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IFA 2012: Philips aposta em TVs inteligentes e ‘iluminadas’ para crescer no Brasil

Marca, que agora pertence à chinesa TPV Technology, diz que recurso Ambilight e aparelhos que rodam aplicativos serão diferenciais

Renato Rodrigues*

03/09/2012 às 17h49

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O trocadilho parece inevitável. Uma tecnologia que faz a TV emitir luz ao redor do aparelho, em harmonia com a cena exibida, é uma das principais apostas da Philips para iluminar seu caminho no Brasil e entrar para valer na disputa com as dominantes asiáticas Samsung, LG e Sony. "O Brasil deverá ser um de nossos três principais mercados até a Copa do Mundo", disse ao IDG Now! o CEO da TP Vision, Martin de Vries.

O executivo da joint venture estabelecida em abril deste ano entre a holandesa Philips e a chinesa TPV Technology tem uma missão complicada pela frente: fazer a empresa crescer em um mercado com margens de lucro em queda e centrado na questão do preço. No entanto, ele está confiante que eventos como a Copa e as Olimpíadas serão motivadores para uma nova onda de compra de TVs de tela fina - tanto por quem ainda tem TV de tubo como os que desejam telas maiores.

E é aí que a Philips espera avançar com seu recurso diferencial, em um mercado em que qualidade de imagem é praticamente uma commoditie. "Vamos ampliar nossas linhas de TVs Ambilight e trazer mais modelos para o Brasil", diz o holandês.

Na IFA 2012, a empresa apresentou suas novas famílias de televisores, que devem chegar ao mercado - Brasil incluído - nos próximos meses.

Entre os modelos, destaque para a série 9000, top de linha. O aparelho possui recursos que aumentam o contraste e a taxa de atualização da imagem (quanto maior, melhor). A inovação mais interessante é uma espécie de camada, chamada Moth Eye (olho de mariposa), sobre a tela, reduzindo drasticamente o reflexo da luz ambiente.

Segundo os executivos da empresa, essa tecnologia ainda é tão cara que somente a família 9000, com preços em torno de 2300 euros (no mercado europeu) a terá.

Vries reconhece que a competição no Brasil é duríssima. "Nos últimos anos, houve uma 'erosão de preços'", diz. De fato, a entrada com toda força das coreanas Samsung e LG fez os preços das TVs de tela fina despencar nos últimos anos. 

Por isso, de acordo com ele, um dos motivos para a parceria com a TPV é justamente poder ter acesso à capacidade produtiva chinesa e competir no fator preço. "Ganhamos muito em eficiência", diz. No entanto, o executivo acredita que a marca e os diferenciais da Phlips permitem cobrar um “premium” pelos produtos.

Smart TVs

Outro foco da Philips está nas chamadas smart TVs, capazes de acessar a internet e rodar aplicativos.

Para Jordy Egging, diretor de produtos da empresa, ainda há muito espaço para essa nova geração. A penetração deste tipo de equipamento por aqui ainda é de apenas 18%, contra cerca de 75% nos mercados europeus desenvolvidos. "O crescimento da categoria depende essencialmente da penetração da banda larga", explica. "Como isso vem se tornando mais comum no Brasil, será um processo natural". Segundo ele, em poucos anos 80% do portfólio da empresa será de TVs "inteligentes". Egging também acredita que a Philips pode brigar no segmento de consumidores focados em qualidade de imagem."Temos muita tecnologia e vários prêmios nesse quesito", afirma.

Já o badalado 3D não está tão em alta, pelo menos na visão da empresa. "É um recurso muito desejado, mas pouco usado", admite o CEO Vries. Para ele, a falta de conteúdo e a questão dos óculos ainda são grandes barreiras.

Não a toa, a indústria corre para oferecer aparelhos 3D sem óculos. No entanto, de todas as soluções na IFA 2012 (inclusive da própria Philips), nenhuma se destacou - a imagem tem aspecto granulado e o ângulo de visão é mínimo.

"Ainda é muito caro, e as pessoas esperam a melhor imagem possível sempre”, diz Vries. “Por isso ainda não podemos levar esse tipo de produto ao mercado”.

Outro lançamento badalado na IFA 2012, as TVs com resolução 4K, também não causam rugas de preocupação no diretor Egging. “Vai levar anos para que haja conteúdo neste nível de definição”, afirma. Além disso, conteúdo 4K via internet consumiria tanta banda que pode levar ainda mais tempo para sua disseminação. “Por isso, acredito que ainda há uma boa vida útil para o Blu-ray”, argumenta.

Games na nuvem

Por falar em tendências, o CEO da TP Vision também acredita em jogos via cloud, usando a TV como plataforma, e nos aplicativos sociais (social apps) para mudar a forma como os consumidores interagem com as TVs.

“Nossos usuários de smart TVs logam-se duas vezes ao dia para usar os aplicativos”, afirma. “Isso mostra que estamos no caminho certo, porque no futuro todas as TVs serão assim”.

* o jornalista viajou a convite da TP Vision

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