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Instabilidade das redes de banda larga 3G eleva reclamações no Brasil

Brasil terá 3 milhões de usuários 3G até junho, diz a IDC. Reclamações também avançam em passos largos, mostra Reclame Aqui.

Daniela Braun, editora-executiva do IDG Now!

06/05/2009 às 21h58

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Em pouco mais de um ano de oferta de banda larga 3G a usuários de notebooks, netbooks e desktops pelas principais operadoras de telefonia móvel do Brasil, o número de consumidores em busca de uma oferta complementar de acesso e mobilidade ou da única opção de banda larga em suas regiões se multiplicou. O volume de reclamações, contudo, seguiu o mesmo ritmo provocado pela instabilidade inerente ao acesso móvel e pela falta de informação sobre o serviço.

De janeiro a abril deste ano, o site Reclame Aqui, que abre espaço para a defesa de consumidores na internet, registrou 13.732 reclamações envolvendo serviços de banda larga 3G, um salto de 85% sobre o volume de 7.132 reclamações registradas no segundo semestre de 2008.

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Segundo a IDC Brasil, o volume conexões de banda larga com modems 3G atingiu 2 milhões em 2008. João Paulo Bruder, analista de telecomunicações da consultoria, diz que o crescimento de 51,3% verificado entre junho e dezembro do ano passado deve se repetir no primeiro semestre deste ano, elevando o número de conexões 3G a mais de 3 milhões.

“De acordo com as operadoras, a cobertura do serviço já chega a 60% do território brasileiro”, afirma o analista. No entanto, segundo ele, a qualidade do serviço ainda é muito instável. “A velocidade sobe, desce e dependendo do lugar não funciona (...) as torres que transmitem o sinal também têm uma capacidade limitada de acordo com o número de usuários atendidos”, observa.

A variação foi comprovada em um teste realizado recentemente pela PC World em três regiões distintas da cidade de São Paulo. A análise feita com modems 3G das operadoras Claro, Oi, TIM e Vivo, conectados a um notebook, mostra que a velocidade de acesso em todos os serviços varia de acordo com o tipo de tarefa e com a localização geográfica do usuário.

Para Maurício Vargas, diretor do Reclame Aqui, ainda há problemas técnicos e de esclarecimento sobre o serviço no Brasil. Segundo ele,  75% das reclamações sobre banda larga 3G, este ano, envolveram variação de velocidade ou até ausência de sinal, e 22% compreendem problemas de atendimento das operadoras. “A pessoa que está contratando o serviço geralmente não entende muito do assunto. E, em muitos casos, o próprio SAC não consegue explicar como funciona o serviço ou como fazer a instalação. Além disso há a questão técnica das antenas e da variação de velocidade”, comenta Vargas.

Insatisfeito com a velocidade de acesso, o leitor Sandro Roberto, de Juiz de Fora (MG), afirma que cancelou recentemente seu pacote de banda larga 3G. “Eu utilizava a conexão da Oi mas cancelei por insatisfação com a velocidade, já que a mesma só atingia velocidade de GPRS [rede 2,5 G] apesar de mostrar status de EDGE [3G]”, conta ao IDG Now!.

Segundo as operadoras, a tecnologia HSDPA (High Speed Downlink Packet Access), que permite a transmissão de dados móveis em alta velocidade nas redes 3G, é sensível a diversos fatores. “O serviço está sujeito a condições topográficas, distância do usuário em relação à antena, número de pessoas que compartilham o serviço na mesma região [naquele momento] e até condições climáticas”, explica Fiamma Zarife, diretora de serviços de valor agregado e roaming da Claro.

O leitor Leonardo Barros, de São Paulo (SP), relata na comunidade do IDG Now! no Orkut, que sua internet 3G da Claro apresenta problemas como lentidão na abertura de páginas e instabilidade na conexão – casos de quatro tentativas de conexão por queda do sinal.“Não é o modem, pois tenho dois (Huawei e226 e Sony Ericson) e não é o sistema operacional, pois uso dois (Ubuntu 9.04 e Windows XP)” comenta o usuário.

Barros também observa que o suporte é um problema: “Os atendentes não explicam [sobre o serviço 3G] corretamente. As informações não são as mesmas” e afirma considerar alto o valor de 69 reais mensais pelo acesso a uma velocidade de até 500 kbps. “Enfim, tenho doze meses para ficar com essa internet”, lamenta.

Limitações
A busca de uma oferta complementar à banda larga fixa (via ADSL ou cabo), incluindo mobilidade, é o principal motivador da procura pelos serviços de banda larga 3G no Brasil, segundo a IDC Brasil. “Acredito que ainda não é hora de trocar a banda larga fixa pela 3G, para quem tem opção”, aconselha Bruder.

O internauta Érico Oliveira, de Recife (PE), afirma que testou os planos 3G de amigos das operadoras TIM e Claro – a cidade conta ainda com ofertas da Oi e da Vivo - mas preferiu não migrar. “Não fiquei muito satisfeito com o que vi. A conexão ainda varia muito dependendo de onde você se encontra. Em alguns locais da região metropolitana não há sinal 3G (ou o sinal é muito ruim) e a conexão é feita pela rede EDGE, que é sofrível. Por enquanto ficarei com a minha cara, porém estável, conexão ADSL da Oi Velox” conta Oliveira ao IDG Now!.

Já o leitor Felipe Junqueira, o Rio de Janeiro (RJ), se diz satisfeito com seu plano 3G da Vivo, que usa para navegar, baixar podcasts, músicas, fazer upload de fotos e vídeos pelo iPhone, da Apple. “Por diversas vezes [o acesso 3G] substituiu minha banda larga de casa que é de “maxi 2 MB” e às vezes fica capenga”, afirma.

Como ‘heavy user’, Junqueira alerta para uma possível limitação de banda que pode ocorrer quando o internauta atinge uma determinada franquia de dados. “Este ilimitado parece que vai bem até o tráfego de 20 Gibabytes mensal. Se passar disso eles forçam uma queda de banda (...)”, comenta o usuário.

A limitação de banda nos planos ilimitados costuma ser especificada em contrato. A operadora Claro, por exemplo, esclarece que após superar o tráfego mensal de 1 gigabyte (GB), o usuário tem sua velocidade reduzida de até 1 Mbps para 128 kbps no restante do mês.

O internauta Sérgio Amano, da cidade de São Paulo (SP), conta que costuma ser penalizado com a redução de velocidade  em seu plano de acesso 3G pela Claro. “É muito injusto pagar 119,90 reais por mês para ter 128 kbps no restante dos dias após chegar à cota de 1GB. Todo o dia 1º do mês fico feliz com o serviço, mas passados uns 5 dias volto à decepcionante velocidade de 128 kbps. Por esse preço ainda não recomendo ter o 3G pra ninguém”, desabafa o internauta paulistano. O mesmo caso é relatado pelo leitor Leonardo Barros, também de São Paulo, cuja franquia é de 5 GB por mês, pela Claro.

Segundo a Claro, a prática tem como base a média de uso de dados da maioria dos consumidores em planos de acesso 3G.

Única opção
Para os brasileiros localizados em áreas que não são atendidas pela banda larga fixa, o serviço móvel tem sido cada vez mais adotado. “Verificamos que o volume de novos clientes das classes C e D cresceu de 37% em janeiro de 2008 para 45% em janeiro deste ano” compara Fábio Freitas, gerente da divisão de oferta premium da Vivo. “Sem dúvida há esse crescimento entre pessoas que estão em bairros de grandes cidades ou em cidades que não são atendidas por outros serviços de banda larga”.

Diante da concorrência crescente do serviço 3G - São Paulo, por exemplo, já conta com a oferta de Claro, Oi, Tim e Vivo -, além de investir em expansão e qualidade do serviço, as
empresas estudam soluções como a instalação de antenas inteligentes
capazes que detectar automaticamente o aumento de tráfego na rede
móvel e ajudar no direcionamento da banda em determinadas áreas.
Zarife, da Claro, diz estar de olho na tecnologia chamada Remote
Electrical Tilt
, que está em testes na Europa, mas ainda não tem
previsão de chegada por aqui.

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