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IE 8 busca mercado perdido para Firefox, Safari e Chrome

Primeira versão do browser mais popular do planeta, após investimentos de Apple e Google no setor, tenta defender reinado da franquia IE

Guilherme Felitti, editor-assistente do IDG Now!

19/03/2009 às 15h48

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O Internet Explorer 8 chegou à sua versão final  sem um cenário muito distante daquele em que a Microsoft construiu sua dominação do mercado de browsers. Nos últimos quatro anos, o navegador perdeu cerca de 24
pontos percentuais no setor, segundo a Net Applications.

Se durante a década de 90 a Microsoft se beneficiou tanto da extrema popularidade do sistema Windows como veículo de divulgação do IE como de escolhas erradas feitas pelo pioneiro Netscape, o IE 8 chega a um setor que nunca esteve tão movimentando.


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O IE8 é a primeira atualização feita pela Microsoft no mais popular navegador do planeta após a entrada de dois gigantes da tecnologia entre os navegadores para o Windows: a Apple levou o Safari ao ambiente Windows e o Google surpreendeu o mercado com o Chrome.

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 “O Firefox vem ganhando constantemente participação de mercado no Windows, enquanto o Safari aproveitou o ganho da Apple nas vendas de Macs e iPhones para ganhar ainda mais mercado”, explica Vince Vizzaccaro, vice-presidente de alianças estratégicas e marketing da Net Applications.

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Não bastasse a movimentação de Apple e Google, o Internet Explorer é o principal afetado pelo constante crescimento do rival Firefox, da Mozilla, que vem erodindo a participação do browser da Microsoft na mesma relação em que se populariza.
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Do outro lado, as pressões de entidades regulatórias da União Européia forçarão a Microsoft a permitir que o novo navegador seja desabilitado do Windows 7, integração que ajudou a alavancar a popularidade do navegador em versões anteriores.
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As diferentes versões do Internet Explorer ainda usufruem de uma folgada liderança, como prova a participação de 67,4% registrada pela consultoria em fevereiro, contra 21,7% do Firefox e 8% do Safari.

A gordura perdida pela Microsoft nos últimos anos, porém, torna o IE8 um lançamento chave para a companhia: conseguirão as ferramentas e funções do novo navegador estancar a constante queda de participação ou até recuperar mercado?

As apostas da empresa pra surpreender o mercado são uma mistura de novas ferramentas integradas ao browser e melhorias nos códigos do navegador principalmente no que diz respeito a desempenho e segurança.

Estão lá, por exemplo, a busca por histórico e favoritos na barra de endereços baseado em termos digitados pelo usuário, chamada de Smart Address Bar e já presente no Firefox 3, o movo de navegação privada disponível no Safari 4 ou no Chrome e mesmo um filtro contra sites maliciosos, disponível no Firefox 3 ou no Opera 9.1.

Entre as ferramentas inéditas no setor,  o Acelerator permite que outros serviços (digamos, indicar um endereço no mapa ou traduzir automaticamente uma expressão) sejam consultados sem que o usuário saia do site, em efeito parecido ao que o Ubiquity, projeto de testes da Mozilla, tenta fazer.

Já o WebSlices tenta revisitar a agilidade do RSS oferecendo alertas sobre novos conteúdos publicados em sites, status modificados em redes sociais ou lances em leilões a partir da barra do browser (o IDG Now! oferece três diferentes WebSlices com seu próprio material).

Há também a benvinda capacidade de criar grupos para agrupar abas que digam respeito a um assunto em particular, algo que deve agradar usuários navegam com dezenas de sites abertos, e o preview de produtos ou resultados direto na barra de busca do IE.

A Microsoft defende, porém, que as principais novidades do IE8 estão em quesitos por trás de ferramentas para usuários, como a velocidade, tanto na capacidade de ler páginas como carregar no PC do usuário, ou a segurança do browser.

A questão da performance é polêmica e, para responder a um estudo indicando resultados ruins do IE8 RC na execução de JavaScript, a Microsoft encomendou um estudo apontando que o novo software carrega páginas mais rápido que o Firefox 3.1 ou o Safari 4.

O JavaScript, defende Osvaldo Barbosa, diretor do grupo de serviços online e consumo da Microsoft, representa apenas um quinto do tempo total de carga de um site e não mede “todos os 80% de ciclo de CPU que constituem o carregamento de uma página do começo ao fim”.

“Não tem sentido um teste baseado numa microanálise. Fizemos um estudo com página inteira e o IE8 é mais rápido”, ataca, citando a análise oferecida pela companhia dentro de um site especial de divulgação da Microsoft. “A diferença entre IE, Firefox e Chrome é muito pequena".

O executivo, porém, não cita os supostos problemas de carregamento de JavaScript, capacidade bastante alardeada tanto por Google como Apple durante os lançamentos de Chrome e Safari 4, respectivamente, e cada vez mais popular com a ascensão de serviços online para gerenciar e-mails, editar documentos ou consultar mapas.

Teste realizado pela Computerworld norte-americana com a versão final do IE 8 reitera a lentidão do navegador em reproduzir conteúdo em JavaScript.

Outra mudança no IE8 bastante alardeada pela Microsoft decorre da postura anunciada pela própria empresa em não respeitar totalmente os padrões propostos pelo World Wide Web Consortium (W3C), algo não respeitado em um grau muito menor por todos seus rivais também.

Para evitar problemas com formatações de sites moldados a versões anteriores do Internet Explorer, o IE 8 suportará nativamente os padrões W3C de renderização, mas contará com um modo que reproduzirá páginas também usando o modelo empregado no IE 7.

Ainda que a Microsoft cerque a divulgação da ferramenta com frases de efeito e palavras escolhidas com cuidado, o apoio aos padrões W3C pelo navegador mais popular do mercado deve ajudar a diminuir  a incompatibilidades de sites com os rivais do IE, em efeito provocado exatamente pela desobediência da empresa aos mesmos padrões outrora.

A mistura entre funções já consagradas, novas ferramentas e uma postura complacente com padrões online é suficiente para frear a queda gradual da franquia Internet Explorer?

Sem qualquer surpresa, a Microsoft diz que sim.O conjunto de capacidade permitirá que a empresa “consiga ganhar participação no mercado”. “Não temos dúvida disso”, diz Barbosa.

Mesmo não tão ensusiasmado, Vizzaccaro defende que a Microsoft dificilmente perde a liderança citando algumas "vantagens de mercado bastante significativas” decorrentes da liderança da empresa em setor como sistema operacional ou mesmo browsers.

Ao se levar isto em conta, o peso de Apple e Google devem preocupar mais a Microsoft, dessa vez em um novo setor.

Se o um quarto do mercado que abandonou o Internet Explorer desde 2004 vai voltar ao navegador da Microsoft ou não baseado no otimismo de ambos, a história é completamente diferente.

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