o WordPress começou a cultivar ao seu redor os mesmos usuários entusiastas que poderiam incrementar o blog adicionando novas funções pelo volume de novos temas e, principalmente, plug-ins que a comunidade começou a criar para o serviço, muito mais aproveitáveis na versão do WordPress instalada em servidores que o serviço WordPress.com, mais voltado a iniciantes.

Os problemas de segurança na ferramenta divulgados pela crescente popularidade se aproveitam também da ajuda da comunidade na correção, em esquema também bastante similar ao usado pela Mozilla para fechar brechas no Firefox.

Ainda que veja seus rivais se aproveitarem da óbvia integração mais simples com a plataforma AdSense de publicidade do Google, o WordPress tem apelo entre novatos dos blogs tanto pela constante atualização que a Automattic faz de suas funções - o anti-spam Askimet é uma grata surpresa contra os indesejados comentários não solicitados - como pelo sistema de "arrastar-soltar" para montar a cara do seu blog.

Fora WordPress, Blogspot e Blogger, o ranking do IBOPE//NetRatings não identifica as porcentagens de outras ferramentas de publicação por suas ligações com grandes portais - os critérios de medição da consultoria identificam apenas o portal como um guarda-chuva de serviços que, entre álbum de fotos, lojas de músicas e notícias, oferece uma ferramenta de blogs.

É difícil imaginar, porém, que serviços atrelados aos quatro maiores portais brasileiros, como Blig, UOL Blog, GloboLog e Terra Blog, se metam em uma briga internacional replicada no país aproveitando a paixão dos brasileiros por serviços gratuitos e pela "infidelidade" que a busca imediata provoca por determinado assunto.

Por mais que a palavra já não tenha apenas um único dono são poucos os que controlam as regras sobre expressá-las.

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