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iOS 4 x Android: comparamos os recursos de multitarefa

Com o lançamento do iOS 4, agora os sistemas da Apple e do Google oferecem multitask; veja como eles se comportam nessa área

PC World / EUA

25/06/2010 às 18h22

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A multitarefa ganhou o palco principal com o lançamento do iOS 4 (e do iPhone 4) na semana passada, mas a grande questão é como esse recurso, razoavelmente básico, e há muito tempo esperado no iPhone, se colocar em relação ao Android, sistema do Google – especialmente pelo fato da quantidade de pessoas discutindo se o que a Apple está entregando é multitarefa de verdade ou não.

Deixando as questões técnicas de lado, vamos considerar a perspectiva do usuário. Quais são as diferenças entre os dois métodos de acessar aplicativos? E qual abordagem faz mais pelos consumidores não-técnicos que usam os mais novos smartphones?

A maneira como a Apple lida com multitarefa é fundamentalmente diferente de como o Google lida com o recurso – e essa diferença fala muito sobre a interface madura e refinada da primeira em oposição à abordagem ainda em progresso e otimizada por desenvolvedores da última.

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Multitarefa do iOS 4
Com o iOS 4, por padrão, a Apple permite que os usuários vejam todos os apps que continuam abertos, estejam eles em um estado suspenso ou em execução. É preciso dar um toque duplo no botão Home para trazer a barra multitarefa, que aparece no topo da tela do menu logo acima do botão Home. A barra mostra quatro ícones por vez; é possível ir para a esquerda para pegar os controles de atalho do iPod.

Os ícones dos aplicativos abertos mais recentemente começam na esquerda; você passa o dedo horizontalmente para dar um scroll pelos outros ícones.

Os apps que vão rodar no background normalmente são aqueles que possuem ações que precisam ser realizadas no fundo, como navegação, streaming de música ou VoIP (mas, surpreendemente, não inclui apps de mensagens instantâneas); por exemplo, seu app de GPS pode continuar a acompanhar seu progresso e te dar direções, não importando se você está no telefone, ouvindo música ou realizando outra tarefa.

Mas nem todos os aplicativos do mundo da Apple podem rodar desta forma; na verdade, a maioria vai rodar em modo suspenso. Se um app suporta a capacidade de suspensão, ele poderá voltar à ação a partir de onde você parou.

A Apple afirma que o iOS 4 mantém registros de quais softwares foram usados mais recentemente, e quais usam mais memória do que outros. Os aplicativos serão resgatados do estado suspenso se o telefone ficar sem memória. A companhia não informou a quantidade de memória envolvida, mas porta-vozes confirmaram que ela é dedicada ao sistema de memória, e não tem nada a ver com o espaço de armazenamento disponível no aparelho.

Como não há nenhuma ferramenta de gerenciamento de apps, os usuários precisam confiar que o iOS 4 vai tomar as decisões corretas sobre o que é possível fazer pelo multitarefa. Se você quer fechar um applicativo sem memória, no entanto, só precisa apertar e segurar o ícone do app, e então clicar no círculo vermelho com um traço – a representação visual da Apple de um símbolo de apagar.

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Desenvolvedores precisam primeiro atualizar seus apps para que sejam suportados pelo novo iOS 4 e seu recurso multitarefa

Multitarefa do Android
Compare esse método com a abordagem de multitarefa do Android, que é mais fechado e focado em engenharia. Na plataforma do Google, você pode visualizar apenas os seis apps abertos mais recentemente.

Para acessar a central (switcher) do multitarefa, é preciso tocar e apertar o botão Home (ou equivalente), e então selecionar o app que quiser. A central do multitarefa aparece no meio da tela, o que normalmente significa mover seus dedos um pouco acima dos botões de navegação.

O Android mantém outros apps rodando no background, não apenas no estado de suspensão, como faz o iOS 4. Por exemplo, uma página da Web pode continuar carregando mesmo que você tenha deixado o navegador para fazer outra coisa. Mas você não verá evidências óbvias disso quando ativar o switcher do multitarefa; você vê apenas os seis ícones dos apps mais recentemente usados.

No ambiente Android, por padrão, a única maneira de ver todos os aplicativos rodando a qualquer momento é ir até Settings (Configurações), Applications (Aplicativos), Manage applications (Gerenciar aplicativos).

Quando estiver lá, você precisa descer até Controls (Controles) e apertar Force stop (Forçar parada) para fechar o app. O status que você mudar para qualquer app é muito detalhado e amigável a desenvolvedores – mas não fornece a  informação concisa e precisa que é mais acessível para o público não-técnico que o sistema do Google espera atrair.

Em vez disso, um usuário Android tem de baixar um gerenciador de app, como o Advanced Task Killer, para poder ver rapidamente quais aplicativos estão abertos, e fechá-los facilmente. O novo Droid X, da Motorola, que vem com o Task Killer, é até agora o único telefone que já vimos a ter pré-instalado um aplicativo do tipo.

Para o grande público, o Android possui alguns problemas – os mesmo consumidores que correram para a Apple cheios de entusiasmo – e precisa dar um melhor tratamento ao seu próprio gerenciamento de aplicativos, de uma forma integrada e coesa. Muito parecido com a forma que a Apple fez.

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Sistema operacional Android ainda precisa criar formato mais acessível ao grande público

Próximos desafios
Dito isso, a abordagem da Apple também  possui suas fraquezas. A primeira delas é o fato de que os desenvolvedores precisam primeiro atualizar seus programas para suportarem o iOS 4 e multitarefa. Isso significa que nem todos os aplicativos vão suportar o recursos durante esses primeiros dias do novo sistema operacional.

E apesar de o iOS 4 estar tentando gerenciar esses aplicativos, não está fazendo de maneira muito precisa: em um iPhone 3GS rodando o iOS4, encontrei um app de game, Annie´s Wildshot, da Temco, que mostrou uma mensagem dizendo que detectou memória baixa.

Essa mensagem apareceu quando tinha 28 aplicativos aparecendo na barra de multitarefa. Claramente, mesmo que os usuários não possam ver o impacto, os aplicativos suspensos e multitarefa estão utilizando os recursos do telefone.

Outro problema para a Apple é que ainda não é possível medir totalmente seu suporte para multitarefa. Até o fechamento desta matéria, poucos aplicativos da App Store haviam sido atualizados para suportar o iOS 4, multitarefa. E os que já foram atualizados não possuem referências consistentes sobre o que suportam no ambiente do novo sistema operacional (ele continua em ação ou foi suspenso?)

O Android pode conseguir funcionar mais livremente no background com alguns apps e notificações – algo que ainda é precisamos passar mais tempo com ele, para entender completamente como o iOS 4 lida com os mesmos apps. Assim como entender o impacto a longo prazo de multitarefa ativo na vida da bateria, nas duas plataformas.

E apesar de sua abordagem diferente, o iOS 4 pode ser capaz de funcionar de maneira comparável ao Android, mas o veredicto só sairá quando tivermos mais aplicativos que sejam realmente desenvolvidos para aproveitar o novo sistema da Apple.

O mais importante é que, em sua implementação visual, a forma da Apple lidar com multitarefa é mais elegante e possui melhor abordagem, apesar das limitações. No Android, o recurso possui a vantagem de funcionar com todos os aplicativos, mas a forma como está implementado carece de visão e graça.

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