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iPad vira ferramenta de trabalho para cientistas nos EUA

Tablet e aplicativos específicos mudam a maneira como profissionais da área realizam experimentos, registram resultados e leem relatórios e artigos

Macworld / EUA

10/07/2012 às 11h31

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Há não muito tempo atrás, Chris Grant levaria regularmente o equivalente a um laboratório inteiro em equipamentos junto com ele para a floresta. Agora, o cientista leva apenas um iPad.

“Nós vamos a alguns locais razoavelmente remotos que exigem caminhadas mais pesadas. Uma distância de mais de 3 quilômetros apenas na ida não é algo incomum”, afirma Grant, que atua como coordenador de um laboratório da faculdade Juniata College, na Pensilvânia. Durante o verão americano (que acontece neste trimestre), ele lidera equipes de estudantes em direção aos lados selvagens do estado para pegar peixes em riachos locais e realizar medições de mercúrio.

Expedições desse tipo costumavam exigir uma variedade de diferentes ferramentas: um mapa topográfico, um GPS portátil, uma câmera, um determinador de alcance (ragefinder), e até mesmo um notebook para anotar dados. Agora? O iPad faz tudo isso para Grant, que utiliza aplicativos como GPS Status, River Reader, e Smart Ruler para se orientar e tirar medidas no campo.

“Ele (o iPad) eliminou pelo menos cinco ferramentas diferentes”, afirma Grant. “Apenas pegar uma câmera para tirar uma foto enquanto está analisando um peixe, com uma mão no notebook e a outra na câmera – bem, agora está tudo ali, em um lugar.”

Desde seu lançamento há cerca de dois anos, o iPad começou a transformar muitas profissões, encontrando um lugar em salas de aula, concessionárias de carro, cockpits de corridas, e até mesmo locais de construção de edifícios. Agora o tablet da Apple também está começando a mudar o trabalho de cientistas. Os profissionais dessa área entrevistados disseram ter encontrado três maneiras principais para usar o iPad em sua profissão.

Seguindo protocolo

Ao contrário de todos aqueles filmes de ficção-científica, a pesquisa em laboratório não é feita ao se misturar diversos elementos químicos e ver o que acontece. Protocolos detalhados guiam cada experimento, documentos que servem como uma espécie de receita para os pesquisadores. Até pouco tempo atrás, isso significava que os cientistas pesquisadores frequentemente se encontravam “afundados” em uma biblioteca de cadernos de anotações para guiá-los.

A bióloga da universidade Eastern Finland, Andrea Holme, dispensou esses cadernos, se virando para o software LabGuru. Ela pode digitar seus protocolos no site do serviço, então levar seu iPad para o laboratório, abrir o app do LabGuru, e começar a trabalhar. O aplicativo não apenas guia seus experimentos, como também permite que ela registre resultados, e sincronize os dados de volta para o app da web para que possa analisar depois as informações no seu computador.

“É tão mais eficiente”, afirma Andrea. “Tudo está aqui. Nem sempre eu sou a pessoa mais organizada do mundo, mas isso te torna organizado por padrão porque você está colocando tudo no lugar correto.”

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Chris Grant e sua equipe usam o iPad para pesquisar peixes nos EUA

O iPad também pode guiar os cientistas para locais onde a pesquisa deve ser feita. O professor associado da Universidade da Pensilvânia, Ben Horton, está pesquisando mudanças no nível do mar. Ele utiliza o app do Google Earth para encontrar locais que precisam de análise, e para começar a comparar alterações causadas por mudanças climáticas nas ilhas Outer Banks, na Carolina do Norte.

“Ele (o app) permite visualizar aspectos da paisagem em três dimensões que você não veria em um mapa”, afirma Horton. “Ele torna as coisas mais fáceis. Em vez de precisar adivinhar como o ambiente estava, nós podemos olhar fotos a partir de um satélite.”

Coletando dados

O colega de Horton na Penn, o biólogo Paul Schmidt, tornou-se um grande fã do iPad em pouco tempo. Ele é um usuário assíduo do aplicativo Numbers para digitar dados à medida que pesquisa genética evolucionária.

“A maior coisa que fazemos, em que isso (o app) nos poupou muito tempo, é que fazemos toda a entrada de dados nos iPads”, afirma Schmidt. “Diria que 90% das tarefas rotineiras são feitas com ele. Para alguém que passa quatro horas por dia registrando dados, isso provavelmente economiza, facilmente, pelo menos uma hora diária.”

Grant, Andrea e Horton também gostam de usar a câmera do iPad para documentar descobertas, seja em vídeo ou fotografias. “Se eu tenho um gel ou um filme de raio-X, algo que eu possa ver, posso registrá-lo enquanto estou olhando para ele”, explica Andrea. “Nós não publicaríamos com isso  - com um filme raio-X, faríamos um escaneamento adequado. Mas para um simples registro, o iPad funciona.”

Mantendo a leitura em dia

A diretora de farmacologia do Brigham and Women’s Hospital, em Boston, Ronelle Stevens, é uma grande fã do app Pubget – o software permite que ela encontre e baixe de maneira rápida artigos científicos, em vez de esperar entre dois e três dias para uma biblioteca de pesquisa encontrá-los.

“Eu prefiro gastar tempo lendo o artigo em vez procurar por ele”, afirma. “Não preciso carregar quilos e quilos de papel. Meus ombros agradecem.”

O professor de biologia celular e molecular da universidade Pittsburgh State, no Kansas, Daniel Zurek, diz que a habilidade de fazer rapidamente fazer referência às pesquisas de outros cientistas tornou-o mais eficiente no labarotório.

“Ele me ajuda a trabalhar de forma mais eficiente, e não cair em tantos becos sem saída que não vão funcionar”, afirma Zurek, que usa o app NEB Tools no laboratório. “Uma coisa sobre a área de biotecnologia é que sempre há algo novo por aí, e normalmente é algo criado para resolver um problema específico. Se é o seu problema em especial, você está com sorte.”

Ainda novo

Apesar das vantagens, a adoção do iPad parece estar sendo lenta entre os cientistas. Quase todos os pesquisadores entrevistados pela Macworld nos EUA disseram que entraram no mundo do tablet apenas nos últimos meses, e a maioria afirma ser pioneira entre os colegas de profissão.

“Não estou realmente vendo iPads sendo entregues no meu instituto”, afirmou o assistente de pesquisa do Nationwide Research Hospital da faculdade Ohio State, Matthew Gorr, em uma declaração que encontra eco em outros profissionais da área. “Geralmente é o iPad pessoal de alguém.”

Mas Andrea já está evangelizando o iPad para seus colegas. “Se você está em uma conferência e está falando com alguém novo, pode abrir os dados (no iPad) e mostrá-los para ele”, diz. “Os cientistas que possuem acesso a isso poderão ser mais competitivos.”

E outros dizem que os pesquisadores serão forçados a confiarem cada vez mais no iPad – mesmo que apenas para fazer uma conexão com estudantes universitários ligados em tecnologia.

“Ele torna a ciência inerentemente mais interessante para os alunos se eles podem conectar o assunto de volta com tecnologia”, explica Grant. “Nós estamos no estágio de aprendizado com o iPad, e ele já tem sido de muita ajuda. Espero que ele continue a ser mais útil com o tempo.”

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