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iPad Mini será a próxima grande ferramenta profissional em 2013?

Conversamos com analistas e desenvolvedores para saber se o tablet menor da Apple seguirá o mesmo caminho do iPhone e do iPad padrão no ambiente de trabalho

Joel Mathis, Macworld / EUA

29/01/2013 às 13h21

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Não muito tempo após o lançamento do iPad Mini no final do ano passado nos EUA (o aparelho ainda não chegou oficialmente ao Brasil), o fundador da AdGent Digital, Cameron Yuill, começou a usar o aparelho para realizar apresentações profissionais.

A conveniência era uma das razões: o iPad Mini possui todas as capacidades do seu antecessor maior (mais especificamente o iPad 2), incluindo espelhamento wireless com o AirPlay que permite a ele projetar a tela do tablet em uma TV próxima. Mas a habilidade de venda também foi um fator: não há nada como chegar a uma reunião, aparentemente de mãos vazias, apenas para retirar o mini-tablet do seu casaco/terno.

“Eu pego ele e as pessoas ficam bastante impressionadas”, diz Yuill, cuja empresa fornece publicidade em plataformas mobile. “Estamos nesse negócio, por isso estamos promovendo o uso o máximo possível.”

Meses depois do lançamento do iPad Mini, o aparelho parece ser um “hit”, se juntando ao iPad 4 para vender mais de três milhões de unidades nos primeiros dias nas lojas. Mas os analistas ainda tem dúvidas sobre se essa versão com tela de 7,9 polegadas vai seguir os passos do seu “irmão maior” indo da sala de estar para a sala de reuniões – e caso sim, qual a rota que irá tomar para fazer isso.

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Cameron Yuill com o iPad Mini: nova ferramenta de trabalho?

Escolas e hospitais

Duas instituições com boas chances de adotarem o iPad Mini são as escolas e hospitais. A primeiras é compreensível. Muitas escolas dos EUA (e algumas no Brasil) já usam o iPad, mas adotar a tecnologia tem um custo. Com preço inicial de 329 dólares (nos EUA), o iPad Mini tem um preço de entrada 170 dólares menor do que o iPad 4 com tela Retina. A Universidade Lynn, na Flórida, vai distruiur o tablet para seus calouros no próximo semestre, e a escola East Jordan, em Michigan, está comprando 770 unidades do iPad Mini. Enquanto isso, a desenvolvedora de apps educacionais KinderTown (para crianças entre 3 e 8 anos) viu um aumento no uso do iPad Mini durante as festas de final de ano. A publicação especializada apoiou o uso do iPad Mini na sala de aula.

“Realmente cabe no bolso do jaleco”, diz Marianne Braunstein, vice-presidente de gerenciamento de produto da Epocrates, que desenvolve aplicativos médicos para aparelhos iOS. Uma pesquisa que a empresa dela fez antes do lançamento do iPad Mini descobriu que um em cada três médicos planejava comprar o então novo tablet menor.

“Eles estão se movendo constantemente entre salas de exame, pelo hospital...são pessoas muito ativas em suas carreiras”, diz Marianne. “Precisam ter aparelhos que lhes permitam ser muito portáteis.”

O iPad Mini pode parecer ser uma desvantagem para ter em um hospital, uma vez que não oferece a tela Retina de altíssima resolução dos seus “irmãos maiores”. Mas para o Dr. Stephen Ferzoco, diretor-chefe da Mobiquity Inc, os médicos buscarão o Mini: o iPad normal é muito grande, diz.

“A partir de um ponto-de-vista de formato, os médicos agora podem carregar o aparelho menor no bolso dos seus jalecos”, explica. “Isso efetivamente significa que seus registros médicos eletrônicos, materiais de referência, entrada de informações, e habilidade para produzir imagens está ao alcance do braço a todo momento.”

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O Dr. Brian K. Dim usa o iPad Mini diariamente em uma clínica em Minnesota, nos EUA

Até nos hospitais, espera Marianne, os médicos vão levar o iPad Mini por conta própria, em vez de usar os modelos fornecidos pela instituição.

“Na maioria, deve ser forma individual”, afirma. “Esses aparelhos tornam a vida deles mais fácil, então é isso que vão levar para os seus locais de trabalho.”

O caminho para adoção

Outros aparelhos iOS anteriores entraram no ambiente de trabalho de forma rápida, mas por rotas amplamente diferentes.

O iPhone, por exemplo, foi inicialmente deixado de lado por departamentos de TI que haviam construído sua infraestrutura de segurança para suportar o então líder BlackBerry, da RIM (Research in Motion). Mas o iPhone abriu seu caminho para os escritórios de qualquer maneira, inicialmente sendo levado por executivos top e, então, cada vez mais, por seus funcionários – forçando uma adaptação pelos departamentos de tecnologia. A abordagem “traga seu próprio aparelho” funcionou para a Apple: mais de cinco anos após seu lançamento, o iPhone é um dos principais smartphones do mercado corporativo atual.

O iPad, em contraste, foi imediatamente “abraçado” pelas empresas – e acabou sendo distribuído em escritórios e outros ambientes de trabalho em uma base mais “baixa” do que apenas os chefes. Meses após o lançamento do modelo original, em 2010, o tablet já era usado em diversos estabelecimentos, indo desde revendas de carros até escolas médicas, uma vez que as instituições reconheceram que o tablet podia ajudar a reduzir a quantidade de papel utilizada e fornecer maior mobilidade para os usuários do que os notebooks/netbooks tradicionais.

Os analistas esperam que o iPad Mini siga o mesmo caminho do iPhone no ambiente de trabalho, chegando inicialmente como um aparelho levado pelos próprios funcionários antes de as instituições descobrirem como usar o tablet menor a seu favor.

“Penso que é difícil dizer que ele (iPad Mini) vai definitivamente seguir um caminho ou outro”, diz Frank Gillett, vice-presidente e analista principal da consultoria Forrester nos EUA. “O iPad Mini, por ser tão pequeno, vai seguir uma abordagem individual no começo – apesar de que algumas empresas vão achar atraente um tablet menor e mais barato.”

Segundo ele, o iPad padrão continua como “o aparelho” escolhido por muitas empresas, uma vez que aplicativos financeiros como Square Register e outros corporativos como SalesForce provavelmente fazem mais sentido na tela maior. Mas em outras situações – especialmente quando o custo do aparelho é um fator importante – o iPad Mini tem uma vantagem. Ele também pode se provar vantajoso em situações em que o espaço é importante (e escasso), particularmente para usuários que passam muito tempo em aviões e locais apertados.

“É como acontece com muitas outras coisas”, diz. “Você apenas escolhe a ferramenta correta para trabalhar.”

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