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iPad: tablets estão “matando” o mercado de netbooks, admite a Microsoft

Vendas de laptopos compactos despencam e o iPad é um dos principais responsáveis por isso; setor corporativo não deverá demorar a adotá-lo

Computerworld/US

05/11/2010 às 19h39

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Eu já tinha avisado, mas não me importo em repetir: os tablets estão competindo com os netbooks pelo mesmo mercado. Para convencer-se, não é preciso conversar com o diretor da Best Buy – maior loja de eletrônicos dos Estados Unidos – nem ouvir a opinião dos mais diversos analistas; basta bater um papo rápido com a Microsoft, que agora admite que o iPad está matando os mini notebooks.

Em entrevista ao jornal americano Seattle PI, Gavriella Schuster, responsável pelo desenvolvimento do Windows, soltou os seguintes comentários:

“Eles (netbboks) estão, definitivamente, perdendo importância. Embora sejam dispositivos secundários, suas vendas estão, de fato, diminuindo”, respondeu, ao ser questionada se o SO da Microsoft estaria ameaçado pelo crescimento do iOS e do Android, presentes em tablets.

A Microsoft continua chamando-os de dispositivos, pois acredita que, por não serem computadores, não estão aptos a virarem a máquina principal do usuário. No entanto, se pensarmos no mercado de aparelhos “secundários”, o iPad veio para ficar.

Pesquisa do instituto Changewave verificou que apenas 14% das pessoas que já dispõem de um PC pretendem comprar um netbook nos próximos 90 dias. Em junho de 2009, esse índice era 10 pontos percentuais maior.

Em relação aos tablets, 26% dos 3108 consumidores entrevistados pensam em comprar um nos próximos meses, e 80% deles só pensam no iPad – ou seja, 20% planejam adquirir o aparelho da Apple. Por outro lado, RIM PlayBook, Samsung Galaxy Tab e HP Slate, juntos, somam 13% apenas.

Apple saiu na frente
Os dados provam o que já era previsto: os concorrentes brigarão por migalhas do mercado enquanto a empresa de Steve Jobs se mantiver sempre um passo à frente. À maioria dos consumidores, o que importa não é o que se compra, mas o quão satisfeito o produto é capaz de deixá-lo, e nisso, o iPad é imbatível.

Daqueles que já o possuem, 72% se dizem muito felizes com o aparelho, 23% estão contentes e só 1% desgostaram, segundo a mesma Changewave. E essa é só a primeira versão do modelo, que costuma ser pior que as subsequentes – a Apple já prepara a segunda.

Quanto ao mercado corporativo, uma análise da Gartner divulgada na última quinta-feira (4/11) sugere às empresas que elas suportem o uso do iPad em seus negócios, auxiliando os funcionários na adaptação, pois o dispositivo tem potencial para alterar as estruturas do setor:

“Por mais que não seja um fato consumado, o iPad deve se tornar um marco da tecnologia, assim como o iPod o foi. Mesmo que você pense que é uma moda passageira, o custo de adaptar-se a ela é pequeno, mas o preço do atraso pode ser altíssimo”, alerta Stephen Prentice, vice-presidente do instituto.

O tablet já estaria sendo usado em diversos setores, dos escritórios de arquitetura às livrarias, das escolas ao mercado financeiro, das agências de viagens aos hospitais. Algumas empresas podem até argumentar que a Apple não dá suporte às corporações, mas “a tecnologia não é só uma questão de produtividade”, avisa a Gartner.

Naturalmente, percebo a existência de concorrentes, e destaco a chegada do Galaxy Tab, portanto Android 2.2 – o que não é ideal para esse tipo de aparelho. Entretanto, a Samsung, por enquanto, admite que no máximo será o segundo nome do mercado, afinal, espera vender 1 milhão de unidades até o fim do ano, ou o dobro do que o iPad precisou para atingir essa marca.

“Chegamos a 1 milhão de iPads em apenas 28 dias; o iPhone só alcançou tal índice em 74 dias”, disse Steve Jobs na ocasião. “A demanda continua maior que nosso estoque e estamos trabalhando para entregar esse produto mágico nas mãos de mais consumidores”.

O problema da Apple e o fim dos netbooks
As vendas impressionantes do iPad, que o transformaram no maior fenômeno tecnológico desde o lançamento do DVD player, é, por mais incrível que possa parecer, a maior dor de cabeça da Apple. A empresa tem dificuldade em produzir tantas unidades a ponto de suprir a demanda, e, assim, não seria nada surpreendente se os componentes de alguns tablets começassem a falhar, dado a pressão imposta sobre as fábricas que os fabricam.

De qualquer forma, aos poucos, os netbooks deverão ser substituídos pelos tablets. As empresas que quiserem mantê-los nas prateleiras serão obrigadas a comercializá-los a um preço extremamente baixo, com configurações de hardware modestas, mas com eficiente sincronia com a nuvem – alguém se lembrou do Chrome OS?

Suas vendas continuarão a cair em ritmo acelerado, enquanto as empresas continuarem a inovar no mercado de dispositivos móveis. Quando surgirem tablets com o mesmo preço dos netbooks, poderemos declarar que o fim deles chegou.

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